BIBLIOTECA DE FOTOGRAFIA

Miguel Del Castillo
Curador da Biblioteca de Fotografia

A Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista é uma iniciativa única no Brasil. Com capacidade para abrigar 30 mil itens, visa a incentivar a pesquisa no campo fotográfico e a colaborar para a compreensão da fotografia nos seus mais diversos modos de expressão.

O acervo bibliográfico é composto por publicações de e sobre fotografia, contemplando também seus desdobramentos em áreas como cinema, moda, artes visuais, ciências humanas e cultura geral. Com ênfase na produção brasileira, mas sem perder de vista a internacional, abrange desde livros, catálogos e revistas de importância histórica até fotolivros e zines recém-saídos das gráficas, e outros materiais, como folhetos de exposições e recursos multimídia.

Além do catálogo de obras gerais, selecionadas pela curadoria por meio de aquisições ou doações, a Biblioteca também conta com coleções especiais. Essas são, em sua maioria, bibliotecas de importantes nomes do meio fotográfico – como Stefania Bril, Thomaz Farkas, Iatã Cannabrava e Steidl –, que agora se reúnem e traçam, de certa maneira, uma história da publicação fotográfica e de sua circulação.

 

Coleções especiais

O acervo de coleções especiais tem início quando, anos após receber o conjunto fotográfico de Stefania Bril (1922-1992), o IMS incorpora sua biblioteca pessoal. São mais de mil títulos daquela que foi uma das primeiras críticas de fotografia do Brasil, que evidenciam seu importante papel de articuladora do circuito fotográfico no país, com um olhar em sintonia com a produção internacional de seu tempo.

A ela, soma-se parte da biblioteca de Thomaz Farkas (1924-2011), pioneiro de nosso modernismo, cujas imagens estão igualmente no acervo fotográfico do IMS. Entre os destaques, alguns dos periódicos de fotografia mais importantes que circularam no país, e mais: os 135 números da revista Novidades Fotoptica, dirigida por Farkas e de grande repercussão nacional nas décadas de 1970 e 1980, que serão digitalizados e disponibilizados para pesquisa virtual; os 100 primeiros boletins do Foto Cine Clube Bandeirante, que Farkas integrava; folhetos de exposições visitadas pelo fotógrafo; e materiais de sua loja Fotoptica, como calendários e o jornal interno de funcionários. No total, são quase dois mil itens.

Em seara semelhante, a coleção Fotoplus, resultado do trabalho de três décadas do pesquisador Ricardo Mendes e generosamente doada ao IMS, tem como destaque o grande conjunto de folheteria (convites, cartazes, folhetos, catálogos etc.) de exposições brasileiras e internacionais realizadas no Brasil, sobretudo no período de 1985 a 2017, além de quase três mil livros e muitas revistas. Trata-se de uma referência densa e articulada para o estudo do panorama fotográfico no país e de sua difusão.

Em outro capítulo da história dos periódicos de fotografia, a coleção da revista Iris Foto, publicada entre 1947 e 1999 – e, por isso, talvez a mais longeva de que se tem notícia por aqui –, também integra o acervo e fará parte do programa de digitalização. No início, sua linha editorial baseava-se no desejo de promover uma educação do olhar para a fotografia, além de oferecer uma atualização profissional e técnica aos interessados. A partir da década de 1970, passou a dedicar mais espaço aos ensaios fotográficos e portfólios.

Avançando para o contemporâneo, a coleção do fotógrafo e realizador cultural Iatã Cannabrava é um bom ponto de partida para um estudo do fenômeno dos fotolivros: dos mais recentes, exibidos em festivais no Brasil e no mundo pelos quais passou, até clássicos nacionais e internacionais, com especial destaque para os latino-americanos e orientais. A estes, somam-se catálogos, livros retrospectivos, revistas e folhetos, que totalizam mais de quatro mil itens.

A pequena e preciosa coleção da fotógrafa Vania Toledo exibe uma amostra de livros que marcaram sua trajetória e formaram seu olhar de retratista. De teor similar, a coleção do fotógrafo Paulo Leite espelha sua produção, com um pé na fotografia autoral e outro no fotojornalismo, e possui quase mil publicações, incluindo importantes revistas nacionais e estrangeiras.

Completa o acervo, por ora, a coleção Steidl. Responsável em grande parte pelo salto qualitativo nas publicações de fotografia dos anos 1990 em diante, o alemão Gerhard Steidl doou um conjunto completo dos livros visuais produzidos pela prestigiosa editora que leva seu sobrenome, conhecida por seu primor gráfico e por realizar seus livros em grande proximidade com os artistas. Trata-se da primeira Biblioteca Steidl instalada no mundo: dos lançamentos iniciais de 1994 até os mais recentes, são cerca de 1.200 títulos – número logo defasado, pois novas safras de livros são anualmente acrescidas à coleção.

Com este acervo bibliográfico, o Instituto Moreira Salles se reafirma como referência na área da fotografia, em nível nacional e internacional.