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Sobre Alécio de Andrade

O talento múltiplo – foi também poeta e pianista amador – e a personalidade expansiva de Alécio impulsionaram sua carreira desde cedo. Logo após publicar poesias em suplementos literários cariocas no começo dos anos 1960, tornou-se amigo de escritores consagrados como Marques Rebelo e Carlos Drummond de Andrade, que em 1964 já o louvava, em poema publicado no Jornal do Brasil, como um fotógrafo de “dom sublime”. Nessa época, obteve do Ministério da Educação e Cultura o apoio para sua primeira exposição individual, Itinerário da infância, e viajou com ela até Paris, onde uma bolsa de estudos do governo francês o estimulou a ficar por algum tempo. Tempo que se prolongaria por toda a vida.

Foi correspondente da revista Manchete na capital francesa de 1966 a 1973 e, de 1970 a 1976, membro associado da famosa agência Magnum, que tivera entre seus sócios-fundadores Henri Cartier-Bresson – de quem Alécio se tornou amigo e com quem compartilhava a paixão pela câmera Leica e o fascínio pelo chamado instante decisivo.

Publicou em alguns dos principais órgãos de imprensa do Brasil, da Europa e dos EUA. Tornou-se amigo do romancista americano James Baldwin e do pianista austríaco Alfred Brendel, incorporando-os a uma galeria de retratados em que figuram ainda Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Susan Sontag, Jean Genet, Michel Foucault, Arthur Rubinstein, Pierre Cardin e todos os principais nomes da cultura brasileira que passaram por Paris nos anos 1970.

Em 1981, já estabelecido como cronista visual da cidade, Alécio coassinou, com o escritor argentino Julio Cortázar, também “parisiense”, o premiado livro Paris ou la vocation de l’image [Paris ou a vocação da imagem]. Em 1992, com bolsa da fundação Crédit Lyonnais, deu início ao minucioso estudo fotográfico sobre o Louvre, ao mesmo tempo em que vasculhava seu arquivo em busca de imagens antigas sobre o tema – como o famoso instantâneo de 1970 em que três freiras de negro se absorvem na contemplação da nudez de As três Graças, tela de Jean-Baptiste Regnault.

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