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Millôr atemporal

11 de setembro de 2017

 
Esta charge de Millôr Fernandes, parte do acervo do artista sob a guarda do IMS, circulou nas páginas da edição da revista Veja de 7 de setembro de 2005, mas a data de publicação no caso é um detalhe que não transforma a caricatura em sátira de época. Poderia, sem perder atualidade, ganhar destaque nesta semana em qualquer veículo de imprensa engajado na cobertura dos escândalos políticos que não é de hoje assolam o país. Doze anos depois, corrompidos e corruptores, delatados e delatores, juízes e interrogados já não são os mesmos, mas a crítica de humor ainda cai feito luva nesses tempos de Lava Jato.

No início de setembro de 2005, protagonizavam o noticiário das tramóias palacianas em Brasília o então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, acusado de fraude e cobrança de propina, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares embaraçado na CPI dos Correios e o operador do mensalão Marcos Valério. José Dirceu já andava pela bola sete nas denúncias de Roberto Jefferson, disputando a mesma caçapa com Paulo Maluf, acusado por um doleiro que detalhava remessas de milhões de dólares do ex-prefeito para o exterior.

Mais de uma década depois, os personagens em evidência já não são os mesmos – em 2005 Lula mantinha forças para eleger postes, o brasileiro ainda não conhecia o empresário Joesley Batista e não podia imaginar que o deputado Geddel Vieira fosse tão desastrado na guarda da propina que amealhava na política –, mas a charge do Millôr permanece irretocável na definição da cara de pau dos homens públicos brasileiros flagrados com a boca na botija.


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