Sobre Vincenzo Pastore

O olhar diletante com que circulou pelas ruas de São Paulo no início do século XX levou-o a desenvolver um valioso painel documental de tipos e costumes das ruas de uma cidade ainda pacata que pouco tempo depois seria desfigurada pelo desenvolvimento econômico, com flagrantes de personagens marginais e trabalhadores de rua como jornaleiros, feirantes e engraxates. 

O trabalho de Pastore nas ruas e calçadas de São Paulo com uma câmera de pequeno formato confere às imagens uma nova estética, radicalmente distinta das imagens de cena de rua produzidas ao longo do século XIX, sempre produzidas em câmeras de grande formato sobre tripés. As imagens de Pastore, ao contrário, traduzem a nova linguagem do instantâneo produzida pelas emulsões fotográficas de maior sensibilidade à luz, que libertaram as câmeras fotográficas dos tripés e permitiram também a simultânea diminuição no tamanho dos aparelhos fotográficos, possível em função dos papéis fotográficos mais sensíveis que possibilitavam a ampliação dos negativos de menor formato em laboratório por meio do emprego de fontes de luz artificial. Inaugurava-se assim a nova linguagem da fotografia do século XX, e Pastore foi um dos seus pioneiros com as imagens que produziu nas ruas de São Paulo. Em ampliações produzidas pela própria mulher do fotógrafo, que o ajudava no estúdio, e acondicionadas por décadas em uma caixa de charutos, sem negativos, o conjunto era um segredo de família que só chegou ao conhecimento do público em 1997, ao ser herdado por seu neto, o pianista Flávio Varani, que o doou ao IMS. 

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