J. Carlos: originais


Apresentação

Os desenhos foram selecionados entre os cerca de mil itens originais que integram a coleção Eduardo Augusto de Brito e Cunha, sob a guarda do IMS desde 2015. O acervo reunido pelo filho do artista também inclui coleções encadernadas das publicações em que J. Carlos atuou, como Careta, Para Todos, Fon-Fon e Almanaque Tico-Tico. Ao privilegiar os originais, muitas vezes anotados, a mostra pretende não apenas dar conta de alguns dos temas mais recorrentes do artista, mas também mostrar o caminho das ilustrações da prancheta para as páginas. Um percurso que fica claro quando se vê lado a lado o original e a página da revista.

A primeira seção é dedicada ao J. Carlos artesão: nela estão letras, vinhetas, rascunhos, logotipos – uma espécie de visita aos bastidores dos desenhos que viriam em seguida. O Brasil é o centro do segundo núcleo temático, com a crônica da política, sobretudo dos governos Dutra e Vargas, e dos costumes do Rio de Janeiro, do carnaval, das melindrosas e do povo sempre sofrido.

Outra série de desenhos é uma verdadeira aula de história, com momentos importantes da Segunda Guerra Mundial interpretados por desenhos que vão do humor puro simples a impressionantes alegorias em defesa da liberdade. O segmento final mostra um J. Carlos pouco conhecido, desenhando para crianças em histórias em quadrinhos no Tico-Tico ou como autor de Minha babá, livro infantil que hoje é raridade.

Desenho de J. Carlos. Coleção Eduardo Augusto de Brito e Cunha / Acervo IMS

 

J. Carlos foi um dos primeiros representantes do modernismo no Brasil, com a leitura – direta ou indireta – que fez do art nouveau e da art déco a partir da década de 1910. Isso pode ser percebido nos desenhos que fez de arranha-céus e seus interiores, nas roupas e nos corpos de suas melindrosas e afrodites, desenvolvendo um estilo completamente seu, inconfundível e inimitável.

Aos 18 anos, publicou seu primeiro desenho, um retrato de Campos Sales, presidente da República de 1898 a 1902, e não largou mais a imprensa. Com a imagem chegando, nesse início do século XX, em pé de igualdade com a palavra, as redações e a publicidade precisavam recorrer ao desenho para vender seus produtos e valorizar o que era noticiado. Tudo tinha que ser desenhado, já que a fotografia ainda era um processo laborioso e caro, e sua reprodução impressa ainda era quase exclusivamente em preto e branco.