Robert Frank e os beats: diálogos

Curso

4 aulas com Patrícia Mourão, Cadão Volpato, Lorenzo Mammì e Tiago Mesquita

Quando

19 e 26 de outubro e 9 e 16 de novembro. Quintas, das 19h às 21h

Inscrição

Até o dia do primeiro encontro
R$200

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424
Bela Vista - São Paulo/SP
CEP 01310-300


Sobre o curso

Por ocasião da exposição Robert Frank: os americanos + Os livros e os filmes, este curso lança um olhar para a maneira como a produção do fotógrafo e cineasta dialoga com a geração beat no cinema, na literatura, na arte e na música. Do pop de Andy Warhol às improvisações do jazz e às letras de Bob Dylan, do cinema experimental americano à escrita caudalosa de Kerouac e seus comparsas nos Estados Unidos das décadas de 1950 e 1960, um percurso pelas influências, conversas e legados de Robert Frank.

Cadão Volpato é jornalista, escritor, músico e ilustrador. Foi vocalista da banda de rock Fellini e publicou, entre outros, o romance Pessoas que passam pelos sonhos. Coordena atualmente o Centro Cultural São Paulo.

Lorenzo Mammì é crítico de arte e de música e curador de Programação e Eventos do IMS. Professor de filosofia na USP, é autor dos livros O que resta: arte e crítica de arte e A fugitiva: ensaios sobre música.

Patrícia Mourão é doutora em cinema pela USP. Organizou mostras e livros dedicados ao cinema estrutural e a cineastas como Andrea Tonacci, Jonas Mekas, Naomi Kawase e Harun Farocki.

Tiago Mesquita é crítico de arte e professor de história da arte. Mestre em filosofia pela USP, organizou exposições como David Drew Zingg: imagem sobre imagem e O olhar do colecionador.

Só receberá certificado de participação o aluno que estiver presente em pelo menos 3 aulas do curso.


Inscrição

Até o dia do primeiro encontro; sujeito à lotação.

4 aulas, R$ 200


Programa

1) Cinema com Patrícia Mourão (19 de outubro)

Depois de publicar Os americanos, Robert Frank guarda temporariamente sua câmera fotográfica para começar um longo envolvimento com o cinema independente. Seu primeiro filme, Pull My Daisy, tem para o Novo Cinema Americano o mesmo impacto que seu livro seminal tem para a fotografia. Os mais de trinta filmes que realizou desde então permanecem, no entanto, bem menos conhecidos que sua produção fotográfica. Invalidando noções comuns como aparência e realidade, fato e fabulação e aparentando uma ilusória espontaneidade, esses filmes atravessam fronteiras e borram os limites entre o documentário, a ficção e a autobiografia. A reflexão sobre o fracasso fílmico e pessoal atravessa sua obra.

 

2) Literatura com Cadão Volpato (26 de outubro)

Robert Frank teve uma profunda ligação com os escritores da geração beat. Amigo de Allen Ginsberg e Jack Kerouac, dois pilares do movimento, Frank dirigiu um filme que reuniria diversos beats no elenco a partir de um texto muitas vezes cômico e surreal de Kerouac. O escritor fez o prefácio da primeira edição americana do livro Os americanos, de Frank, enquanto o fotógrafo ajudou a eternizar Kerouac, Ginsberg e amigos com seus retratos em preto e branco íntimos e reveladores.

 

3) Música com Lorenzo Mammì (9 de novembro)

Um dos primeiros críticos do movimento beat, Kenneth Rexroth, escreveu em 1957 que na porta de entrada do movimento estavam dois “delinquentes juvenis” já mortos: Dylan Thomas e Charlie Parker. Este último e a maioria dos jazzistas do novo estilo bebop foram fonte de inspiração para o escritores da geração beat, que chegaram a se apresentar junto com músicos dessa tendência e a definir seu estilo como “jazz language”. Por outro lado, se o novo jazz era essencialmente instrumental, a poesia beat influenciou novas formas de canção que estavam surgindo no cruzamento de blues, gospel e folk; Bob Dylan e Leonard Cohen estão entre os artistas que se beneficiaram dessas influências. Por fim, nos filmes de Robert Frank, a música exerce uma função central, muitas vezes com a participação dos próprios músicos (Larry Rivers, Dr. John e Tom Waits, entre outros).

 

4) Arte com Tiago Mesquita (16 de novembro)

Na década de 1950, a pintura abstrata norte-americana se consolida como uma grande vanguarda internacional. Em paralelo a esse processo de legitimação, outras discussões estéticas surgiam nos Estados Unidos. Alguns artistas retomavam e radicalizavam formulações estéticas do entreguerras, e a discussão sobre a cultura e a imagem do homem comum no país se tornam importantes na produção de imagens, como também mostra o trabalho de Robert Frank. Essas discussões serão relacionadas à emergência do trabalho de Jasper Johns e Andy Warhol.