Teorias clássicas da fotografia e suas revisões

Benjamin, Barthes, Flusser e Sontag

Curso

Com Ronaldo Entler
Parte de Sobre clássicos

Quando

5, 12, 19 e 26 de junho, quartas, das 19h às 21h

Inscrições

ESGOTADO (lista de espera disponível)

IMS Paulista

Sala de aula
Avenida Paulista, 2424
São Paulo/SP

O curso revisita quatro autores clássicos das teorias da fotografia, considerando modos e momentos distintos de sua recepção pelas pesquisas no campo. Além de relembrar suas contribuições, pretende-se colocá-los em diálogo com o pensamento de outros autores que afrontam, complementam ou ampliam a compreensão de seus conceitos-chave. Serão abordados o conceito de aparelho, cunhado por Vilém Flusser e que encontra na noção dispositivo ora um sinônimo, ora um contraponto; o punctum, proposto por Roland Barthes e posteriormente relido por Didi-Huberman como sintoma; a aura da obra de arte, cuja crise na modernidade é apontada por Walter Benjamin, mas que parece ressurgir na forma artificial do fetiche; e a ideia de mundo-imagem, lançada por Susan Sontag, que convida a tensionar de várias formas a relação entre representação e realidade.


Observação
: Um segundo módulo deste curso, que abordará autores contemporâneos, será oferecido no segundo semestre de 2019.

Os autores Walter Benjamin, Roland Barthes, Vilém Flusser e Susan Sontag.

Como participar

ESGOTADO (lista de espera disponível)
R$ 200, por 4 encontro
45 vagas

Estudantes, professores e maiores de 60 anos têm 50% de desconto em todos os cursos, mediante apresentação de documento comprobatório no dia do evento.

Só receberá certificado de participação o aluno que estiver presente em todos os encontros (a presença será computada em até 30 minutos depois do início da aula).


Sobre Ronaldo Entler

É pesquisador e crítico de fotografia, mestre em multimeios pelo IA-Unicamp, doutor em artes pela ECA-USP e pós-doutor pelo Decine-Unicamp. É professor da Faap, onde coordena a extensão e a pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Marketing. Edita o site Iconica e é colunista do site da revista ZUM.


Programa

1) Vilém Flusser: o aparelho e o dispositivo
Artistas e críticos têm recorrido ao conceito de dispositivo, algumas vezes como sinônimo, outras como algo vai além da noção flusseriana de aparelho. O atrito entre esses termos permite, de um lado, demarcar uma crítica ao filósofo tcheco naturalizado brasileiro Vilém Flusser, e, de outro, buscar na filosofia do aparelho uma discussão sobre a cultura que vai muito além das questões relativas à fotografia.

2) Roland Barthes: o punctum e o sintoma
Esse aspecto insolente da imagem que o crítico e semiólogo francês Roland Barthes chamou de punctum tornou-se algo muito desconfortável, num momento em que as teorias se esforçam em desvendar as gramáticas que regem a fotografia. Tomando emprestada da psicanálise o conceito de sintoma, Didi-Huberman recoloca a ideia do punctum, manifestando convergências e divergências com o pensamento de Barthes.

3) Walter Benjamin: a aura e o fetiche
O filósofo alemão Walter Benjamin chama de aura a experiência de distância que a obra de arte impõe e que se perde quando ela é submetida à reprodutibilidade técnica. De um lado, uma série de gestos dessacralizantes dos artistas do século XX pode ser lida como parte desse processo. De outro, diversos autores – que compartilham com Benjamin uma formação marxista – falarão de um brilho mais artificial reivindicado pela arte, que pode ser pensado pela noção de fetiche.

4) Susan Sontag: o mundo-imagem e a realidade simbólica
Enquanto as teorias da fotografia tentam entender o modo como a imagem pode alcançar o real, a escritora norte-americana Susan Sontag observa o fato de que o mundo se reduz à condição de imagem. Se essa inversão permite uma crítica aguda à cultura contemporânea, ela também abre uma brecha para superar a polarização entre representação e realidade, questão fundamental para entender o modo como nossa realidade cultural é constituída de representações.