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Sobre Rachel de Queiroz

Filiada ao Partido Comunista do Brasil, não demorou a se desencantar com a organização, que censurou os originais de seu segundo romance, João Miguel, em 1932. Sem hesitar, desligou-se do partido e publicou o livro no mesmo ano. A partir daí, integrou o corpo de escritores editados pela famosa José Olympio, casa editorial que publicaria outros romances seus, como Caminho de pedras, em 1937, e As três Marias, em 1939, ano em que se mudou para o Rio de Janeiro.

Depois de um casamento de sete anos (1931-1939) com o poeta bissexto José Auto da Cruz Oliveira, Rachel de Queiroz conheceu, em 1940, o médico Oyama de Macedo. O encontro resultou em uma união amorosa feliz que durou até a morte dele, em 1982. Durante todo esse período, a escritora sobressaiu não só pelas opiniões que manifestou em suas crônicas, algumas delas polêmicas, como também desempenhou funções importantes em órgãos igualmente importantes, entre os quais o Conselho Federal de Cultura, onde esteve ao lado de Guimarães Rosa.

Sua intensa colaboração como cronista no Correio da ManhãO Jornal e Diário da Tarde, do Rio de Janeiro, não suplantou a fama que lhe garantiu a “Última página”, na revista O Cruzeiro, crônica semanal na qual escreveu durante 30 anos, de 1945 a 1975. São quase 3 mil textos, muitos reunidas em livros, o que talvez justifique declarações como esta: “Eu não sou uma romancista nata. Os meus romances é que foram maneiras de eu exercitar meu ofício, o jornalismo”. A despeito disso, ela publicaria outros romances, livros infantis e duas peças de teatro: Lampião, em 1953, e A beata Maria do Egito, em 1957. Sertaneja que carregava dentro de si a lendária fazenda “Não me deixes”, terra que herdou do pai no mesmo sertão de Quixadá e a que voltava regularmente, fixou residência no Rio de Janeiro em 1945. Ao tomar posse na cadeira de número 5 da Academia Brasileira de Letras, em 1977, tornou-se a primeira mulher a entrar para aquela instituição. Com obra traduzida para várias línguas e, ela mesma, tradutora de clássicos da literatura universal para o português, acumulou prêmios prestigiosos ao longo da bem-sucedida carreira literária que culminou com o lançamento, em 1992, do romance Memorial de Maria Moura, adaptado para minissérie da Rede Globo de Televisão dois anos depois.

Rachel de Queiroz faleceu em 4 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro.

 

No IMS

O Arquivo Rachel de Queiroz chegou ao Instituto Moreira Salles em 2006. Contém produção intelectual, correspondência, documentos pessoais, entre os quais livro de genealogia da família Queiroz, contratos editoriais, agendas com fartas informações sobre o cotidiano da escritora, recortes de jornais e de revistas com crônicas de sua autoria, fotografias, desenhos, gravuras e documentos audiovisuais. O arquivo conta ainda com a máquina de escrever da escritora.

Em setembro de 1997, o Instituto Moreira Salles homenageou Rachel de Queiroz com o n. 4 dos Cadernos de Literatura Brasileira. Por ocasião do centenário de nascimento da escritora, em 2010, o IMS promoveu uma leitura dramática de A beata Maria do Egito, com direção de Aderbal Freire Filho, a exposição Rachel de Queiroz centenária, que teve curadoria do consultor de literatura do IMS Eucanaã Ferraz, e lançou Mandacaru, projeto de juventude da autora composto de dez poemas manuscritos, até então inéditos em livro.

Em janeiro de 2017, a biblioteca de Rachel de Queiroz, que tinha chegado ao IMS com o arquivo, composta 3.542 itens, foi transferida para a Universidade de Fortaleza (Unifor) por meio de convênio entre o Instituto Moreira Salles e aquela instituição. O arquivo da escritora cearense permanece no Instituto Moreira Salles.