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Bixaria Negra - O cinema de Marlon Riggs

Rio de Janeiro: 16 a 30 de junho, no IMS Rio e no Galpão Bela Maré
São Paulo: 22 a 30 de junho, no IMS Paulista

Em retrospectiva inédita no Brasil, a mostra Bixaria Negra - O cinema de Marlon Riggs exibe todos os filmes do diretor em junho, mês do Orgulho LGBTI+. Em oito filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, Riggs expande os limites do cinema de não-ficção em contato direto com a produção artística de seu entorno e com seus parceiros de vida e ativismo. De forma interseccional e afirmativa, sua obra discute as opressões e estratégias de sobrevivência das comunidades negra e gay nos EUA dos anos 1980 e 90. O curador da mostra, Bruno F. Duarte, aciona aqui o termo ​​Bixaria Negra como uma pista para compreender a dimensão encantada do trabalho coletivo empenhado pelo diretor na produção deste conjunto de imagens.

A mostra, que acontecerá em São Paulo, no IMS Paulista, e no Rio de Janeiro, no IMS Rio e Galpão Bela Maré, apresenta ainda um documentário em torno da vida e obra do diretor e nove curtas-metragens brasileiros contemporâneos realizados por jovens cineastas negres LGBTI+ em diálogo com a produção de Riggs.

No IMS Paulista, Cornelius Moore, parceiro de criação e distribuidor dos filmes de Riggs, discute essa obra ao lado do crítico, pesquisador e curador de cinema Heitor Augusto e da cineasta Yasmin Thayná. No IMS Rio, o debate será entre Cornelius Moore, a pesquisadora e curadora de cinema Janaína Oliveira e o babalorixá Adailton Moreira. Já no Galpão Bela Maré, a noite de abertura contará com uma conversa entre Cornelius e os diretores do curta Noite das estrelas, Wallace Lino e Paulo Victor Lino, além de performance das artistas Dominick di Calafrio, Pantera e Preta Queen B Rull.

Apoio: Observatório de Favelas, Galpão Bela Maré, California Newsreel e Cabine.


Programação


Rio de Janeiro

IMS RIO

16/6/2022, quinta
18h - Línguas Desatadas + Noite das Estrelas
Seguida de debate com Cornelius Moore, Bàbá Adailton Moreira e Janaína Oliveira

18/6/2022, sábado
16h - Curtas 1 - Bixaria negra: O cinema de Marlon Riggs
18h - Do estereótipo negro + A luz, Matheusa

19/6/2022, domingo
18h - Ajuste de cor + Tudo o que é apertado rasga

25/6/2022, sábado
16h - Curtas 2 - Bixaria negra: O cinema de Marlon Riggs
18h - Preto é… preto não é + Fartura

26/6/2022, domingo
18h - A paixão de Marlon Riggs + O blues de Oakland

GALPÃO BELA MARÉ

17/6/2022, sexta
18h - Exibição dos filmes Hino!, Afirmações, Non, je ne regrette rien e Noite das estrelas
Sessão apresentada por Cornelius Moore e os diretores do curta Noite das estrelas, Wallace Lino e Paulo Victor Lino.
19h30 - Performance das artistas Dominick di Calafrio, Pantera e Preta QueenB Rull + festa de abertura

22/6/2022, quarta
15h30 - Línguas Desatadas + Noite das Estrelas

23/6/2022, quinta
15h30 - A paixão de Marlon Riggs + O blues de Oakland
18h30 - Do estereótipo negro + A luz, Matheusa

29/6/2022, quarta
15h30 - Ajuste de cor + Tudo o que é apertado rasga
18h30 - Curtas 1 - Bixaria negra: O cinema de Marlon

30/6/2022, quinta
15h30 - Curtas 2 - Bixaria negra: O cinema de Marlon
18h30 - Preto é… preto não é + Fartura


São Paulo

IMS PAULISTA

22/6/2022, quarta
19h - Línguas Desatadas + Noite das Estrelas

23/6/2022, quinta
19h - Preto é… preto não é + Fartura

24/6/2022, sexta
19h - Do esteriótipo negro + A luz, Matheusa
20h30 - Ajuste de cor + Tudo o que é apertado rasga

25/6/2022, sábado
16h - Do esteriótipo negro + A luz, Matheusa
17h30 - Curtas 1 - Bixaria negra: O cinema de Marlon
19h - Línguas Desatadas + Noite das Estrelas
20h45 - A paixão de Marlon Riggs + O blues de Oakland

26/6/2022, domingo
16h - Curtas 2 - Bixaria negra: O cinema de Marlon
17h30 - Ajuste de cor + Tudo o que é apertado rasga
20h - Preto é… preto não é + Fartura

28/6/2022, terça
19h30 - A paixão de Marlon Riggs + O blues de Oakland

29/6/2022, quarta
18h30 - Curtas 1 - Bixaria negra: O cinema de Marlon
20h - Curtas 2 - Bixaria negra: O cinema de Marlon

30/6/2022, quinta
18h - Línguas desatadas + Noite das Estrelas
20h - Preto é... preto não é + Fartura


Sessões especiais

IMS Rio
16/6/2022, quinta, 18h
Línguas Desatadas + Noite das Estrelas
Exibição seguida de debate com Cornelius Moore, Bàbá Adailton Moreira e Janaína Oliveira.

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
17/6/2022, sexta
18h: Exibição dos filmes Hino!, Afirmações, Non, je ne regrette rien e Noite das estrelas
Sessão apresentada por Cornelius Moore e os diretores do curta Noite das estrelas, Wallace Lino e Paulo Victor Lino.
19h30: Performance das artistas Dominick  di Calafrio, Pantera e Preta QueenB Rull + festa de abertura

IMS Paulista
22/6/2022, quarta, 19h
Línguas Desatadas + Noite das Estrelas
Sessão apresentada por Cornelius Moore e Bruno Duarte.

23/6/2022, quinta, 19h
Preto é… preto não é + Fartura
Exibição seguida de debate com Cornelius Moore, ao lado do crítico, pesquisador e curador de cinema Heitor Augusto e da cineasta Yasmin Thayná.


Filmes


Hino! + Afirmações + NON, JE NE REGRETTE RIEN + Noite das estrelas

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Hino!
Anthem
Marlon Riggs | EUA | 1991, 8', arquivo digital (California Newsreel)

Uma experiência audiovisual sobre ser um homem negro gay nos EUA dos anos 1990. Vogue, rap, grafite, ancestralidade, acenos a irmandades latinas e a poesia de Essex Hemphill (1957-1995). Corpos desejantes que protestam e colidem. Uma videoperformance que reafirma o direito à vida e à liberdade em um contexto de negligência e estigma para uma população ameaçada pela epidemia de HIV/Aids, o racismo e a homofobia.

Afirmações
Affirmations
Marlon Riggs | EUA | 1990, 10', arquivo digital (California Newsreel)

O Grupo de Homens Gays de Ascendência Africana (GMAD) e a Força Tarefa de Minorias sobre Aids participam da marcha que celebra o fim da escravidão nos EUA. Alguém parece se incomodar. Um ensaio sobre desejos e sonhos de homens negros gays. O curta-metragem apresenta relatos sinceros, afetivos e bem-humorados que revelam desejos de reconhecimento, solidariedade, respeito e liberdade.

NON, JE NE REGRETTE RIEN
NON, JE NE REGRETTE RIEN
Marlon Riggs | EUA | 1992, 38', arquivo digital (California Newsreel)

Ensaio íntimo e poético em que cinco homens negros gays desafiam o estigma e o silêncio ao revelarem que vivem com HIV. Marlon Rigss faleceu por complicações relacionadas ao HIV/Aids em 1994 e dedicou-se a confrontar a urgência da epidemia de aids entre as comunidades afro-americanas, especialmente entre homens gays negros. “NON, JE NE REGRETTE RIEN é o título da canção popularizada pela cantora francesa Edith Piaf, e reforça a filosofia que Riggs ansiava que todas as pessoas vivendo com HIV/Aids incorporassem”, afirma Rhea Combs, PhD pela Universidade Emory com uma tese sobre o diretor e seu impacto cultural nos EUA.

Noite das estrelas
Wallace Lino e Paulo Victor Lino | Brasil | 2021, 23’ DCP (Acervo dos artistas)

Na festa de aniversário de 46 anos de Madame, uma das artistas da histórica Noite das Estrelas, veteranas e novatas se encontram numa laje da favela da Maré. Entre glamour, closes, performances e memórias, costuram o tempo e celebram seus corpos, que vivem e resistem coletivamente através das artes. O curta-metragem é uma realização do Entidade Maré, projeto de pesquisa voltado para o resgate de narrativas de pessoas LGBTI+ do conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro.

 

PROGRAMAÇÃO

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
17/6/2022, sexta
18h: Exibição dos filmes Hino!, Afirmações, Non, je ne regrette rien e Noite das estrelas
Sessão apresentada por Cornelius Moore e os diretores do curta Noite das estrelas, Wallace Lino e Paulo Victor Lino.
19h30: Performance das artistas Dominick di Calafrio, Pantera e Preta QueenB Rull + festa de abertura

Outras exibições
Hino! e Afirmações também serão exibidos como parte da sessão Curtas 1.
NON, JE NE REGRETTE RIEN também será exibido como parte da sessão Curtas 2.
Noite das estrelas também será exibido como parte da sessão dupla com Línguas desatadas.


Línguas Desatadas + Noite das Estrelas

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Línguas desatadas
Tongues Untied
Marlon Riggs | EUA | 1989, 55' arquivo digital (California Newsreel)

Nas palavras de Marlon Riggs, “Línguas desatadas é um documentário que tenta desfazer o legado de silêncio sobre a vida de homens negros gays”. Ao assumir o compromisso de desatar línguas, muito próximo ao exercício proposto por Audre Lorde (1934-1992) para a transformação do silêncio em linguagem e ação, Riggs alargou possibilidades não apenas para bixas pretas compartilharem olhares sobre o mundo, mas também estabeleceu sua prática enquanto um novo caminho possível no cinema de não ficção. No limite do que o termo experimental lhe oferecia, o diretor, que se insere no quadro completamente despido, prefere definir seu estilo documental enquanto “promíscuo”. Muitos gêneros se encontram neste relato íntimo da experiência subjetiva compartilhada entre homens negros gays: documentário, biografia, performance, poesia, rap, voguing, videoclipe, arquivos de telejornal, obituários, cinema verité, humor, medo da morte, magia e ritual. O cotidiano e o encantado se encontram, de forma não casual, para a conjuração de imagens revolucionárias de homens negros amando homens negros. Uma conjuração. Encanto coletivo para feitura de imagens e de materialização nos campos político e afetivo de transformações ainda em curso. O filme foi perseguido, atacado, censurado, mas ainda assim exibido na TV pública em rede nacional nos EUA. Aquela que é considerada a obra-prima do diretor venceu o Prêmio Teddy no Festival de Berlim de 1990 como melhor documentário sobre questões da população LGBTI+ no ano de seu lançamento. Mais de 30 anos após seu lançamento, o feitiço de Línguas desatadas continua a conspirar, preservando a vida daqueles e dos muitos que ainda virão. “As pessoas verão que havia uma vibrante comunidade gay negra nos EUA em 1989”, disse Riggs. Sim, Riggs. Nós estamos vendo.

Noite das estrelas
Wallace Lino e Paulo Victor Lino | Brasil | 2021, 23’ DCP (Acervo dos artistas)

Na festa de aniversário de 46 anos de Madame, uma das artistas da histórica Noite das Estrelas, veteranas e novatas se encontram numa laje da favela da Maré. Entre glamour, closes, performances e memórias, costuram o tempo e celebram seus corpos, que vivem e resistem coletivamente através das artes. O curta-metragem é uma realização do Entidade Maré, projeto de pesquisa voltado para o resgate de narrativas de pessoas LGBTI+ do conjunto de favelas da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
22/6/2022, quarta, 19h - Sessão apresentada por Cornelius Moore e Bruno Duarte
25/6/2022, sábado, 19h
30/6/2022, quinta, 18h

IMS Rio
16/6/2022, quinta, 18h - Seguida de debate com Cornelius Moore, Bàbá Adailton Moreira e Janaína Oliveira

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
22/6/2022, quarta, 15h30

Noite das estrelas também será exibido em 17/6/2022, sexta, 18h, como parte da sessão de abertura no Galpão Bela Maré.


Preto é… preto não é + Fartura

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Preto é… preto não é
Black Is… Black Ain't
Marlon Riggs | EUA | 1995, 86', arquivo digital (California Newsreel)

A partir da receita de gumbo, um tradicional prato da culinária do sul dos EUA feito por sua avó, Marlon Riggs complexifica o debate sobre as diversas experiências da negritude nos planos individual e coletivo. O último filme do diretor, finalizado postumamente por parceiros de longa data, é um híbrido de seus documentários mais clássicos com a estética e transparência inconfundíveis de seus filmes mais experimentais. Além do retorno da crítica à supremacia branca, ao heterosexismo e às fobias infligidas para pessoas dissidentes de gênero e sexualidade, neste documentário Riggs afirma que as definições rígidas sobre "negritude" que os afro-americanos se autoimpuseram também foram, de certa forma, devastadoras. Existe uma identidade negra essencial? Existiria um teste para auferir o que nos define verdadeiramente enquanto homens negros ou mulheres negras? Intelectuais como Angela Davis, Barbara Smith, bell hooks, Cornel West, Maulana Karenga e Michele Wallace contribuem com o diálogo através de entrevistas. Performances do coreógrafo Bill T. Jones e do poeta Essex Hemphill expandem a intersecção de gêneros neste clássico do cinema de não ficção dos EUA. O filme recebeu o Troféu dos Realizadores do Festival de Sundance em 1995.

Fartura
Yasmin Thayná | Brasil | 2019, 26’ Arquivo digital (Acervo da artista)
A partir de imagens domésticas, a comida revela um modo de viver em comunidade. Festa, ritual e cotidiano de famílias negras de periferias e favelas em torno da comida enquanto elemento simbólico. Entrevistas de Muniz Sodré, Jurema Werneck, Iyabassè Carmem Virgínia, entre outras. Finalista do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2020 na categoria Melhor Curta-Metragem Documentário.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
23/6/2022, quinta, 19h - Seguida de debate com Cornelius Moore, Heitor Augusto e Yasmin Thayná
26/6/2022, sábado, 20h
30/6/2022, quinta, 20h

IMS Rio
25/6/2022, sábado, 18h

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
30/6/2022, quinta, 18h30

Do estereótipo negro + A luz, Matheusa

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Do estereótipo negro
Ethnic Notions
Marlon Riggs | EUA | 1987, 56', arquivo digital (California Newsreel)

Em seu longa-metragem de estreia, Marlon Riggs disseca as raízes de estereótipos antinegros na cultura popular dos EUA. Ao equilibrar a precisão da pesquisa de sua formação enquanto historiador e a habilidade narrativa enquanto cineasta, Riggs nos conduz em uma viagem perturbadora através da história norte-americana, traçando pela primeira vez no audiovisual um panorama de estereótipos racistas profundamente enraizados na cultura do país. A partir da análise dessas imagens, podemos compreender a evolução da consciência racial norte-americana desde a fundação dos Estados Unidos até o movimento pelos direitos civis. Narrado pela atriz Esther Rolle (Conduzindo miss Daisy, 1989), o filme é um desafio para qualquer pessoa que ainda subestima as consequências devastadoras do chamado racismo recreativo – e essencial para todas as pessoas envolvidas na luta antirracista, especialmente aquelas que escolheram o simbólico enquanto campo de disputa. Vencedor do prêmio Emmy de 1987.

A luz, Matheusa
Sabine Passareli e Salacione Passareli | Brasil | 2020, 10’ Arquivo digital (Acervo das artistas)

Matheusa Passareli (1997-2018) deixou Rio Bonito, no interior do estado do Rio de Janeiro, em direção à capital para estudar artes visuais na Uerj. A universidade foi apenas um dos espaços onde demonstrou a força de seu pensamento e corporeidade. A partir do registro de uma fala da jovem multiartista e imagens afetivas de sua cidade natal, sua irmã Sabine e sua mãe Salacione realizam uma performance audiovisual em que compartilham ideias e impressões de Theusa sobre a academia em uma conversa com a artista Bianca Kalutor. Pessoa negra não binária, Matheusa foi brutalmente assassinada em abril de 2018 na Zona Norte do Rio de Janeiro. Seu corpo nunca foi encontrado.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
24/6/2022, sexta, 19h
25/6/2022, sábado, 16h

IMS Rio
18/6/2022, sábado, 18h

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
23/6/2022, quinta, 18h30


Ajuste de cor + Tudo o que é apertado rasga

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Ajuste de cor
Color Adjustment
Marlon Riggs | EUA | 1991, 87', arquivo digital (California Newsreel)

O documentário percorre 40 anos de relações raciais nos EUA através da análise de programas de entretenimento exibidos em horário nobre da TV e nos proporciona refletir sobre a efetividade de estratégias de inclusão de pessoas racializadas e grupos historicamente marginalizados em sistemas de visibilidade e apagamento de elites hegemônicas. Quatro anos após examinar a genealogia de imagens desumanizantes na cultura popular norte-americana em Do estereótipo negro (Ethnic Notions, 1987), Riggs retorna seu olhar para a cultura de massa e examina mitos e estereótipos raciais da televisão americana. Agora, é a investida de produtores de TV para incluir imagens supostamente positivas de pessoas negras bem-sucedidas e integradas ao sonho americano que contrastam com o noticiário, em que ativistas negros sofrem com a repressão do Estado aos protestos por direitos civis. Narrado por Ruby Dee (Faça a coisa certa, 1989), o documentário revisita algumas das estrelas e programas mais populares da televisão dos EUA, entre eles The Amos ‘n Andy Show, The Nat King Cole Show, Os destemidos (I Spy), Julia, Good Times, Raízes (Roots) e The Cosby Show. “Todos os papéis são perigosos”, diz uma das recorrentes citações ao escritor James Baldwin escolhidas por Riggs para complexificar o debate. Ajuste de cor foi vencedor do prêmio de Melhor Filme no International Documentary Association Awards, em 1991.

Tudo o que é apertado rasga
Fábio Rodrigues Filho | Brasil | 2019, 28’ Arquivo digital (Acervo do artista)

Na tentativa de forjar uma ferramenta capaz de operar o corte por justiça, este filme retoma e intervém em imagens de arquivo, reestudando parte da cinematografia nacional à luz da presença e agência do ator e da atriz negra. Depoimentos de Antônio Pitanga, Antônio Pompeo, Elida Palmer, Eliezer Gomes, Grande Otelo, Henrique Felipe da Costa (Henricão), João da Cunha, Jorge Coutinho, Lázaro Ramos, Léa Garcia, Lélia Gonzalez, Luiza Maranhão, Mário Gusmão, Milton Gonçalves, Ruth de Souza, Watusi, Zezé Motta e Zózimo Bulbul.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
24/6/2022, sexta, 20h30
26/6/2022, domingo, 17h30

IMS Rio
19/6/2022, domingo, 18h

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
29/6/2022, quarta, 15h30


A paixão de Marlon Riggs + O blues de Oakland

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

A paixão de Marlon Riggs
I Shall Not Be Removed: The Life of Marlon Riggs
Karen Everett | EUA | 1996, 59', arquivo digital (California Newsreel)

A cinebiografia de Marlon Riggs (1957-1994) dirigida por Karen Everett fornece um retrato sobre o diretor e o impacto de seu trabalho na cultura norte-americana. O documentário acompanha sua trajetória desde a infância em Forth Worth, Texas, passando por seu despertar político em Harvard, até seus últimos anos, como defensor corajoso da livre expressão em nome de pessoas estigmatizadas. Jack Vincent, companheiro de vida de Riggs desde a chegada na Universidade da Califórnia em Berkeley até sua morte precoce em decorrência do HIV/Aids, que aparece em diversos créditos dos filmes do diretor, agora está também diante das câmeras. Clipes de todos os oito filmes de Riggs mostram como ele desenvolveu um estilo único de documentário experimental, misturando poesia e crítica, o pessoal e o político.

O blues de Oakland
Long Train Running: A History of the Oakland Blues
Marlon Riggs | EUA | 1982, 29', arquivo digital (California Newsreel)

A história da vibrante cena do blues na cidade de Oakland, Califórnia, na sequência da migração de comunidades negras do sul dos EUA para a East Bay Area após a Segunda Guerra Mundial. O filme foi produzido e apresentado para a conclusão do mestrado em jornalismo de Marlon Riggs na Universidade da Califórnia em Berkeley. O documentário recebeu prêmios Emmy e do American Film Institute para discentes, em 1982.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
25/6/2022, sábado, 20h45
28/6/2022, terça, 19h30

IMS Rio
26/6/2022, domingo, 18h

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
23/6/2022, quinta, 15h30


Curtas 1

Classificação indicativa da sessão: 14 anos

Pietá
Pink Molotov | Brasil | 2020, 5’ Arquivo digital (Talavistas e ela.ltda.)

Experimento audiovisual em que uma figura renascentista incorpora signos do Brasil contemporâneo, melodrama e bixaria. Produzido pelo coletivo As Talavistas e ela.ltda, o curta-metragem foi selecionado para a Mostra Foco Minas na 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2021.

Afronte
Bruno Victor e Marcus Azevedo | Brasil | 2017, 16’ DCP (Acervo dos artistas)

Ficção e documentário se cruzam para mostrar o processo de transformação e empoderamento de Victor Hugo, um jovem negro e gay, morador da periferia do Distrito Federal. Seu relato se mistura aos depoimentos de outros jovens, cujas histórias revelam diferentes formas de resistência, encontradas em discursos de valorização do negro gay. Realizado através de financiamento coletivo, o filme recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem no Festival Mix Brasil 2017.

Negrum3
Diego Paulino | Brasil | 2018, 22’ DCP (Reptilia Produções)

Entre melanina e planetas longínquos, Negrum3 propõe um mergulho na caminhada de jovens negros da cidade de São Paulo. Um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora. Exibido em mais de 70 mostras nacionais e internacionais, o curta-metragem recebeu 48 prêmios, entre eles o Troféu Barroco (Melhor Filme Júri Popular) e o Prêmio Canal Brasil na 22º Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), e nas categorias Melhor Direção e Melhor Curta-Metragem no 26º Festival de Cinema de Vitória (ES), ambos os festivais em 2019.

Hino!
Anthem
Marlon Riggs | EUA | 1991, 8', arquivo digital (California Newsreel)

Uma experiência audiovisual sobre ser um homem negro gay nos EUA dos anos 1990. Vogue, rap, grafite, ancestralidade, acenos a irmandades latinas e a poesia de Essex Hemphill (1957-1995). Corpos desejantes que protestam e colidem. Uma videoperformance que reafirma o direito à vida e à liberdade em um contexto de negligência e estigma para uma população ameaçada pela epidemia de HIV/Aids, o racismo e a homofobia.

Afirmações
Affirmations
Marlon Riggs | EUA | 1990, 10', arquivo digital (California Newsreel)

O Grupo de Homens Gays de Ascendência Africana (GMAD) e a Força Tarefa de Minorias sobre Aids participam da marcha que celebra o fim da escravidão nos EUA. Alguém parece se incomodar. Um ensaio sobre desejos e sonhos de homens negros gays. O curta-metragem apresenta relatos sinceros, afetivos e bem-humorados que revelam desejos de reconhecimento, solidariedade, respeito e liberdade.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
25/6/2022, sábado, 17h30
29/6/2022, quarta, 18h30

IMS Rio
29/6/2022, quarta, 18h30

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
29/6/2022, quarta, 18h30

Hino! e Afirmações também serão exibidos em 17/6/2022, sexta, 18h, como parte da sessão de abertura no Galpão Bela Maré.


Curtas 2

Classificação indicativa da sessão: 18 anos

NON, JE NE REGRETTE RIEN
NON, JE NE REGRETTE RIEN
Marlon Riggs | EUA | 1992, 38', arquivo digital (California Newsreel)

Ensaio íntimo e poético em que cinco homens negros gays desafiam o estigma e o silêncio ao revelarem que vivem com HIV. Marlon Rigss faleceu por complicações relacionadas ao HIV/Aids em 1994 e dedicou-se a confrontar a urgência da epidemia de aids entre as comunidades afro-americanas, especialmente entre homens gays negros. “NON, JE NE REGRETTE RIEN é o título da canção popularizada pela cantora francesa Edith Piaf, e reforça a filosofia que Riggs ansiava que todas as pessoas vivendo com HIV/Aids incorporassem”, afirma Rhea Combs, PhD pela Universidade Emory com uma tese sobre o diretor e seu impacto cultural nos EUA.

Corpos, afetos e memórias
Flip Couto | Brasil | 2020, 14’ arquivo digital (Acervo do artista)

Multiartista, produtor cultural e ativista baseado em São Paulo, Flip Couto é um dos fundadores do Coletivo Amem e da Parada Preta LGBT+. Em Corpos, afetos e memórias, realizado durante o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, Flip reúne familiares para uma conversa sobre sua performance Sangue, em que fala abertamente sobre sua experiência enquanto uma bixa preta vivendo com HIV desde 2009.

Línguas selvagens
Elton Panamby | Brasil | 2016, 15’ Arquivo digital (Acervo de artiste)

Neste curta-metragem, o artista do corpo Elton Panamby se propõe a “dividir a língua para dobrá-la sobre si mesma e radicalizar a linguagem”. Nascide na periferia sul de São Paulo, Elton reside em São Luís (MA) desde 2016 e desenvolve trabalhos em múltiplas linguagens, principalmente a partir de 2008, dedicado à pesquisa acadêmica e à criação em performance. Seus movimentos de abertura de caminhos têm gestado importantes espaços coletivos de experimentação corporal e performance para artistas contemporâneos no Brasil, com destaque para a CASA 24, no Rio de Janeiro pré-megaeventos, o processo de intercâmbios e escutas Performance Preta no Brasil (Palco Giratório Sesc 2019), em parceria com o artista visual Dinho Araújo, e como cyberogan na Plataforma Lança Cabocla junto de Tieta Macau, Abeju Rizzo e Inaê Moreira. Atualmente, encontra-se imerso em pesquisas sônicas, concentrando-se nas escutas, vozes, frequências, vibrações e escurescências. Línguas selvagens integra a série Poéticas do Sangue, conjunto de trabalhos onde seu sangue é a tinta de escritura, e seu corpo é o tecido sobre o qual se desenrolam uma série de aparições.

Aviso de Acionadores: contém imagens de sangramento e procedimentos com bisturi/sutura.

 

PROGRAMAÇÃO

IMS Paulista
26/6/2022, domingo, 16h
29/6/2022, quarta, 20h

IMS Rio
25/6/2022, sábado, 16h

Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro)
30/6/2022, sábado, 15h30

NON, JE NE REGRETTE RIEN também será exibido em 17/6/2022, sexta, 18h, como parte da sessão de abertura no Galpão Bela Maré.


Ingressos

 

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424
São Paulo/SP

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.

A bilheteria vende ingressos apenas para as sessões do dia. No ingresso.com, a venda é semanal: toda quarta-feira, às 18h, são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.

Não é permitido o consumo de bebidas e alimentos na sala de cinema.


IMS Rio

Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea, Rio de Janeiro/RJ

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 12h até o início da última sessão de cinema do dia, na recepção.

A bilheteria vende ingressos apenas para as sessões do dia. No ingresso.com, as vendas para as sessões de cada mês acontecem a partir do 1º dia do mês vigente.


Galpão Bela Maré

Rua Bitencourt Sampaio, 169
Maré, Rio de Janeiro/RJ

Entrada gratuita. Sujeita à lotação da sala.


Debate no IMS Rio

Debate com Cornelius Moore, Bàbá Adailton Moreira, Janaína Oliveira e Bruno F. Duarte. Vídeo de Laura Liuzzi, gravado em 16/6 no IMS Rio.


Créditos da mostra

Curadoria: Bruno F. Duarte
Tradução e legendagem: Bruna Barros
Cartaz e identidade visual: Yhuri Cruz
Vinheta: Natara Ney, com narração de Rico Dalasam
DJ Sets: Mariwô
Programação: Ligia Gabarra, Marcia Vaz e Thiago Gallego
Apoio: Observatório de Favelas, Galpão Bela Maré, California Newsreel e Cabine