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Carta branca a Adhemar Oliveira

No IMS Paulista

Mostra de filmes

Filmes selecionados por Adhemar Oliveira

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424 São Paulo/SP

Quando

5 a 29 de novembro de 2019

Debate 5/11

Após a sessão das 19h, com Adhemar Oliveira e Kleber Mendonça Filho

Ao longo de mais de 40 anos, Adhemar Oliveira formou gerações de cinéfilos Brasil afora com o seu trabalho de programador e também como distribuidor e exibidor. Para celebrar este trabalho, o cinema do IMS apresenta sete filmes selecionados por ele, que o marcaram em cada momento de sua trajetória. Entre eles estão Os palhaços, de Federico Fellini, Encontro com homens notáveis, raro filme de Peter Brook, e O boulevard do crime, clássico francês de Marcel Carné.


Programação

Lista de filmes Dia a dia

Pasqualino sete belezas

Lina Wertmüller
Itália, 1975, 116 min., 14 anos, DCP

16/11 sábado 19h45
Mais informações

Próxima parada: bairro boêmio

Paul Mazursky
EUA, 1976, 111 min., 14 anos, DCP

19/11 terça-feira 21h
Mais informações

Os palhaços

Federico Fellini
Alemanha, França, Itália, 1970, 92 min., 14 anos, 35mm

22/11 sexta-feira 20h
Mais informações

Superoutro

Edgard Navarro
Brasil, 1989, 48 min., 14 anos, 35mm

23/11 sábado 20h
Mais informações

Sábado

Ugo Giorgetti
Brasil, 1994, 85 min., 12 anos, Arquivo digital

26/11 terça-feira 20h
Mais informações

Encontro com homens notáveis

Peter Brook
Reino Unido, 1979, 90 min., 14 anos, DCP

27/11 quarta-feira 20h
Mais informações

O boulevard do crime

Marcel Carné
França, 1945, 189 min., 14 anos, DCP

29/11 sexta-feira 16h
Mais informações

Debate

No dia 5 de novembro de 2019, no IMS Paulista, Adhemar Oliveira conversa sobre sua trajetória com Kleber Mendonça Filho, curador de cinema do IMS, após a sessão das 19h de Pasqualino sete belezas, de Lina Wertmüller.


Sobre Adhemar Oliveira

Cineclubista da geração dos anos 1980, sua empresa de exibição, a Espaço de Cinema, totalizou 72 salas em 2008, ficando em sétimo lugar entre os maiores exibidores do país. Exibidor, distribuidor e principalmente um agitador cultural, é um dos grandes responsáveis pela transformação do circuito exibidor de filmes de arte no Rio de Janeiro e em São Paulo nos últimos 20 anos. Em meados dos anos 1980, começou a programar o Cineclube Bixiga, em São Paulo, para pouco depois passar para o Cineclube Macunaíma, no Rio de Janeiro. Em 1985, foi um dos fundadores do Cineclube Estação Botafogo, que formou uma nova geração de cinéfilos, e, em seguida, expandiu-se para outras salas e cidades. Em 1989, participou da criação da então Mostra Banco Nacional de Cinema, que se tornou um dos eventos cinematográficos mais importantes do calendário carioca. Projetos de expansão do Estação levaram Adhemar para São Paulo, onde criou em 1993 o Espaço Unibanco, que transformou um cinema de rua em três salas, com livraria e café. Pouco depois de trazer este mesmo conceito para o Rio, Adhemar desligou-se do Grupo Estação. Dentro do novo conceito de Arteplex, a Espaço de Cinema inaugurou salas nas cidades de Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Em janeiro de 2009, abriu a primeira sala IMAX no Brasil, localizada no Espaço Unibanco Pompéia, em São Paulo.


Ingressos

Os ingressos para as sessões de cinema do IMS são vendidos nas bilheterias dos centros culturais e no site ingresso.com.

IMS Paulista
R$8 (inteira) e R$4 (meia).
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h até o início da última sessão de cinema do dia, na Praça, no 5º andar.

A bilheteria vende ingressos apenas para as sessões do dia. No ingresso.com, a venda é semanal: a cada quinta-feira são liberados ingressos para as sessões que acontecem até a quarta-feira seguinte.


Filmes

Pasqualino Sete Belezas
Pasqualino Settebellezze
Lina Wertmüller | Itália | 1975, 116', DCP

5/11, terça, 19h - Sessão seguida de conversa com Adhemar Oliveira e Kleber Mendonça Filho
16/11, sábado, 19h45

Pasqualino Frafuso (Giancarlo Giannini), conhecido em Nápoles como Pasqualino Sete Belezas, é um vigarista que vive às custas de suas sete irmãs, enquanto jura proteger a honra delas. Preso por oficiais nazistas, ele é enviado a um campo de concentração, de onde planeja escapar seduzindo um oficial alemão.

A primeira imagem de Pasqualino Sete Belezas é um aperto de mão entre Hitler e Mussolini. “Eu tento entreter meu público e capturar a atenção desde o início”, conta a diretora Lina Wertmülller. “Adoro poesia grotesca e acho que meus filmes têm esse estilo, que combina humor e drama, ironia e cinismo, comédia e tragédia. Isso permite brincar com diferentes tons e ritmos narrativos. É mais do que um estilo – a narrativa grotesca reflete minha própria personalidade.

Como digo no documentário Behind the White Glasses [sobre a vida e obra da diretora], acho que tenho duas almas. Uma é brincalhona, irônica e com senso de humor. A outra está em contato com a face dramática da vida e com os problemas humanos em todo o mundo. As duas naturezas vivem em mim e nunca me abandonam. Meus filmes podem refletir essa personalidade inconscientemente.”

Wertmüller foi a primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, e Pasqualino Sete Belezas ainda foi nomeado nas categorias de Melhor Ator, Melhor Roteiro e Melhor Filme Estrangeiro, mas a obra não recebeu nenhuma das estatuetas. Em 2020, a cineasta receberá o Oscar Honorário em homenagem à sua carreira.

[Entrevista disponível em inglês no site da Criterion Colection]

Superoutro
Edgard Navarro | Brasil | 1989, 48', 35 mm

15/11, sexta, 18h
23/11, sábado, 20h

Um louco de rua tenta libertar-se da miséria que o assedia e acaba por subverter a própria lei da gravidade.

Durante o lançamento do DVD do filme, em 2007, em entrevista à Folha de Pernambuco, Edgard Navarro falou sobre o contexto em que Superoutro foi criado: “É uma retomada mais anárquica de uma trilogia de inspiração freudiana que fiz nos anos 1970, com O rei do cagaço (fase anal), Alice no país das mil novilhas (fase oral) e Exposed (fase fálica). Por sinal, foi no Recife que filmei a imagem central desse último. Havia um canhão no parque Treze de Maio que era um símbolo fálico e, ao mesmo tempo, simbolizava a insegurança do poder constituído. Mas, voltando a Superoutro , ele é uma salada de clichês e conceitos, um filme antropofágico.”

[Leia a entrevista completa com Edgard Navarro]

Próxima parada: bairro boêmio
Next Stop, Greenwich Village
Paul Mazursky | EUA | 1976, 111', DCP

10/11, domingo, 20h
19/11, terça, 21h

Em 1953, Larry Lapinsky deixou a casa dos pais, no Brooklyn, para tentar a vida de ator no bairro boêmio de Greenwich Village. Sua mãe achou que era o fim do mundo, mas ele acreditava que seria um grande começo.

Como conta o diretor Paul Mazursky em entrevista realizada em 1976, Próxima parada: bairro boêmio é inspirado em suas próprias experiências no Greenwich Village: “Troquei as pessoas, mudei os anos, coloquei coisas que tinha ouvido falar ou que aconteceram com pessoas que eu conhecia. Seria errado interpretar isso literalmente, como minha história. A única coisa que está mais próxima da minha história é o fato de tentar o papel do delinquente juvenil em um filme e obtê-lo. Esse foi o começo da minha carreira de ator... Que retomei, a propósito. Estou atuando no remake de Nasce uma estrela (1976). Eu interpreto o chefe da gravadora onde Barbra Streisand trabalha.”

[Entrevista com Paul Mazursky disponível no site do crítico Roger Ebert]

Encontro com homens notáveis
Meetings with Remarkable Men
Peter Brook | Reino Unido | 1979, 90', DCP

15/11, sexta, 20h
28/11, quinta, 20h

Encontro com homens notáveis é baseado na autobiografia homônima de G.I. Gurdjieff, um influente professor espiritual, nascido na Armênia entre 1866 e 1877, e falecido em 1949, na França. O filme acompanha suas viagens pela Ásia Central, em busca de conhecimentos ocultos e crescimento interior.

Quase 40 anos após seu lançamento, o filme ganhou um novo corte em 2016. Em entrevista que acompanha a nova versão do blu-ray, o diretor Peter Brook explica que se envolveu no projeto a partir de um convite de Jeanne de Salzmann (1889-990), uma das principais discípulas de Gurdjieff. “Ela estava envolvida em todos os aspectos do projeto desde o início, da distribuição ao casting, em todos os elementos técnicos”, conta o diretor. “Madame de Salzmann, que nunca parecia satisfeita com algo de fato, sentiu que o filme não era de nenhuma maneira o filme que ela desejava fazer. E isso deixou uma questão para nós, o que nos permitiu, há alguns anos, dizer: ‘Vamos voltar ao material e ver se podemos encontrar maneiras de desenvolver o que tínhamos’. E nesse ponto se tornou muito claro em que momento o filme perdeu seu caminho essencial. Pois a história realmente importante é a de uma criança única e extraordinária que desperta para a necessidade de fazer uma busca, e que ela não pode fazer essa busca sozinha.”

O boulevard do crime
Les enfants du paradis
Marcel Carné | França | 1945, 189', DCP

6/11, quarta, 19h
29/11, sexta, 16h

Na Paris dos anos 1840, no bulevar du Temple, também conhecido como bulevar do Crime, quatro homens se apaixonam pela atriz Garance. Entre eles, o mímico Baptiste.

O título original, Les enfants du paradis [Os filhos do paraíso], faz referência ao andar mais alto do teatro, com os ingressos mais baratos e a visão menos privilegiada do palco, conhecido como “paradis” [paraíso] ou “poulailler” [galinheiro]. Em entrevista concedida em 1945, Carné comenta que o filme é uma homenagem ao teatro: “Tentamos traçar a vida dos atores Frédérick Lemaître e Baptiste Debureau no começo, também a de um dândi da época, famoso no bulevar do Crime, Lacenaire. Mas, se os personagens realmente existiram, a ação é imaginada.”

Considerado uma das obras clássicas do cinema francês, o filme é uma das parcerias entre o diretor Marcel Carné e o escritor Jacques Prévert e foi realizado durante o período da ocupação nazista na França. Como o Regime de Vichy havia imposto um limite de duração para longas-metragens, foi lançado em duas partes. O cinema do IMS exibe as duas partes em conjunto, com um intervalo de 15 minutos entre elas.

[Íntegra da entrevista de Carné, em francês]

Os palhaços
I clowns
Federico Fellini | Itália, França, Alemanha Ocidental | 1970, 92', 35 mm

8/11, sexta, 20h
22/11, sexta, 20h

A figura do palhaço é examinada por Federico Fellini em uma mistura de imagens documentais e fantasias subjetivas. Desde seu primeiro encontro com o picadeiro, quando criança em Rimini, o diretor mistura a história do circo, da Itália e de sua própria biografia, a partir das diversas representações, clássicas e populares, do palhaço.

Os palhaços foi distribuído comercialmente no Brasil em 2001. Na época, José Geraldo Couto escreveu sobre o filme na Folha de S. Paulo “É quase inacreditável que uma obra tão rica e essencial como I clowns , de Federico Fellini, tenha permanecido inédita no Brasil por mais de 30 anos.

Nessas três décadas, o filme ganhou entre os cinéfilos uma aura quase mítica, reforçada pelo estranho título que combina o artigo italiano " i" (os) e o substantivo inglês "clowns" (palhaços).

O filme surgiu como uma proposta de documentário para a TV. Mas, sentindo-se incapaz de um retrato objetivo, Fellini decidiu fazer o que chamou de ‘paródia de documentário’. Realizou, na verdade, bem mais que isso. O filme é uma misturasui generis de ficção, documentário e depoimento pessoal – uma estrutura livre e híbrida que só encontra paralelo em Roma, rodado logo depois.”

[Leia o artigo completo de José Geraldo Couto]

Sábado
Ugo Giorgetti | Brasil | 1994, 85', Arquivo digital

9/11, sábado, 20h
26/11, terça, 20h

Num sábado quente, uma equipe de filmagem vai ao Edifício das Américas, no centro de São Paulo, rodar um comercial de perfume. Paralelamente à filmagem, dois funcionários do Instituto Médico Legal buscam um cadáver no edifício.

Sábado é parte do período do cinema brasileiro chamado de Retomada, marcado pela volta das políticas de fomento à indústria após o desmonte operado pelo governo do presidente Fernando Collor de Mello no início dos anos 1990.

Durante seu lançamento comercial, em 1995, Sábado levou 155 mil espectadores aos cinemas. Na Folha de S. Paulo, Inácio Araujo escreveu que o filme mostra um país “ineficiente” e “atabalhoado” e aponta para a questão de classes sociais: “É uma vivência e um olhar bem paulistanos, ao juntar no mesmo espaço experiências contraditórias, opostas, em que dois brasis se espelham e se interrogam. É um filme de humor inquieto, que assume seus riscos e sabe administrá-los”. Já Hugo Sukman, no jornal O Globo , considerou o filme “paulista demais”: “Apesar de a comédia ser bem urdida, sobretudo pelo elenco engraçado, a visão social do Brasil é essencialmente paulista. A divisão entre ricos e pobres que não convivem no mesmo espaço e são obrigados a conviver, a absoluta ignorância de uns em relação aos outros, é impensável em uma cidade como o Rio, que tem favelas ao lado das habitações mais caras. Sábado, por isso, deve ser visto como a visão particular que São Paulo tem do Brasil.”

[Leia a crítica completa da Folha e a do Globo, disponível para assinantes]



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