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Dia de celebrar Drummond  

05 de outubro de 2016

Todos sabem que o poeta Carlos Drummond de Andrade faz parte da memória literária e afetiva do brasileiro, que costuma usar naturalmente seus versos para falar do cotidiano. Um problema surgiu? Lá vem “No meio do caminho tinha uma pedra…” pontuar a situação. Apareceu uma dúvida? É a deixa para “E agora, José?” Longe de banalizar a poesia do escritor itabirano, que foi ainda um mestre da crônica, as citações mostram o quanto o autor de A rosa do povo, Claro enigma, Fazendeiro do ar, e Fala, amendoeira, entre tantos outros livros, é adorado e popular. Merecedor de muitas homenagens, incluindo as que acontecem anualmente em torno de seu aniversário, dia 31 de outubro. Criado pelo Instituto Moreira Salles em 2011, o Dia D (de Drummond) reúne público e estudiosos para celebrar a obra do mineiro em eventos que evidenciam o importante lugar do autor na literatura nacional. Além de promover atividades na própria casa da Gávea, o IMS – que também desde 2011 guarda parte do acervo do poeta, formado por biblioteca com 4.500 livros, mais de 400 cartões-postais e 3.500 documentos, entre fotografias, recortes de jornais e outros papéis – convida parceiros e amigos a se juntarem à comemoração da data em todo o país (a programação pode ser encontrada no site do evento).

 

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

Em 2016, a homenagem no IMS-RJ acontecerá dia 29, sábado, a partir das 15h30, com leitura e comentários de poemas de Drummond feitos por Luciano Rosa, doutor em literatura brasileira pela UFRJ e autor do posfácio de A vida passada a limpo (Editora Companhia das Letras, 2013), do escritor mineiro. A atividade é promovida pelo Clube de Leitura do IMS. Às 17h, o músico, compositor e ensaísta José Miguel Wisnik fará uma aula sobre “A máquina do mundo”, poema que resume uma importante faceta da trajetória drummondiana, como ele escreve no folheto que acompanha o evento: “Diz um poema de Waly Salomão que a obra de Carlos Drummond de Andrade é ‘pico de Itabira/ que a máquina mineradora não corrói’. A referência vem bem a propósito: além de ser percorrida de ponta a ponta por um fio íntimo que a liga à história da mineração, a trajetória de Drummond, desde A rosa do povo, correu em paralelo e em surdina com a exploração destruidora do pico do Cauê, ponto destacado da paisagem natal drummondiana, ‘primeira visão do mundo’ inscrita em ‘perfil grave’ na sua memória afetiva. Entre a primeira compra da mina pelos ingleses (já assinalada em Alguma poesia, 1930) e ‘A montanha pulverizada’ (Menino antigo, Boitempo II, 1973) está ‘A máquina do mundo’, pedra totalizante no meio do caminho, núcleo secreto dessa história”.

 

JOSÉ MIGUEL WISNIK

 

Como lembra o poeta Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS e responsável pelo Dia D, “festejar o aniversário de Carlos Drummond de Andrade é, em primeiro lugar, um modo de solicitar atenção constante para uma obra inestimável. Mas acredito que é também uma maneira de trazer a primeiro plano toda a poesia escrita em língua portuguesa. É, portanto, uma festa da língua, considerada no seu âmbito mais excepcional: a poesia”, diz o organizador de Alguma poesia: o livro em seu tempo (2010), Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema (2011) e Versos de circunstância (2011). “É formidável que a cultura brasileira, mais que a literatura, tenha conseguido engendrar uma obra como a de Drummond. Somos usuários recentes da língua, mas logo chegamos a fazer Machado de Assis, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa, Cecilia Meirelles, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Caetano Veloso. Festejamos no Dia D, portanto, Drummond e todos aqueles que, reconhecendo que ‘lutar com palavras/ é a luta mais vã’, lutam, ‘mal rompe a manhã’, e nos dão um destino brilhante”.

Pedro Augusto Graña Drummond, neto e titular da obra do poeta, ao lado do irmão Luis Mauricio Graña Drummond, se diz feliz ao constatar, com o Dia D, “o quão entranhada está essa data no coração de tanta gente”. “Parodiando meu avô, em vez de ‘esquecer para lembrar’, o Dia D é o lembrar para seguir lembrando – um desses poetas queridos que souberam descrever nossa alma brasileira”.

 

Serviço

Dia D – Dia Drummond

Sábado, 29 de outubro

15h30 às 17h – Leitura e comentários de poemas de Carlos Drummond de Andrade com Luciano Rosa

17h – Aula com José Miguel Wisnik sobre o poema “A máquina do mundo”

 

Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro

Rua Marquês de São Vicente 476, Gávea

Tel: (21) 3284-7400

 

Entrada gratuita, com lugares limitados. Retirada de senhas (até duas por pessoa) na recepção 30 minutos antes do evento.

 

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