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Sobre Hercule Florence

Nascido em Nice, Hercule Florence já era um talentoso desenhista e pintor quando, aos 16 anos, começou a se empregar em navios de guerra e mercantes, conhecendo diversos países da Europa. Aos 20 anos, em 1824, desembarcou no Rio de Janeiro, a bordo da fragata francesa Marie Thérèze, já como desenhista e pintor.

Decidido a ficar na cidade, trabalhou como comerciante e tipógrafo até atender a um anúncio do naturalista de origem alemã Georg Heinrich von Langsdorff, que organizava, em nome da Academia Imperial de Ciências da Rússia, uma expedição pelo interior do Brasil, com o objetivo de ir até o coração da Amazônia. Florence juntou-se ao grupo no papel de desenhista, formando um trio de artistas com Johann Moritz Rugendas e Adrien Taunay. A expedição Langsdorff, que durou até 1829, foi responsável pelo maior levantamento de dados geográficos e etnográficos do país no século XIX.

Em 1830, Hercule Florence mudou-se para a vila paulista de São Carlos (hoje Campinas), onde desenvolveu o seu espírito de inventor e empreendedor. Criou um método próprio de impressão, que batizou de poligrafia, com o objetivo de explorá-lo comercialmente. Fundou o primeiro jornal da cidade e desenvolveu um sistema de notação musical, a zoofonia, para registrar o canto dos pássaros.

Com a ajuda do farmacêutico Joaquim Correa de Mello, Florence conseguiu, em 1833, fixar em papel a imagem captada por uma câmara escura, por meio de sais de prata. Um processo próximo àquele que, sem seu conhecimento, era pesquisado na França havia alguns anos por Joseph Nicéphore Niépce e por seu sócio e sucessor, Louis Daguerre, e também por William Henri Fox Talbot na Inglaterra. Segundo o historiador da fotografia Boris Kossoy, cuja pesquisa pioneira foi publicada em 1980 no livro 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil, Hercule Florence usou em seus diários a palavra photographieem 1834, quatro anos antes de o químico inglês John Hershel cunhar o termo photography.

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