Sobre Henri Ballot

Filho de pai francês, Ballot nasceu na cidade gaúcha de Pelotas, mas cresceu na França, na região de Charente, para onde se mudou aos dois anos de idade. Na Segunda Guerra Mundial, atuou na Resistência Francesa e passou quatro meses como prisioneiro do exército alemão na Espanha. Após ser libertado, juntou-se como piloto à Free French Air Force, na Inglaterra. Em 1949, teve a carreira encerrada por um acidente aéreo e decidiu se mudar para São Paulo, dando início à atividade de fotógrafo. Entre 1951 e 1969, produziu, entre outras, as fotorreportagens “O gado humano”, sobre os retirantes nordestinos em São Paulo; “Chikrin, Txukarramãe e Tchicão”, sobre os primeiros contatos com os índios das respectivas tribos; “A produção do café em São Paulo”; “A Copa do Mundo em 1958”; “A guerra no Líbano”; “A construção da Transamazônica”; “Greve geral no país”; “Escolas de samba no Rio de Janeiro” e “Os antropófagos da Amazônia”. Em 1961, Ballot foi enviado a Nova York para documentar os bolsões de pobreza da cidade, em resposta a uma reportagem de capa da revista Life retratando a miséria das favelas do Rio, centrada na figura de um garoto, Flávio da Silva. A matéria era assinada pelo lendário fotógrafo e cineasta Gordon Parks, e o trabalho de Ballot seguia o mesmo caminho, expondo a pobreza do Harlem hispânico. Na capa de O Cruzeiro, o título era tão sensacionalista quando o da Life: “O repórter Henri Ballot descobre em Nova York um novo recorde americano: miséria”.

O fotógrafo permaneceu em São Paulo até 1968. Após deixar O Cruzeiro, trabalhou na montagem de um estaleiro na Ilha Grande (RJ) e na criação de cabras em Santa Catarina.

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