Richard Serra: desenhos na casa da Gávea


Apresentação de Heloisa Espada

Curadora da exposição

Richard Serra (São Francisco, EUA, 1938) começou a desenhar bem antes de se tornar um escultor. Em 1964, após quatro meses de visitas constantes ao ateliê de Constantin Brancusi, em Paris, ele passou a se interessar em como um artista pode desenhar no espaço com obras tridimensionais. Desde então, trabalhando em ambas as técnicas, Serra se tornou um dos nomes mais influentes da arte contemporânea, sobretudo pela maneira como suas obras incluem, problematizam e moldam os contextos em que são instaladas.

Richard Serra: desenhos na casa da Gávea reúne 96 obras escolhidas pelo próprio artista para ocupar as salas do Instituto Moreira Salles. Atento sobretudo às características físicas do lugar, sua primeira atitude foi solicitar a remoção da maior parte das paredes falsas instaladas para que a antiga residência da família Moreira Salles se tornasse um espaço de exposições. A ação devolveu à casa a transparência e a fluidez que caracterizavam o projeto original desenvolvido pelo arquiteto Olavo Redig de Campos em 1949. Os trabalhos foram escolhidos a partir da escala das salas, em contraste ou em consonância com a leveza e a luminosidade dos ambientes.

Para Richard Serra, o desenho é um terreno privilegiado para a experimentação, no qual “o processo sempre é mais importante do que o resultado.” A exposição reúne obras realizadas com diferentes materiais e técnicas. Algumas delas fazem da observação uma experiência corporal, enquanto outras propõem a ideia de fluxo e deslocamento, peso e materialidade. Estão presentes também diversos estudos feitos antes e após a realização de esculturas. Esses, segundo o artista, são “uma tentativa de abordar e definir o que surpreende em uma escultura, aquilo que eu não conseguia entender antes de a obra ser construída”.

O Instituto Moreira Salles sente-se honrado em apresentar um dos artistas mais importantes do século XX, cedendo seus espaços para uma intervenção única, capaz de renovar o olhar do público sobre a arquitetura e da própria instituição sobre si mesma.


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