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Cronologia Haruo Ohara

Os pais de Haruo Ohara vieram para o Brasil em 1927, trazendo sementes e enxadas na bagagem. Oriunda da província de Kochi, no sul do Japão, a família era composta por dez pessoas. Ao desembarcar, Haruo, que estudava para ser professor, acabara de completar 18 anos. Os Ohara foram mandados para Cotia, no interior de São Paulo, onde plantaram batatas. Depois, foram mais ou menos seis anos trabalhando nas lavouras de café de Santo Anastácio, próximo a Presidente Prudente.

1909-1940

1909: Nasce, no dia 5 de novembro, Haruo Ohara, primeiro dos seis filhos de Kuniju com Massaharu Ohara.

1927-1928

Em 17 de setembro, as famílias Ohara e Tomita (família amiga e vizinha) partem do porto de Kobe para o Brasil, no navio Hawaii Maru. Depois de chegar ao porto de Santos, em 14 de novembro, são encaminhados para uma lavoura de batatas em Cotia. Em dezembro, Oharas e Tomitas mudam-se para Santo Anastácio, interior de São Paulo, para trabalhar em lavoura de café.

Hikoma Udihara (conterrâneo da mesma província de Haruo Ohara, no Brasil desde 1910 e responsável pela fundação de vários núcleos coloniais de imigrantes do Japão) contata os Ohara, como corretor de imóveis e agente da Cia.de Terras Norte do Paraná.

1929: Em dezembro, caravana de 11 pioneiros (entre eles Massaharu Ohara e Massahiko Tomita) parte para conhecer o projeto da Cia. De Terras Norte do Paraná (que seriam loteados e povoados por estrangeiros de várias etnias).

1930: Em 28 de março, Massaharu Ohara adquire o lote 1 (20 alqueires, juridicamente registrado como Chácara Arara), e Massahiko Tomita, o lote 2 da Gleba Cambé (atual Jardim Santos Dumont, em Londrina-PR), área reservada aos japoneses.

1933: Em agosto, Oharas e Tomitas mudam-se finalmente e tomam posse de suas terras (os três anos de espera foram para poupar dinheiro), formando a Colônia Ikku, em Londrina-PR. Igualmente adquirido na Gleba Cambé, o lote 26 (10 alqueires) era ocupado pela família Sanada (o casal Kihei e Saki e os seis filhos: Toshio, Kô, Hitoshi, Mitsue, Yukie e Yoshio), emigrada de Fukushima, em 1925. Chegavam da Alta Mogiana (lavoura de café nas fazendas de São José do Rio Pardo).

1934: Em 27 de maio, noivado de Haruo Ohara e Kô Sanada. Em 17 de junho, casamento de Haruo e Kô, fotografado por José Juliani (funcionário da Cia. de Terras, que introduziu Haruo Ohara no mundo da fotografia).

1934: Em agosto, casamento de Masa (irmã mais velha de Haruo, então com 19 anos) com Yoshio (o irmão mais velho de Kô) em um acordo entre as famílias.

1935: Nascimento da primeira filha, Tomoko.

1936: Nascimento do segundo filho, Hirak.

1938

Primeira fotografia de Haruo Ohara: Retrato de Kô junto a um pé de laranja, feita com a pequena câmera adquirida de J.Juliani, que lhe passou os primeiros ensinamentos sobre a arte fotográfica.

Data da imagem de Haruo Ohara carregando enxada e uma câmera a tiracolo.

Em março, nascimento da terceira filha, Kazuko.

1940

Nascimento da quarta filha, Toyoko.

Entre 1938 e 1940, já existia a estrada de ferro, e Londrina e outras cidades vizinhas já estavam estabelecidas. Japoneses batizaram Londrina de “Colônia Internacional”, tal a diversidade de nacionalidades dos trabalhadores colonos do local.

1941-1970

1941: Nascimento do quinto filho, Sunao.

1942: O Japão passa a ser inimigo do Brasil, e a situação dos imigrantes japoneses (bem como dos italianos e alemães) se complica (há fechamento das escolas, proibição de jornais e rádios, proibição de livros em japonês, circulação proibida sem salvo-conduto, e até a língua – o nihongo – foi proibida em público).

1943

Nascimento da sexta filha, Rosa Sigueco (início da obrigatoriedade do nome brasileiro).

Leitor voraz e autodidata, Haruo Ohara torna-se líder e conselheiro da colônia, decidindo e agindo empiricamente, como ao vacinar os colonos contra a varíola, preventivamente.

1945: Nascimento do sétimo filho, Pedro Kazumoto.

1946: Nascimento do oitavo filho, Ciro.

1948

Nascimento da nona e última filha de Haruo e Kô, Maria Etuko.

A derrota na guerra gera grande hostilidade aos japoneses, ameaçando inclusive sua moradia, por habitantes invasores e pelo governo, que desapropria o lote 1 e diversos outros, para desagregar a colônia.

1950: Construção de grande e sólido sobrado de alvenaria à rua São Jerônimo, número 81, na cidade, já esperando a desapropriação do lote 1. Passa a ser habitado pelos filhos estudantes dos colégios da cidade no mesmo ano, tão logo apresenta condições de moradia. Ali Haruo Ohara construiu seu diminuto laboratório fotográfico. A pequena casa de madeira pré-existente no terreno foi mantida no fundo do terreno, e receberia no futuro vários filhos recém-casados ainda sem casa própria.

1951

Em agosto, o lote 1 é desapropriado e vendido para empresa Brasil Paraná Loteamento e Colonização Ltda, que construiria o novo aeroporto da cidade e lotearia parte da terra. Plantação, pomar, jardim, casas, tudo é arrasado pelas máquinas.

Adquire um lote de terras da Gleba Ribeirão Palmital, município de Terra Boa, em sistema de parceria com outros lavradores. Era a Colônia Mineira.

Na cidade, dedica-se à fotografia. Associa-se ao Foto-Cine Clube de Londrina e ao Foto-Cine Clube Bandeirantes, em São Paulo, participando ativamente dos salões de fotografia, sendo premiado em alguns.

1956

Haruo Ohara vence o 1º Salão Nacional de Arte Fotográfica da Biblioteca Municipal de Londrina, e ganha uma câmera Voigländer Bessa. A diretora Maria González inscreve fotos de Haruo Ohara na Exposição Internacional de Fotografias de Paris, onde também é premiado, ao lado de outro londrinense, Francisco Martins Sanches.

1959

Durante o Jubileu de Prata e Londrina, acontece o 2º Salão de Arte Fotográfica da Biblioteca Pública Municipal, com a exposição de 260 fotografias de fotocineclubistas de todo o país.

Aperfeiçoa constantemente sua arte por meio de contatos com outros fotógrafos e melhoria dos equipamentos (usava 2 Rolleiflex - 1 p/neg 6x6 e outra p/4x4 - e 2 Voigländer Bessa - p/neg.6x9). Ohara saía pelos arredores da cidade com outros amantes da fotografia para explorar luz e ambientes, estudava os manuais e assinava publicações sobre técnica e linguagem (em português e japonês).

Fim dos anos 1960: Kô é acometida de rara doença, diagnosticada em São Paulo como Miastenia gravis, que lhe comprometeu todos os músculos, conservando-lhe a consciência.

Início dos anos 1970: A fotografia de Haruo Ohara passa a ser conhecida e publicada nos jornais locais.

1970: Morre Massaharu, pai de Haruo Ohara.

1972-1992

1972: Morre Hikoma Udihara, em São Paulo. Não fez fortuna, mas foi reconhecido pelo pioneirismo e ajuda aos imigrantes japoneses no Paraná.

1973

Morre Kô Ohara, mulher do fotógrafo.

Haruo Ohara, durante o doloroso luto, prepara álbuns com fotografias para cada um dos filhos, contando a história da família e as particularidades do filho presenteado.

1974: Participa da 1ª Coletiva de Arte Fotográfica da Comtour, no primeiro shopping center da cidade, cuja intenção era a venda das fotos. Foi a primeira e última vez que Haruo permitiu o comércio de suas imagens.

1975: Morre Kuniju, mãe de Haruo, com 85 anos, em Londrina.

1976: Grande prejuízo causado pelo genro Eiji (marido da 1ª filha, Tomoko), obriga a venda de todos os bens, exceto a casa da rua S.Jerônimo, onde residia, e uma sala de aluguel, para limpar seu nome e quitar as dívidas do genro.

Final anos 1970

Fotografa agora com câmera Asahi Pentax. E “como um lavrador, ainda regula seus horários de acordo com a luz do sol”.

Abandona o preto-e-branco (o laboratório é desativado) e passa a somente fotografar em cor.

Frequenta regularmente o Museu Histórico de Londrina (desde quando ocupava os porões do Colégio Hugo Simas), entre outras atividades, identificando pessoas, cenas e logradouros das imagens do acervo.

Final anos 1980: Por ocasião dos 80 anos da imigração japonesa, ocorreu não só maior divulgação e publicação das imagens de Haruo Ohara, como também grande reconhecimento da pessoa, zen, sua natureza e seus feitos pioneiros e artísticos (o satori).

1992: Para de escrever os diários, que fez e preservou regular e cuidadosamente desde que chegou ao Brasil.

1997-2013

1997: Em julho, primeira manifestação cabal do mal de Alzheimer.

1998: Primeira exposição individual de Haruo Ohara, Olhares, dentro da programação da Filo (Festival Internacional de Londrina), com curadoria do poeta Rodrigo Garcia Lopes, na Casa de Cultura de Londrina. Com grande repercussão.

1998: A expo Olhares é exibida na 2ª Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba.

1999: Em maio, o estado de saúde de Haruo piora, e é assistido por toda a família. Em 25 de agosto, falecimento de Haruo Ohara, aos 89 anos, 70 deles vividos no Brasil. É enterrado no mausoléu dos Ohara, no Cemitério São Pedro de Londrina.

2000: São exibidas 100 fotografias de Haruo Ohara, com destaque, na 3ª Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, no Solar do Barão, com curadoria de Orlando Azevedo.

2003: É publicado o livro Lavrador de imagens: uma biografia de Haruo Ohara, escrito por Marcos Losnak e Rogério Ivano e produzido pelo neto Saulo Haruo Ohara.

2008: O Instituto Moreira Salles passa a guardar o acervo do fotógrafo e realiza a exposição Japão – Mundos flutuantes, homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Há um módulo dedicado a Haruo Ohara.

2010: O Instituto Moreira Salles produz duas exposições em ocasião do centenário de Haruo Ohara: Haruo Ohara - fotografias, em parceria com o Museu Histórico de Londrina, e Haruo Ohara - forma e abstração, em parceria com o Museu de Arte de Londrina. Ainda no âmbito das homenagens ao fotógrafo, foi lançado o filme curta-metragem Haruo Ohara, de Rodrigo Grota, vencedor de vários prêmios nos dois anos seguintes.

2013

O Instituto Moreira Salles monta a exposição Haruo Ohara - fotografias no centro cultural IMS-RJ.

A Cinémathèque Française, em Paris, exibe em junho "Trilogia do Esquecimento", formada por curta-metragens rodados em Londrina e que inclui Haruo Ohara e Satori Uso, inspirado nas obra de Haruo. Os três filmes foram dirigidos por Rodrigo Grota e produzidos pela Kinoarte.

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