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Marc Ferrez: Território e imagem


SOBRE A EXPOSIÇÃO

Mais conhecido por suas imagens icônicas da cidade do Rio de Janeiro, Marc Ferrez foi também o primeiro fotógrafo a documentar extensivamente o território brasileiro, primeiramente como fotógrafo da Comissão Geológica do Império do Brasil (1875-1878), percorrendo os estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, incluindo diversos trechos do Rio São Francisco e, posteriormente, como fotógrafo da construção e modernização das principais ferrovias do país, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Fotografou o trabalho escravo em diversas fazendas de café no vale do Paraíba, nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e realizou trabalhos comissionados em associação com as atividades de pesquisa e mineração no estado de Minas Gerais e com a Escola de Minas de Ouro Preto, incluindo as primeiras fotografias realizadas com luz de magnésio no interior das minas de ouro de Morro Velho em Minas Gerais.

Permanentemente associado ao campo da engenharia e da ciência, e em constante interação com os principais nomes de seu tempo nestas áreas, Marc Ferrez documentou grandes projetos de engenharia do Império e da República, como a construção da estrada de Ferro Curitiba Paranágua, importante obra realizada em 1883 pelo engenheiro Francisco Pereira Passos, que vinte anos depois também estaria à frente das obras de construção da Avenida Central no Rio de Janeiro, onde Ferrez atuou como fotógrafo oficial da Comissão Construtora da avenida.

Estes diversos trabalhos comissionados o colocaram na fronteira da inovação tecnológica em seu tempo, tendo buscado também permanentemente expandir as fronteiras de sua própria fotografia e produção de imagens, através, por exemplo, do emprego e adaptação de câmeras panorâmicas de varredura, câmeras especiais para registros de navios e embarcações e novos processos, como a platinotipia, as chapas de gelatina e prata e os processos coloridos, como o autocromo.

Colaborou com os diretores do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, Luis Cruls e Henrique Morize, em projetos ligados à aplicação da fotografia na astronomia e em outros campos da ciência. Com Morize, pioneiro da realização de fotografias por Raio-X no Brasil, manteve intensa troca de correspondências em torno de temas associados aos diversos campos de desenvolvimento da fotografia científica e da ciência fotográfica. Em 1912 participou presencialmente em Passa Quatro em Minas Gerais e em 1919 acompanhou à distância em Sobral no Ceará os trabalhos de registro fotográfico dos eclipses solares que levaram à comprovação definitiva da teoria da relatividade de Albert Einstein, a partir das imagens obtidas com sucesso em Sobral pelas equipes de astrônomos ingleses e brasileiros,esta última liderada por Henrique Morize.

A partir da sociedade formada com seus filhos em 1907, Marc Ferrez investiu na expansão de suas atividades nas áreas de comercialização de equipamentos e produtos fotográficos e cinematográficos, na produção e comercialização de impressões fotomecânicas, na distribuição de novos produtos para o mercado amador, como os autocromos e estereoscopias, e, especialmente, na distribuição e exibição de filmes cinematográficos, sendo estes os principais campos que viriam a consolidar, a partir do início do século XX, a era da comunicação visual de massa baseada na circulação intensiva da imagem fotográfica e cinematográfica, profissional e amadora, processo este somente possível pelos avanços tecnológicos originados na intersecção da ciência com a técnica e pela intensa atividade de comercialização de processos e produtos, que no Brasil teve em Marc Ferrez seu principal ator e agente. A carreira fotográfica de Marc Ferrez percorre, assim, mais de cinco décadas de profundas transformações no campo da imagem, e, nesse sentido, sua trajetória e seu legado constituem, sem dúvida, uma plataforma única para a compreensão do país e de sua representação ao longo do século XIX e primeiras décadas do século XX.


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