Ícone da modernidade

O projeto da casa do alto da Gávea concebido no final dos anos 1940 para ser Residência dos Moreira Salles e que hoje serve de sede ao instituto mantido pela família leva a assinatura de um dos maiores ícones da arquitetura moderna brasileira: Olavo Redig de Campos, responsável também pelo desenho original do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ).

Redig manteve farta correspondência com Walter Moreira Salles durante os três anos de realização do projeto encomendado pelo banqueiro e embaixador. O acervo do arquiteto – ainda em fase de catalogação – também encontra-se sob a guarda do IMS, onde chegou em duas etapas: a primeira em 1997 e a segunda em 2006. Reúne uma produção intelectual contendo 50 documentos, um conjunto de 50 correspondências, 40 fotografias, 80 slides relativos à inauguração do Monumento no Cemitério de Pistoia, na Itália (onde estão enterrados 499 soldados brasileiros mortos em ação durante a Segunda Guerra Mundial), 340 documentos cartográficos, entre os quais projetos de plantas e fachadas, desenhos originais apresentados na defesa de tese do arquiteto na Universidade de Roma, em 1930, além de plantas e croquis do mausoléu da Academia Brasileira de Letras e das embaixadas brasileiras em Buenos Aires, Dakar e Beirute.

Olavo Redig de Campos / Acervo IMS

Filho do diplomata Deoclécio de Campos e de Zulima Redig de Campos, Olavo nasceu em 22 de maio de 1906 no Rio de Janeiro, mas viveu toda a infância na Europa. Seu retorno ao Brasil, em 1931, coincidiu com o advento da arquitetura moderna no país. Em 1939, Olavo Redig de Campos casou-se com Maria Letícia de Salles, com quem teve oito filhos. No mesmo ano, assumiu a chefia da Carteira Predial da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Central do Brasil, para a qual construiria conjuntos residenciais no subúrbio da cidade. Como consultor técnico do Serviço de Conservação do Patrimônio do Itamaraty, cargo que ocupou a partir de 1946, colaborou em projetos importantes da arquitetura moderna do país.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o governo brasileiro precisou construir sedes de embaixadas, residências e consulados no exterior. Para isso, contou com Olavo Redig de Campos, que já integrava o quadro do Ministério das Relações Exteriores e seria responsável por grande parte desses trabalhos. Deve-se ao arquiteto brasileiro a restauração geral do Palazzo Doria Pamphilj, em 1964, sede da embaixada brasileira em Roma desde 1920.

A maquete da casa que desde 1999 serve de sede ao Instituto Moreira Salles esteve até 2017 em exposição para o público na Sala dos Azulejos. Ela foi reformada  em 2014 por ocasião da mostra de Richard Serra, que  devolveu ao prédio muito de sua configuração original, sem os painéis de gesso instalados nos espaços expositivos. O vídeo nesta página mostra a maquete em detalhes, mas nela não estão novidades que surgiram de 1999 para cá, como o prédio da RTA (Reserva Técnica de Acervos).


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