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Sobre Paul Harro-Harring

Pintor, poeta, escritor e político com ideais revolucionários, Paul Harro-Harring estava com 41 anos quando veio ao Brasil como enviado especial do semanário abolicionista inglês The African Colonizer, para observar e relatar a condição dos escravos. O jornal durou apenas um ano e publicou uma única aquarela da série, em 16 de janeiro de 1841 – La negresse accusée de vol (A negra acusada de roubo). A imagem foi acompanhada de um depoimento, recuperado pelo Instituto Moreira Salles nos arquivos da British Library, em Londres, em 1996. Texto e imagem não deixam dúvidas de que o contato do artista com a escravidão o marcou profundamente.

“Voltei para o meu lar europeu e a minha solidão, tão logo os negócios que me levaram ao Rio de Janeiro o permitiram, mas ainda refletindo sobre o ocorrido. (…) Não conseguia retomar meus afazeres normais. Era como se a mão de um pintor se visse impedida de trabalhar, em virtude de suas amargas lembranças. O duro destino do povo negro, eternamente exposto ao extremo insulto e à baixeza dos brancos, me perseguia.”

Embora contenham cenas do cotidiano nas ruas, indumentárias e paisagens, a maior parte das imagens registradas por Harro-Harring tem forte tom de denúncia dos maus-tratos dos escravizados e da exploração no trabalho. Apesar da indignação, criou um forte vínculo com o Brasil e retornou em duas outras ocasiões: em 1842, por 15 meses, quando se encantou pelas rebeliões contra a monarquia; e entre 1854 e 1855, possivelmente como refugiado político, como evidencia a correspondência remetida à família do fotógrafo suíço radicado no Rio de Janeiro George Leuzinger.

O jovem formado em pintura na Academia de Belas-Artes de Dresden provou ser multitalentoso, mas, acima de tudo, um libertário que se entregou às artes e à política com paixão, inquietação e romantismo. Aderiu a várias rebeliões da sua época – na Grécia, na Rússia, na Alemanha, na França –, viajou por diferentes continentes, fundou mais de um jornal revolucionário, pintou prolificamente e escreveu muitos livros, entre eles aquele que é considerado seu melhor romance, Dolores – ein Charaktergemaelde aus Suedamerika (Dolores – Um perfil típico da América do Sul). Atormentado por problemas mentais e mania de perseguição, Paul Harro-Harring suicidou-se bebendo um chá em que havia triturado cabeças de fósforos, na ilha inglesa de Jersey, no dia 25 de maio de 1870.

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