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Sobre Decio de Almeida Prado

Decio de Almeida Prado mudou a feição da crítica teatral. Foi ele que introduziu a reflexão sobre todo o movimento de transformação por que passou o teatro no Brasil a partir do final da década de 1930 e durante toda a década de 1940, quando o surgimento de grupos amadores, no Rio de Janeiro e em São Paulo, determinou o início do teatro brasileiro moderno. Grande parte da análise dessa movimentação era feita no jornal O Estado de S. Paulo, em que Decio começou a escrever em 1946, na seção intitulada “Palcos e Circos”. A colaboração, que se estendeu até 1968, durou, portanto, 22 anos. Uma seleção das críticas publicadas foi recolhida pelo autor em Apresentação do teatro brasileiro moderno: crítica teatral de 1947-1955, lançado em 1956. O livro, hoje um clássico da história teatral brasileira, reúne críticas sobre autores e companhias nacionais e toda uma seção sobre o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Decio publicaria ainda, entre outros, Teatro em progresso, de 1964, e Exercício findo, de 1987.

No jornal O Estado de S. Paulo, ele editou, de 1956 a 1967, o Suplemento Literário. Na crítica de Decio de Almeida Prado, se encontra toda a história do grupo carioca Os Comediantes, que ele considerava um divisor de águas na história do teatro brasileiro, ao lado do também carioca Teatro do Estudante do Brasil. Com Lourival Gomes Machado, em São Paulo, Decio fundou e dirigiu o Grupo Universitário de Teatro (GUT), uma das companhias amadoras que modificaram o panorama teatral brasileiro na década de 1940. Ao lado do também paulista Grupo de Teatro Experimental (GTE), organizado por Alfredo Mesquita e Abílio Pereira de Almeida, forma todo um capítulo da história dessa arte que, naquele momento, atraiu também a escritora Lygia Fagundes Telles e Paulo Autran.

Entre as incontáveis atuações como membro de associações de crítica de teatro, aos 62 anos Decio prestou concurso de livre-docência na Universidade de São Paulo. Aposentou-se três anos depois, em 1982, do cargo de professor de literatura brasileira, mas continuou a fazer pesquisa e a publicar livros até o fim da vida. Em 1992, passou a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Moreira Salles, ao lado de Otto Lara Resende, Antonio Candido, Francisco Iglésias, entre outros, além de membros da família Moreira Salles.

Decio de Almeida Prado morreu em 3 de fevereiro de 2000, em São Paulo.

 

NO IMS

O Acervo Decio de Almeida Prado chegou ao Instituto Moreira Salles em 2000. É formado de biblioteca de 6.963 livros e 1.179 periódicos catalogados; e de arquivo com aproximadamente: produção intelectual contendo 1.500 documentos, correspondência com 470 itens, 1.200 recortes de jornais e de revistas, 320 fotografias, 40 partituras e 90 apensos. Na correspondência, destaca-se o diálogo epistolar com o também crítico de teatro Miroel Silveira, por meio do qual se revela parte da história do teatro brasileiro. A documentação aí contida é material indispensável para a reconstrução da trajetória de dois grupos de teatro amador paulistas importantes: o Grupo Universitário de Teatro (GUT) e o Grupo de Teatro Experimental (GTE).

Em 2005, o Instituto Moreira Salles publicou A crítica cúmplice: Decio de Almeida Prado e a formação do teatro brasileiro moderno, de Ana Bernstein, em que a autora analisa a trajetória do crítico.

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