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Chico Albuquerque e a fotografia de publicidade em São Paulo

08 de abril de 2014

A publicidade brasileira dos anos 1940 e 1950 é marcada por um intenso processo de profissionalização e internacionalização do setor, em especial no período pós-guerra.

A Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) surge no final dos anos 1940, e a Escola de Propaganda é criada em São Paulo em 1951. A presença da publicidade e da propaganda nos meios de comunicação cresce nesse período devido ao desenvolvimento industrial, associado às melhorias do parque gráfico brasileiro e à crescente circulação de revistas ilustradas de abrangência nacional – como O Cruzeiro e Manchete, ou mesmo a edição brasileira da Reader’s Digest, chamada de Seleções, com suas páginas de anúncios –, bem como à inauguração, em São Paulo, da TV Tupi dos Diários  Associados de Assis Chateubriand, em 1950.

É nesse contexto que Chico Albuquerque inicia, em 1949, seu trabalho pioneiro junto às agências de publicidade nacionais e internacionais instaladas em São Paulo, como J.W. Thompson, Standard, McCann, Lintas, Alcântara Machado e outras.

Considerado o melhor fotógrafo de estúdio de São Paulo, sua excelência no retrato o levaria a fazer a melhor transição possível naquele momento de incorporação da fotografia nas peças publicitárias brasileiras. Seu conhecimento de iluminação e o domínio das técnicas fotográficas tradicionais de estúdio permitiram que ele enfrentasse sem dificuldades os novos desafios trazidos pela fotografia de produtos e pela direção de cena de modelos nas diversas campanhas de publicidade e propaganda que realizou. Com isso, construiu, junto com os profissionais de propaganda do período, as bases da nova fotografia publicitária brasileira.

 

O Estúdio Chico Albuquerque

O sucesso do trabalho de estúdio de Chico Albuquerque pode ser aferido pela notícia publicada no Boletim do Foto Cine Clube Bandeirante de agosto de 1949, sobre a reabertura do Stúdio Gaspar Gasparian, do próprio FCCB:

O Diretor Fotográfico, F. A. Albuquerque, [brindou] a assistência com uma belíssima aula sobre fotografia no studio, inteiramente ilustrada com demonstrações práticas. Desnecessário esclarecer que, na matéria, Albuquerque sente-se como peixe na água. Não fosse um dos maiores fotógrafos brasileiros e dono do melhor studio do país… [transmitiu] utilíssimos ensinamentos sobre o emprego da câmera e das lentes, sobre iluminação e (o que constitui a nota de sensação) sobre o tratamento de modelo.

Deve-se ressaltar, assim, seu papel na construção de séries de alta qualidade de retratos em estúdio de aspirantes a modelo, que serviram, nos primeiros anos da fotografia em publicidade, para formar um arquivo de possíveis opções para os diretores de publicidade na escolha dos modelos que melhor se adequassem a suas campanhas. Diversos artistas iniciaram suas trajetórias como modelo no Estúdio Chico Albuquerque, como Odete Lara e Regina Duarte, entre outros.

Campanha “Novo toque de bom gosto na moderna paisagem brasileira”, Simca Chambord, c.1960. Brasília – DF. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

Campanha para a máquina de costura Singer, 1959. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

Campanha para o liquidificador Walita, 5/8/1960. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

Campanha para a câmera Kodak Rio-400, 20/6/1965. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

Campanha para o automóvel Kombi, Volkswagen, 27/5/1964. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

Campanha para o automóvel Kombi, Volkswagen, 27/5/1964. Foto de Chico Albuquerque / Acervo IMS

 

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