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AUDIOdescrição

Walter Firmo

no verbo do silêncio a síntese do grito

01 Abertura e apresentação

Walter Firmo
Nascido em 1º de junho de 1937 no Rio de Janeiro, Walter Firmo conta que desde garoto sonhava em fotografar. Ingressou no fotojornalismo em 1955, como aprendiz, no jornal Última Hora, e não parou mais. Trabalhou em diversos jornais e revistas e construiu uma carreira longeva, reconhecida por prêmios. Um deles foi o Esso de Reportagem, em 1963, conquistado por “Cem dias na Amazônia de ninguém”, matéria publicada no Jornal do Brasil com fotos e texto seus. Chamado de “mestre da cor”, Firmo é autor de retratos memoráveis de ícones da música brasileira como Pixinguinha, Dona Ivone Lara, Cartola. Outra vertente bastante conhecida de seu trabalho são as imagens de festas populares registradas por todo o Brasil, do carnaval do Rio de Janeiro ao bumba-meu-boi no Maranhão. Desde 2018 o IMS abriga, em regime de comodato, aproximadamente 155 mil fotos feitas por Firmo ao longo de várias décadas. (Foto: Walter Firmo, Nazaré da Mata, PE, 2014 circa)

As câmeras pesadas e os filmes em chapa, usados no final do século XIX, eram difíceis de transportar. Assim, exigiam o ritual da pose. O material fotográfico sobre a Revolução Federalista, a guerra civil que se estendeu pelo Sul do país entre 1893 e 1895, é disperso e de autoria variada. Muitas vezes sem identificação. O conflito tinha dois lados: os legalistas, conhecidos como pica-paus, e os rebeldes, chamados de maragatos. Ambos contratavam estúdios fotográficos da região para retratar seus líderes e tropas. Os combatentes muitas vezes posavam com armas em punho, exibindo sua bravura e seu potencial bélico, mesmo que esse se resumisse a um facão.

Este retrato de grupo foi feito pelo fotógrafo paraense Affonso de Oliveira Mello e mostra a degola de um prisioneiro. A posição dos homens armados, olhando estáticos para a câmera, segue os padrões de retratos oficiais da época. Ao centro, o “cabo-carrasco” Sebastião Juvêncio segura com firmeza a cabeça da vítima para expor seu pescoço. E encara a câmera com seriedade, numa atitude de enfrentamento. Uma anotação no verso da fotografia original conta que a imagem não foi apenas uma encenação. Registra uma execução real, que ocorreu em abril de 1894, na estação ferroviária de Ponta Grossa.

Não é possível saber com certeza se o prisioneiro condenado é um pica-pau ou um maragato. Durante os dois anos e meio da Revolução Federalista, a degola foi utilizada como arma de guerra pelos dois lados do conflito. Neste período, cerca de 10 mil pessoas morreram, sendo pelo menos mil degoladas. Era mais prático executar o inimigo do que mantê-lo prisioneiro, e a degola economizava munição.

Apresentamos aqui uma reprodução ampliada da imagem original, pertencente à Fundação Biblioteca Nacional, que, por razões de preservação, não pode ser exposta ao público.