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Arquivo Peter Scheier


O CRUZEIRO

O trabalho na revista O Cruzeiro, entre 1945 e 1951, foi decisivo na formação profissional de Peter Scheier. Durante esse período, ele trabalhou junto ao fotojornalista francês Jean Manzon, o responsável pela reforma editorial que abriu amplo espaço para a fotografia na revista a partir de 1943. Ao imigrar para o Rio de Janeiro, em 1940, com ótima formação técnica, Manzon trouxe consigo a experiência como fotojornalista nas revistas francesas Paris-Soir, Match e Vu. Sobretudo a Match era famosa pela abordagem sensacionalista, por meio de cenas inusitadas e impactantes, quase sempre montadas pelos próprios fotógrafos, muitas vezes ultrapassando os limites entre ficção e notícia.

A partir de 1943, O Cruzeiro aderiu ao modelo de revistas ilustradas internacionais, com destaque para a fotorreportagem, a exemplo do que era feito na Match, na Vu e na norte-americana Life. Nesse ambiente, Scheier assimilou uma linguagem fotográfica de teor narrativo, bem como um repertório de soluções formais modernas, como closes, diagonais, ângulos de cima e de baixo. Assim como Manzon, Scheier trabalhava com retratos encenados e usava a luz do flash de forma dramática, muitas vezes criando uma retórica visual teatralizada.

No pós-guerra, O Cruzeiro se tornou a revista mais lida do país, chegando a uma tiragem semanal de 630 mil exemplares. O sucesso coincidiu com o período de formação da cultura de massa no Brasil, a industrialização do jornalismo e sua crescente dependência financeira da publicidade. A revista desbravou o território nacional e colocou em pauta realidades até então desconhecidas. No entanto, embora fosse consumida por todas as classes sociais, O Cruzeiro tinha a classe média urbana e branca como o “padrão de normalidade”, e tudo que se diferenciava desse modelo era tratado como “desvio”. Isso resultou em reportagens sensacionalistas que trataram indígenas, afrodescendentes, portadores de deficiências e o sincretismo cultural e religioso de forma pejorativa e preconceituosa.

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