Sobre Martín Chambi

Depois de trabalhar como aprendiz de Max T. Vargas durante nove anos, Chambi montou o próprio estúdio em Sicuani. Seus primeiros cartões-postais foram publicados nesse mesmo ano, 1917. Em 1923, abriu em Cuzco um novo estúdio, fotografando tanto os compatriotas indígenas quanto as figuras importantes da sociedade.

A partir daí, fez frequentes viagens pelos Andes, onde capturou imagens impressionantes de ruínas incas, bem como a cor local das paisagens desoladas e seus habitantes. Ele conseguiu mesclar a tradição europeia, próxima da pintura, com os retratos em estúdio.

Em suas fotografias de viagem, Chambi lançou um olhar antropológico e simultaneamente terno sobre o lado mais esquecido do país – aquele habitado pelos povos de origem pré-colombiana. O uso da luz natural e seu sentido de composição engrandecem as imagens e os personagens retratados. O olhar do fotógrafo tem uma espécie de frescor pós-colonial, que impõe profundidade, magia e personalidade aos retratos de pessoas, paisagens e monumentos arqueológicos imersos na vastidão solitária dos Andes. “A magia de Chambi pulsa em suas fotografias”, escreveu Mario Vargas Llosa. “A magia que o distingue de todos os fotógrafos com quem os críticos o tentam comparar, desde August Sander a Nadar, passando por Edward Weston, Ansel Adams, Irving Penn ou ainda Abraham Guillen”. Chambi se transformou no fotógrafo símbolo do povo de língua quechua, dando voz à estranha melancolia do homem andino. “Meu povo fala através das minhas fotografias”, escreveu para uma exposição em Santiago e Viña del Mar, no Chile, em 1936.

Muitas das fotografias de Chambi permaneceram desconhecidas até sua morte, em 1973. Algumas delas ainda esperam pesquisas mais aprofundadas para virem à luz. Mas o material conhecido integra parte importante do imaginário sul-americano, como documentos poéticos, misteriosos e incisivos de um mundo desaparecido.

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