Sobre Georges Leuzinger

Leuzinger chegou à capital do Império em 1832, antes de completar 20 anos e sem falar nada além de alemão, para trabalhar na firma de importação e exportação de um tio. Com a falência desta, sete anos mais tarde, deu início – no mesmo momento em que, em Paris, era inventado o daguerreótipo – a um pequeno negócio de edição de litografias que estava destinado a se tornar, 20 anos depois, uma potência editorial e, com o nome de Casa Leuzinger, o centro de um circuito de publicações que sintonizaria o Brasil com o melhor da produção fotográfica europeia – fato ainda mais notável se for levado em conta que a Coroa portuguesa havia proibido a existência de tipografias na colônia até 1808.

Como fotógrafo, Georges Leuzinger realizou durante a década de 1860 um trabalho sistemático de documentação do Rio de Janeiro, incluindo cenas urbanas, vistas de Niterói, da Serra dos Órgãos e de Teresópolis. Como empresário, montou com grande tenacidade – inclusive mandando seus filhos se aperfeiçoarem na Europa – um complexo editorial que incluía papelaria, tipografia, estamparia de livros e gravuras, além de oficinas de litografia, encadernação e fotografia.

O IMS tem a maior coleção de trabalhos de Leuzinger e Albert Frisch, um fotógrafo contratado por ele, composta por mais de 500 exemplares. Detém também, desde 2000, por doação dos descendentes do fotógrafo suíço, o arquivo de 290 documentos, imagens e correspondências de família que seu filho Paul reuniu entre 1850 e 1903. Esse material permite contar a história da Casa Leuzinger – e de seu fundador – com uma precisão e uma abrangência até então inéditas. Um fruto editorial dessas pesquisas é o número sobre Leuzinger da série Cadernos de Fotografia Brasileira, publicado pelo IMS em 2006.

OUTROS ACERVOS