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Resgate de Chiquinha Gonzaga

17 de outubro de 2015

O Instituto Moreira Salles (IMS), guardião do acervo da compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935), disponibilizou os manuscritos e as primeiras edições das partituras de Chiquinha Gonzaga gratuitamente na internet.

Já estão online mais de 500 arquivos em formato PDF que perfazem a maior parte de suas composições, incluindo clássicos como o maxixe Corta-jaca, a modinha Lua Branca, a polca Atraente e a marchinha de carnaval Ó Abre Alas, primeira composição do gênero no Brasil, composta ainda no século XIX. Porém sua obra vai muito além, valendo-se de gêneros desde a música cômica até a música sacra.

 

Exemplo de um manuscrito de Chiquinha Gonzaga

 

Esta iniciativa irá facilitar o trabalho de pesquisadores interessados na obra da primeira Maestrina brasileira, oferecendo um vislumbre inédito sobre seu processo de composição.

Em um dos manuscritos, por exemplo, que integra a opereta Zizinha Maxixe (1895), podemos ver o momento exato em que seu famoso maxixe Corta-jaca nasceu. Ao final da partitura, Chiquinha escreveu: “Arre!! São 3 e um quarto da manhã! Estou cansada, vou dormir… Felizmente acabei – os galos cantam”. Esta música teria um sucesso estrondoso, chegando a ser executada ao violão pela primeira dama Nair de Teffé em 1914, no Palácio do Catete, o que causou uma grande polêmica na época.

 

 

Nos manuscritos, que em sua maioria foram grafados pela própria Chiquinha, há peças para piano solo, piano e canto, e também para orquestra.

Além deles, há diversas primeiras edições de músicas publicadas durante a vida de Chiquinha Gonzaga, que representam documentos de imenso valor para compreendermos a evolução da própria música Brasileira, pois sua carreira abrangeu um período de mais 50 anos, entre 1877, quando estreou como compositora profissional, até 1933, data de sua última peça.

 

 

 

Acervo Digital Chiquinha Gonzaga

Complementando esta iniciativa, o Acervo Digital Chiquinha Gonzaga (ADCG), coordenado por Wandrei Braga e Alexandre Dias, que disponibilizou online todas suas músicas avulsas em 2011 em nova edição revisada, agora está prosseguindo com o resgate de suas operetas. Chiquinha escreveu a música para mais de 50 peças teatrais, que ainda permanecem inéditas em sua quase totalidade.

O ADCG também disponibilizou gratuitamente três novas operetas em edição revisada: A Corte na Roça (a primeira a ser encenada, em 1885. A música agradou tanto, que Chiquinha foi presentada com um broche de ouro contendo uma pauta musical com a melodia de um dos números da opereta); Forrobodó (sua opereta de maior sucesso, que foi reencenada diversas vezes, sendo a mais recente delas em 2013); e Zizinha Maxixe (dentro da qual nasceu seu famoso maxixe Corta-jaca, que depois ganhou vida própria como peça avulsa). Além dessas, já estão disponíveis desde 2014 outras três operetas na íntegra: Depois do Forrobodó (continuação da opereta Forrobodó), Festa de São João (sua primeira opereta, que nunca foi encenada) e Manobras do Amor (cujo libreto é de Osório Duque Estrada, autor da letra do Hino Nacional).

Estas edições digitais foram possíveis graças ao patrocínio da EMC Corporation, por meio de um edital internacional no qual o projeto ficou em segundo lugar, e também graças à parceria com o Instituto Moreira Salles, que cedeu acesso aos manuscritos destas operetas.

 

Veja os manuscritos e as primeiras edições das partituras de Chiquinha Gonzaga.

 

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