Crisálidas traz ao público fotografias de artistas, travestis, transformistas e personagens do teatro underground paulistano. São imagens feitas por Madalena Schwartz durante a década de 1970, período ao mesmo tempo repressivo – em decorrência do regime militar – e transgressor – graças à efervescência de temas ligados à liberdade sexual que começavam a ter relevância e visibilidade.

Interessada pela androginia e pelo transformismo, temas que serviam de matéria-prima tanto para showstriviais de travestis como para uma leva de artistas inovadores, como os Secos & Molhados e os Dzi Croquettes, Madalena passou a frequentar bares e boates homossexuais paulistanos, ficou próxima a vários artistas desses grupos, bem como a figuras ligadas a eles, e os fotografou. A fotógrafa ficou fascinada pela excentricidade revelada tanto nas expressões faciais como na forma de se vestir. Na maioria das vezes, as fotografias eram feitas num estúdio improvisado em seu apartamento no edifício Copan, onde estabelecia com os retratados uma relação de proximidade, o que explica parte da força dessas fotos.

Madalena Schwartz (Budapeste, 1921-São Paulo, 1993) emigrou duas vezes. Em 1934, órfã de mãe, foi viver com o pai na Argentina; em 1960, casada e mãe de dois filhos, mudou-se para o centro de São Paulo. Viveu na cidade até sua morte. Não reconhecia no ato de fotografar a realização de uma arte, e sim uma etapa da luta por reconhecimento que todo imigrante deve vivenciar ao chegar a um país novo. A obra da fotógrafa no acervo do ims, com mais de 16 mil imagens, é composta por retratos de paulistanos das décadas de 1970 e 1980, além de rostos anônimos registrados em viagens pelo Norte e Nordeste do país. Algumas de suas fotos mais conhecidas são retratos de artistas plásticos, músicos e intelectuais brasileiros, como os de Sérgio Buarque de Holanda e seu filho Chico Buarque, Clarice Lispector, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade.