A iconografia no IMS

Julia Kovensky
Coordenadora de iconografia

A área de iconografia do Instituto Moreira Salles se dedica à pesquisa e à conservação de desenhos, gravuras e arquivos pessoais de artistas gráficos.

Sua criação se deu em 2008, quando o IMS adquiriu a Coleção Martha e Erico Stickel, uma Brasiliana composta por cerca de 1.500 obras realizadas, em sua maioria, por artistas viajantes que retrataram o Brasil ao longo do século XIX. Dos mais de 200 autores, entre pintores, desenhistas, gravadores e editores, encontram-se nomes caros a estudiosos da iconografia nacional, como Rugendas, Debret, Briggs, Cicéri, Martinet, Von Martius, entre outros, e autores pouquíssimo conhecidos, como Marguerite Tollemache e Franz Joseph Frühbeck, que permitem ampliar os estudos sobre o período.

A essa coleção, somaram-se outras, que já vinham sendo adquiridas, desde a década de 1960, pelo embaixador Walther Moreira Salles, de registros iconográficos do Brasil do século XVII ao XIX. Entre elas, aquarelas de Franz Keller, as 24 aguadas do pintor e militante dinamarquês Harro-Harring e os preciosos desenhos do inglês Charles Landseer, adquiridos em 1999. Suas obras, acrescidas de alguns desenhos atribuídos aos pintores ingleses William John Burchell e Henry Chamberlain, compõem o Highcliffe Album, um conjunto de desenhos e aquarelas que representa com esmero as paisagens, a arquitetura e os costumes do Brasil imperial.

Hoje essas coleções encontram-se integralmente digitalizadas e disponíveis para consulta no site do IMS. São aproximadamente duas mil imagens, entre desenhos e aquarelas, gravuras avulsas, livros de viajantes, álbuns de suvenir e mapas, que tiveram um papel importante na divulgação da então jovem nação brasileira no cenário mundial.

Em 2013, recebemos por meio de um contrato de comodato o acervo de Millôr Fernandes e, com ele, expandimos o trabalho para acervos do século XX. De grandes proporções, a obra gráfica de Millôr conta com mais de seis mil desenhos originais, um conjunto de volumes encadernados com toda sua produção em jornais e revistas e seu arquivo pessoal.

A chegada desse acervo ampliou a atuação do setor de iconografia. Passamos a contar com novos colaboradores, e abriu-se caminho para a incorporação de outros conjuntos, como os desenhos do cineasta Glauber Rocha e o acervo do grande desenhista do início do século XX J. Carlos, responsável pelas ilustrações das principais publicações brasileiras das décadas de 1920, 1930 e 1940.

Ao reunir essas coleções, o acervo de iconografia traça um panorama sobre a história das artes gráficas no Brasil, partindo do início do século XIX, com a chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro e o nascimento das primeiras casas impressoras, passando pelos desenhos de Araújo Porto-Alegre, considerado o primeiro caricaturista brasileiro, e percorrendo o século XX, com as ilustrações de J. Carlos, na primeira metade do século, e a obra de Millôr Fernandes, na segunda. Este acervo contribui, assim, para a construção da história da imagem impressa no Brasil.

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