Rio: primeiras poses - Visões da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930)

IMS Rio de Janeiro

Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea - Rio de Janeiro/RJ
CEP 22451-040

Visitação

Exposição encerrada.
De 28 de fevereiro de 2015 a 28 de fevereiro de 2016

Horário

De terça a domingo e feriados (exceto segunda), das 11h às 20h

Contato

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imsrj@ims.com.br

Apresentação

Curadoria

Sergio Burgi

Mariana Newlands

Na Internet

rioprimeirasposes.ims.com.br

#rioprimeirasposes

Imprensa

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comunicacao@ims.com.br

O IMS-RJ apresenta Rio: primeiras poses - Visões da cidade a partir da chegada da fotografia (1840-1930), como parte da programação especial dedicada aos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.

A exposição percorre nove décadas de produção fotográfica no Rio de Janeiro, com fotografias que documentam a cidade no Império, em especial durante o Segundo Reinado de d. Pedro II, e as primeiras quatro décadas da República.

Estarão expostas 450 imagens de fotógrafos como Abraham-Louis Buvelot, Georges Leuzinger, Victor Frond, Augusto Stahl, Revert Henri Klumb, Albert Henschel, Marc Ferrez, Joaquim Insley Pacheco, Hubner e Amaral, Carlos Bippus, Lopes, José dos Santos Affonso, Thiele, W. Kollien, Augusto Malta e Guilherme Santos, todas pertencentes ao acervo do IMS e escolhidas entre cerca de 10 mil imagens desse período. Assim, a mostra inaugura o uso intensivo da Galeria Marc Ferrez, no IMS-RJ, para mostras permanentes de acervo. Muitas das imagens que serão apresentadas nesta exposição nunca foram exibidas antes. Junto com a exposição Um passeio pelo Rio – A cidade nas andanças de Joaquim Manuel de Macedo, a nova mostra compõe as homenagens do Instituto Moreira Salles aos 450 anos do Rio de Janeiro.

Organizada em seis ambientes dispostos em ordem cronológica, a exposição apresentará cerca de 250 fotografias originais, nas paredes e em vitrines, e mais três conjuntos de imagens em estruturas multimídia: espaço de projeção em 2,20 x 9 m, dois mapas interativos comandados por telas touchscreen e dois monitores com 75 fotos estereoscópicas cada, com visualização em 3D. As imagens digitalizadas e as ferramentas de visualização com magnificação oferecerão ao visitante a possibilidade de enxergar detalhes nas fotografias que não seriam facilmente vistos nos originais.

O primeiro núcleo mostra os primeiros processos fotográficos iniciais realizados no Rio de Janeiro, que conheceu a fotografia por meio da daguerreotipia, já em janeiro de 1840. Os retratos de estúdio em daguerreótipo predominam neste período.

Dois ambientes dedicados ao período que vai da década de 1850 à década de 1890, com fotos de Stahl, Leuzinger, Klumb, Frond e Ferrez, revelam a memória de uma paisagem urbana e traços de uma arquitetura estruturada ainda no período colonial e desenvolvida com maior intensidade depois da chegada da família real portuguesa em 1808. Nos demais ambientes, a exposição apresenta imagens que mostram as mudanças e reformas urbanas promovidas no início do século XX, em particular durante a administração Pereira Passos (1902-1906), com a construção da avenida Central, a inauguração da avenida Beira-Mar em direção à Glória, ao Catete, ao Flamengo e a Botafogo e a obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro e do canal do Mangue, entre outras. Essas ações foram registradas em particular por Augusto Malta, fotógrafo a serviço da prefeitura e de empresas como a Light, que incorpora em suas imagens tanto a cidade como sua população durante a transformação radical do “bota-abaixo” representado pela abertura da avenida Central e a posterior remoção do morro do Castelo.

Marc Ferrez, único entre os fotógrafos reunidos na mostra a atravessar os dois séculos, realiza sua grande e última obra com o Álbum da avenida Central, que estará destacado em um dos núcleos da exposição. Ferrez e Malta construiriam, com seus trabalhos, o principal legado da fotografia para a memória da cidade na passagem do século XIX para o XX.


Textos da exposição

Texto de abertura da exposição Rio: primeiras poses

O Rio a partir da chegada da fotografia (1840-1930)

Em 19 de agosto de 1839, a França anunciou ao mundo a invenção da daguerreotipia, processo fotográfico desenvolvido por Louis-Jacques-Mandé Daguerre e Joseph-Nicéphore Niépce. Inaugurava-se, então, uma nova linguagem – a fotografia. Em 16 de janeiro de 1840, a daguerreotipia chegou ao Rio de Janeiro, por meio dos registros realizados no largo do Paço por Louis Compte, abade da corveta francesa Oriental. A partir de então, o campo da representação visual da paisagem urbana do Rio de Janeiro e de seus habitantes sofreu profundas transformações.

Vista a partir do Corcovado de Botafogo, Flamengo e Urca, Rio de Janeiro, c. 1885. Marc Ferrez / Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles

 

Nos primeiros 15 anos, a daguerreotipia foi um processo predominantemente voltado para o retrato, nos estúdios fotográficos estabelecidos na cidade. A partir do início da década de 1850, o desenvolvimento de novos processos fotográficos, especialmente o negativo em colódio sobre vidro e a fotografia em papel albuminado, permitiu a expansão da fotografia e de suas múltiplas aplicações. Tanto a fotografia de paisagem quanto o retrato passaram a poder ser realizados em suporte papel e em múltiplas cópias, agora possíveis por meio do processo negativo/positivo.

Composta por 450 imagens do Rio de Janeiro e de seus habitantes, Rio: primeiras poses reúne imagens de grandes mestres da fotografia brasileira e de fotógrafos anônimos e amadores que construíram a representação fotográfica do Rio de Janeiro durante o Segundo Reinado e nas primeiras quatro décadas da República.

Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, Rio de Janeiro, c. 1865. Albumina. Augusto Stahl / Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles

 

Nas fotografias das décadas de 1850 e 1860, a memória de uma paisagem urbana e de traços de uma arquitetura que se estruturou ainda no período colonial está presente e pode ser conferida nas fotografias de Augusto Stahl, Revert Henry Klumb, Victor Frond, Georges Leuzinger, Marc Ferrez e outros fotógrafos que documentaram a cidade nessa época.

Marc Ferrez estabelece-se comercialmente em 1867, e, a partir de meados dos anos 1870, passa a ser o principal nome da fotografia de paisagem e da documentação urbana no Rio de Janeiro. Em 1879, ele adquire um equipamento panorâmico de varredura, a câmera Brandon, que permite que se faça uma fotografia em 180 graus em chapas de vidro de grande formato. Único fotógrafo no país a realizar imagens nessa técnica, Ferrez consolida seu trabalho de fotografia de paisagem e de arquitetura entre as décadas de 1880 e 1910, realizando sua grande e última obra com a publicação do Álbum da Avenida Central.

Avenida Central na altura da Rua do Ouvidor, com rua Miguel Couto, Rio de Janeiro, c. 1906. Negativo de Vidro. Marc Ferrez / Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles

 

A exposição também apresenta imagens que mostram as mudanças e as reformas urbanas promovidas no início do século XX, em particular na administração Pereira Passos (1902-1906), como a construção da Avenida Central, a inauguração da Avenida Beira Mar em direção à Glória, ao Catete, ao Flamengo e a Botafogo, as obras de melhoramento do porto do Rio de Janeiro e do Canal do Mangue, entre outras. Essas ações são registradas em particular por Augusto Malta, fotógrafo a serviço da Prefeitura e de empresas como a Light, que incorpora em suas imagens tanto a cidade como seus habitantes durante o popularmente denominado “bota-abaixo”, representado pelas obras de abertura da avenida Central e a posterior remoção do morro do Castelo.

Ferrez e Malta construíram com seus trabalhos o principal legado da fotografia para a memória da cidade na passagem do século XIX para o XX. Os principais avanços tecnológicos desse período estão representados na exposição, como o transporte urbano e a iluminação pública − totalmente reformulados com a chegada da energia elétrica −; o automóvel; o início da aviação; a mudança na relação das pessoas com a própria imagem fotográfica, que evolui para o cinema; as revistas ilustradas e o início do fotojornalismo; a redescoberta da fotografia estereoscópica entre amadores e profissionais − como no trabalho de Guilherme Santos −; e a própria fotografia amadora, que lança as bases para uma verdadeira revolução de linguagem, materializada hoje nas tecnologias digitais e nas câmeras em celulares a serviço de uma nova etapa da comunicação visual na sociedade contemporânea.

Vista aérea do Rio de Janeiro, da praça Mauá para a zona sul, tendo ao fundo o Pão de Açúcar, c. 1929. Augusto Malta / Coleção Brascan Cem Anos no Brasil / Acervo Instituto Moreira Salles

 

Por meio das imagens expostas, é possível acompanhar o processo de transformação no país e na cidade desde a chegada da fotografia ao Rio de Janeiro, pouco antes da posse de d. Pedro II como imperador, aos 15 anos, em 1841, até a revolução de 1930, movimento que abriu as portas para as mudanças econômicas, sociais e políticas que lançaram o país na modernidade. A cidade de hoje é marcada significativamente pelos elementos da vida social e econômica do país nesse período. O crescimento em direção à zona sul, por exemplo, registrado em imagens de Copacabana e Ipanema entre 1900 e 1930, indicam os primeiros movimentos rumo à construção de uma nova cultura na cidade, associada às praias oceânicas, que tanto marcaria os hábitos e a vida dos moradores do Rio ao longo do século XX.

No ano em que o Rio de Janeiro comemora 450 anos, Rio: primeiras poses apresenta fotografias, negativos, álbuns e estereoscopias originais, associadas a imagens digitalizadas a partir do acervo do Instituto Moreira Salles. São imagens que servem não só como uma homenagem aos fotógrafos que, com seus registros, nos deixaram vistas e poses de um período tão decisivo para a cidade, mas também como um convite à imersão na paisagem e na vida da então cidade de d. Pedro II, Machado de Assis, Chiquinha Gonzaga, Pereira Passos, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, João do Rio e tantos outros que aqui viveram.


Vídeos

 

 


Trilha sonora

Coube à coordenadora de Música do IMS, Bia Paes Leme, montar a trilha sonora de um dos destaques da exposição Rio: primeiras poses: o filme com uma sequência de fotos projetadas numa tela de 9m x 2,20m e que permite ao espectador ver detalhes das imagens.

Ernesto Nazareth (1863-1934), cujo acervo está sob a guarda do IMS, foi uma escolha coerente com o período que a exposição abrange: 1840 a 1930. E Bia selecionou sete composições de modo a criar um percurso: as valsas iniciais acompanham as fotos mais abertas, que sugerem mais silêncio e suavidade. À medida que as fotos vão descendo rumo às ruas da cidade e ao movimento das pessoas, aceleram-se os andamentos, com um tango brasileiro e três polcas.

Os dois pianistas se apresentaram no IMS-RJ em 26 de março de 2015, às 20h, tocando peças de Nazareth que ganharam de Radamés Gnattali arranjos para dois pianos. Ouça na Rádio Batuta as sete composições selecionadas.

Exposição encerrada.

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