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Richard Serra: desenhos na casa da Gávea


Mais sobre a exposição

A exposição Richard Serra: desenhos na casa da Gávea reuniu 96 obras selecionadas pelo próprio artista. A mostra foi especialmente concebida para o centro cultural do IMS no Rio de Janeiro, a antiga residência do embaixador Walther Moreira Salles (1912-2001), patrono e criador da instituição. Para instalar seus desenhos no local, o artista solicitou a remoção de algumas paredes falsas, construídas sobre as paredes de vidro do projeto original para que o espaço abrigasse exposições. Os desenhos foram escolhidos a partir da escala da casa, “um espaço doméstico”, segundo Serra. Os trabalhos dialogaram diretamente com o projeto modernista criado pelo arquiteto Olavo Redig Campos em 1948. A construção é caracterizada pela transparência, que permite a interação dos interiores com os jardins de autoria de Roberto Burle Marx.

Embora Richard Serra seja mais conhecido por suas obras site-specific e por esculturas de grande escala feitas com placas de aço retorcido, o desenho tem sido igualmente importante para ele. No Brasil, o artista apresentou a série de importância histórica Drawings after Circuit (1972), feita a partir da famosa escultura Circuit, formada por quatro placas apoiadas e saindo dos cantos de uma sala da Documenta de Kassel, em 1972. Serra explica sobre os desenhos: “Registram o que eu vi enquanto me movimentei 360 graus pela sala... Os desenhos são um diagrama da abertura e do fechamento das placas enquanto se caminha entre elas”.

Além de Drawings after Circuit, a maioria dos cadernos de anotações expostos na antiga biblioteca da casa mostrou esboços feitos durante ou logo depois da instalação de esculturas. O artista nunca faz desenhos preparatórios para uma escultura e considera o ato de desenhar uma atividade totalmente independente do seu trabalho tridimensional.

Foram apresentados também desenhos feitos com diferentes materiais e técnicas, incluindo a recente série Courtauld Transparencies, apresentada pela primeira vez em 2013 na Courtauld Gallery, em Londres. Serra descreve o processo: “Ocorreu-me que, se eu cobrisse duas folhas de Mylar com crayon derretido e ensanduichasse uma folha limpa no meio, eu poderia capturar minhas marcas dos dois lados da folha limpa”.

Para Richard Serra, o desenho sempre foi, antes de tudo, um meio de experimentação privilegiado: “Tenho trabalhado com diversos materiais e em diversas superfícies, mas um princípio básico nunca se altera: o processo sempre é mais importante do que o resultado”.

A exposição foi acompanhada pelo lançamento de um catálogo e do livro Escritos e entrevistas, 1967-2013, de Richard Serra, editado pelo Instituto Moreira Salles. O conjunto de textos, em sua maioria inéditos em português, dá ao leitor um panorama das preocupações do artista e do desenvolvimento do seu trabalho nos últimos 40 anos.


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