O Instituto Moreira Salles lança a publicação A hora e o lugar, uma caixa com cinco ensaios fotográficos realizados entre 1919 e 1974 por fotógrafos que fazem parte do acervo IMS: Alice Brill, Guilherme Santos, Jorge Bodanzky, Luciano Carneiro e Otto Stupakoff. Muito diversos entre si, mas com a intenção de registrar os acontecimentos no calor do momento, as fotografias vão do carnaval carioca aos campos de batalha; de uma São Paulo em desenvolvimento à Amazônia; do Brasil ao extremo oriente.

Em Rio de Janeiro, 1919-1932, Guilherme Santos anda pela avenida Rio Branco, percorrida ora por cortejos de Carnaval em 1919 e 1928, ora por revolucionários em 1930. Fotógrafo amador de paisagens e cenas cariocas, foi também pioneiro da introdução no Brasil da fotografia estereoscópica, técnica que aprendeu numa viagem que fez à Europa, em princípios do século XX.

Deixando de lado a fotografia de estúdio, Alice Brill registra em São Paulo, c. 1949-1954 a nova face urbana da capital paulista, às vésperas de seu quarto centenário. A cidade era um canteiro de obras, e sua populção crescia de 2 milhões para quase duplicar em uma década. Este ensaio percorre as linhas da cidade em seu avanço incessante e desmedido.

Jovem estrela de O Cruzeiro, Luciano Carneiro mergulha no turbilhão da guerra para capturar as cenas terríveis de Coreia, 1951. Carneiro fotografou a cidade de Seul destruída, pulou de paraquedas com soldados norte-americanos, registrou o começo das negociações em Kaesong e retratou militares feridos, prisioneiros de guerra e civis em fuga. Este livro foi concebido a partir das 147 ampliações de época cedidas em 2012 pela família do fotógrafo ao IMS. Essas fotografias, por vezes muito danificadas, constituem um dos poucos conjuntos significativos da sua obra que sobreviveram ao tempo.

No final da década de 1960, Otto Stupakoff, um autêntico globetrotter, viaja por Fiji, Taiti, Indonésia, Vietnã, Índia, Irã e finalmente à Europa antes de voltar a Nova York, onde se estabelecera em 1965. É na capital vietnamita, Saigon, que o fotógrafo irá registrar ciclistas e transeuntes em uma “busca da beleza”, como ele mesmo falava, que pode ser conferida em Saigon, 1967-1968. Nessa época, Stupakoff começava a se consagrar como fotógrafo de moda, trabalhando para grandes revistas norte-americanas, especialmente para a Harper’s Bazaar.

O ensaio Brasil, 1964-1974, de Jorge Bodanzky, foi produzido em inúmeras viagens que fez pelo país para desenvolver trabalhos comissionados. Por se tratar de um registro pessoal, não havia um rigor formal e nenhuma preocupação em esconder o veículo que o transportava. Sempre com a câmera na mão e a luz disponível, as fotografias apresentam um país variado e um sentimento de pé na estrada.