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Sobre Millôr Fernandes

No início de 2013, um ano após sua morte, a extensa obra gráfica de Millôr foi incorporada ao acervo do IMS, por meio de um contrato de comodato. O levantamento inicial de suas obras foi realizado em seu estúdio, localizado em uma cobertura, em Ipanema. Ao chegarmos lá, o espaço ainda estava profundamente marcado por sua presença, os móveis e objetos permaneciam intactos e, ao vê-los, era possível imaginar a rotina do autor. A mesa de madeira onde desenhava, cheia de porta-lápis cuidadosamente separados em dégradé, o móvel com seus guaches e aquarelas, sua enorme biblioteca, com uma seção destinada exclusivamente a dicionários e a poltrona amarela em que se sentava para conversar com amigos e dar entrevistas, um dos poucos móveis, por sinal, que não era vermelho, como quase todo o ambiente. As mapotecas, os arquivos, os sofás e as persianas, tudo era vermelho escarlate.

Seus desenhos estavam guardados em duas mapotecas e vieram integralmente para o IMS, contabilizando 7.500 obras. Além desses desenhos soltos, vieram outros 50 que estavam emoldurados, pendurados entre as paredes do estúdio e as de sua residência, também em Ipanema. Esse conjunto reúne a produção gráfica de Millôr, publicada ao longo de sua longa carreira na imprensa. O material está em processo de pesquisa e catalogação, mas já é possível identificar desenhos de diferentes etapas, feitos para inúmeros veículos de comunicação.

Millôr era um homem organizado e metódico, guardava grande parte de seus desenhos originais em volumes encadernados e reuniu toda sua produção publicada em jornais e revistas. Cada coluna, ou seção, era cuidadosamente destacada e guardada. Ao completar um ano, mandava encadernar o conjunto em volumes que recebiam o título e ano do periódico. Esse precioso trabalho permite o cotejamento entre o desenho original (quando existente) e a página impressa, permitindo-se que se estabeleça, com precisão, a data em que foi feito.

Também passou a ser guardado pelo IMS o arquivo pessoal de Millôr. Provavelmente usado pelo autor como material de pesquisa, ele o mantinha em pastas suspensas arquivadas em ordem alfabética. O autor nomeava cada pasta com temas que variam entre personalidades, como “Chico Buarque” e “Jaguar”, ou assuntos, como “racismo”, “casamento”, “suicídio”. Dentro delas, encontramos pequenos textos, recortes de jornais e revistas, cartas e documentos. O material também está sendo catalogado pelo IMS.

Atualmente, a equipe de iconografia brasileira, apoiada pelo consultor Cássio Loredano, dedica-se à pesquisa, à catalogação e à conservação do acervo. Em 2014, foi publicado 100 + 100 – Desenhos e frases, primeiro livro dedicado a Millôr feito pelo IMS. Em 2016, o instituto organizou Millôr: obra gráfica, primeira retrospectiva dedicada aos desenhos do humorista, dramaturgo e tradutor, composta por 500 originais, dos autorretratos à imensa e importante produção do “Pif-Paf”, seção que manteve na revista O Cruzeiro entre 1945 e 1963.

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