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Carolina Maria de Jesus, presença e legado

A escritora Maria Carolina de Jesus, em foto de 13/12/1961 antes de embarcar para o Uruguai para lançar o livro "Quarto do Despejo". Acervo/Estadão

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O IMS Rio celebra Carolina Maria de Jesus com uma conversa entre a professora Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, e a escritora Conceição Evaristo. Evaristo e Carolina apresentam em suas narrativas e biografias diversos pontos de contato. As escritoras são também, cada uma a seu modo e em seu tempo, expoentes da literatura feminina negra. Conceição conta que, na Belo Horizonte do final da década de 1960, quando leu Quarto de despejo se sentiu como alguns dos personagens da favela Canindé retratados no diário de Carolina. Segundo Evaristo, sua mãe “leu e se identificou tanto que igualmente escreveu um diário, anos mais tarde. Guardo comigo esses escritos e tenho como provar em alguma pesquisa futura que a favelada do Canindé criou uma tradição literária. Outra favelada de Belo Horizonte seguiu o caminho de uma escrita inaugurada por Carolina e escreveu também sob a forma de diário, a miséria do cotidiano enfrentada por ela”, completa no depoimento durante o I Colóquio de Escritoras Mineiras (UFMG).

O debate entre Vera Eunice e Conceição Evaristo será mediado pelos pesquisadores Raquel Barreto e Hélio Menezes, também curadores da exposição “Um Brasil para brasileiros” [título provisório], que será inaugurada a partir de agosto no IMS Paulista.

Sobre Carolina Maria de Jesus

Autora que estreou com retumbante sucesso editorial, Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento (MG), em 14 de março de 1914. Do pouco que se conhece sobre sua infância, sabe-se que estudou no Colégio Allan Kardec, do Grupo Espírita Esperança e Caridade, na sua cidade natal. Depois de peregrinar com a mãe em busca de trabalho pelas cidades do interior paulista, Carolina chegou à capital do estado em 1947 e se instalou na favela do Canindé, de onde saía diariamente para trabalhar como catadora de papel.

Sobre os participantes

Conceição Evaristo é mestre em Literatura Brasileira (PUC/RJ), apresenta, em 1996, a dissertação Literatura Negra: uma poética da nossa afro-brasilidade, e, em 2011, defende a tese de doutorado Poemas Malungos – Cânticos Irmãos (UFF). Estreia na literatura por meio do Grupo Quilombhoje com obras publicadas na série Cadernos Negros. É autora de poesia e prosa, entre os quais Ponciá Vicêncio (2003) e Olhos d’água (2014). Leciona na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como professora visitante.

Hélio Menezes é mestre e doutorando em Antropologia Social pela USP, onde tem desenvolvido pesquisas sobre arte, em especial a arte afro-brasileira, relações raciais, antropologia da imagem, museus e ativismo. Foi curador convidado da exposição Histórias Afro-atlânticas, do Masp, e da mostra de performances Eu não sou uma mulher?, no Instituto Tomie Ohtake. É curador de Arte Contemporânea no Centro Cultural São Paulo.

Raquel Barreto é doutoranda em História (UFF), onde desenvolve pesquisa sobre o Partido dos Panteras Negras (1966-1974) e as relações entre visualidade, política e poder. É pesquisadora especialista nas autoras Angela Y. Davis (1944) e Lélia Gonzalez (1935-1994) e publica artigos e ensaios em periódicos de circulação nacional. Prefaciou a edição brasileira de Uma Autobiografia de Angela Davis, em 2019.

Vera Eunice de Jesus é professora de português em escola pública, Vera Eunice é herdeira e representante da obra de sua mãe, Carolina Maria de Jesus.

Como participar

Quando
Data a definir

Entrada gratuita. Evento sujeito à lotação do espaço.
Distribuição de senhas 30 minutos antes do evento. Limite de 1 senha por pessoa.

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