Cronologia Thomaz Farkas

Este texto foi adaptado do livro Thomaz Farkas – Uma antologia pessoal.

Anos 20 - Anos 40

Anos 20

Thomaz Jorge Farkas nasce em Budapeste, Hungria, no dia 17 de setembro de 1924. Em 1930, imigra com seus pais, Dézso (Desidério) Farkas e Teréz (Thereza) Hatschek, para São Paulo. Desidério já havia morado na cidade, entre 1920 e 1924, tendo fundado a Casa Fotoptica, uma das pioneiras na comercialização de equipamentos fotográficos no Brasil. Desidério retoma a sociedade da loja, da qual havia se afastado ao voltar para a Hungria.

Anos 30

Aos 8 anos, Thomaz ganha sua primeira máquina fotográfica. Os gatos da vizinhança, a família e os amigos que o acompanhavam em passeios de bicicleta pela cidade são os temas mais frequentes de suas primeiras fotografias. Em 1936, fotografa a passagem do dirigível Zeppelin por São Paulo e, em 1940, registra a inauguração do estádio do Pacaembu.

Anos 40

Em 1942, aos 18 anos, ingressa no Foto Clube Bandeirante, que passaria a se chamar Foto Cine Clube Bandeirante a partir de 1945. No mesmo ano, participa do Salão Paulista de Arte Moderna, recebendo menção honrosa por duas obras. No ano seguinte, mais duas obras suas são premiadas no II Salão Paulista de Arte Fotográfica.

Começa a estudar engenharia mecânica e elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, formando-se em 1947. Junto com colegas de curso e amigos, como os irmãos Callia, Capote Valente e o gravurista Marcello Grassmann, passa a fazer composições fotográficas surrealistas, no estilo de Man Ray. Em 1945, fotografa as comemorações pelo fim da Segunda Guerra Mundial, no centro de São Paulo. Em 1946, realiza fotos de coreografias do Balé Russo e do Ballet des Champs-Elysées, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Passa a frequentar a Sociedade Fluminense de Fotografia. No Rio de Janeiro, faz amizade com os fotógrafos José Medeiros e José Oiticica Filho. Em 1946, faz fotografias do Rio de Janeiro para reportagem da revista Rio. Inicia troca de correspondência com o fotógrafo norte-americano Edward Weston, com quem iria se encontrar em 1948 durante viagem aos Estados Unidos.

É convidado para integrar a Comissão de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e, em 1950, monta o laboratório de fotografia do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Mais tarde, iria projetar e instalar outros laboratórios fotográficos, como o Laboratório Fotográfico de Física da Escola Nacional de Engenharia do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, e os laboratórios do Instituto de Eletrotécnica da USP, do Instituto de Polícia Técnica de São Paulo e da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Casa-se em março de 1949 com Melanie Rechulski, com quem teria quatro filhos: Beatriz, Pedro, João e Kiko. Em dezembro do mesmo ano, naturaliza-se brasileiro.

Em maio de 1949, tem trabalhos exibidos em uma mostra coletiva do Museu de Arte Moderna de Nova York e sete de suas obras passam a integrar o acervo do museu. Em julho, acontece sua primeira exposição individual, Estudos fotográficos, no MAM.

Em 1950, seu filme Estudos, realizado em parceria com Luiz Andreattini e com colaboração do crítico Rubem Biáfora, é premiado no I Concurso Cinematográfico Nacional para Amadores, promovido pelo Foto Cine Clube Bandeirante. A única cópia do filme seria perdida anos depois.

Usina hidrelétrica. Farkas, Thomaz. 1945. Thomaz Farkas/Acervo IMS

Anos 50 - Anos 2000

Anos 50

Em 1951, é convidado a representar o Brasil na The Photographic Society of America, missão que voltaria a ter mais duas vezes, em 1953 e 1963.

Entre 1957 e 1959, viaja algumas vezes para Brasília, onde registra as obras da nova capital brasileira. Em 1960, fotografa a inauguração da cidade, registrando imagens da festa popular e da aclamação do presidente Juscelino Kubitschek.

Anos 60

Após o falecimento do pai, em 1960, assume a direção da Fotoptica, função que exerceria até 1987, quando a rede de lojas seria vendida. Em 1970, lança a Revista Fotoptica, com ensaios de fotógrafos brasileiros e internacionais. Em 1979, funda, com Rosely Nakagawa, a Galeria Fotoptica, primeira galeria do país dedicada exclusivamente à fotografia.

Em 1963, torna-se sócio-fundador do novo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Em 1967, torna-se membro do conselho do Foto Cine Clube Bandeirante.

A partir de 1964, inicia a produção de uma série de documentários de curta e média-metragem intitulada A condição brasileira. Coordena equipes que viajam por todo o Brasil a fim de documentar a vida da população da periferia de grandes cidades a estados do Norte e Nordeste, para posterior exibição em escolas, como material pedagógico. Farkas financia o projeto, que ficou conhecido como a Caravana Farkas, com recursos próprios. Participam dos filmes alguns jovens ainda pouco experientes no cinema, como Eduardo Escorel, Maurice Capovilla, Affonso Beato, Paulo Gil Soares e Geraldo Sarno. Até 1981, participa da produção de mais de 50 filmes, trabalhando às vezes como diretor ou diretor de fotografia. Recebe diversos prêmios em festivais nacionais e internacionais pelos filmes em que trabalhou.

Em 1968, é preso pelo regime militar sob a acusação de colaborar com a guerrilha e fica encarcerado uma semana no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão repressivo do regime militar brasileiro.

Anos 70

Passa a lecionar fotografia no Departamento de Cinema e Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Participa da I Exposição de Fotografia Jornalística, realizada em 1970 na ECA-USP. É afastado de suas funções pelo regime militar em 1974 e volta a lecionar somente em 1979. Em 1977, conclui o doutorado em comunicações na mesma escola.

Em 1975, participa da expedição científica ao rio Negro, a convite do zoólogo e compositor Paulo Vanzolini. Com o diretor Geraldo Sarno, registra sons e imagens em filme colorido, mas os negativos estragam no percurso de volta. Sobrevivem apenas suas fotografias.

Anos 80

Em 1983, casa-se com Marly Angela Mariano.

Coordena, com Cristiano Mascaro, em 1985, a mostra de fotografia Autorretrato do brasileiro - Cidade e campo, uma das salas especiais da exposição Tradição e ruptura, na Fundação Bienal.

Torna-se membro do conselho da Fundação Bienal de São Paulo, em 1987, e sócio-honorário do Foto Cine Clube Bandeirante, em 1989, e passa a integrar o conselho deliberativo da Coleção Pirelli/Masp, em 1990.

Anos 90

Em 1992, torna-se presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca Brasileira e, no ano seguinte, assume a direção da Cinemateca Brasileira de São Paulo. Em 1995, torna-se presidente do conselho da Cinemateca Brasileira.

Para comemorar os 70 anos de Thomaz Farkas, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) organiza, em 1994, a mostra O cinema cultural paulista, em que todos os seus filmes são exibidos. Em 1997, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) realiza no Rio de Janeiro a mostra A caravana de Farkas: documentários de 1964-1980.

Participa da 4ª Semana de Fotografia Cidade de Curitiba, em 1994, e passa a integrar a 6ª Coleção Pirelli/Masp de Fotografia, que é lançada em exposição no Masp, em 1996.

Em 1997, é lançado o livro Thomaz Farkas, fotógrafo (DBA/Melhoramentos), acompanhado de exposição de mesmo nome no Masp, com trabalhos produzidos nas décadas de 1940 e 1950.

Em 1998, tem obras expostas na mostra Jogadas, no Centre Régional de la Photographie Maison du Change (Nord-Pas-de-Calais, França) e realiza duas individuais: Thomaz Farkas, fotógrafo, na Casa de Cultura de Paraty (RJ), e Thomaz Farkas, na galeria Cine Charles Chaplin, em Havana, Cuba. Em 1999, a galeria ADG, em São Paulo, realiza a exposição individual Thomaz Farkas: 39 anos de fotografia, 20 anos de galeria, e suas obras integram a II Semana Fernando Furlanetto de Fotografia, no Teatro Municipal de São João da Boa Vista (SP), e a exposição coletiva Brasilianische Fotografie, no Kunstmuseum, em Wolfsburg, Alemanha.

Recebe o 4º Prêmio Nacional de Fotografia, oferecido pela Funarte em 1998, pelo livro Thomaz Farkas, fotógrafo. Em 2000, recebe a Medalha Ordem do Mérito Cultural, outorgada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em 2000, acontecem três exposições individuais da obra de Farkas: Retorno ao Fotoclube, no Foto Cine Clube Bandeirante, em São Paulo; Thomaz Farkas, na Galeria Debret, em Paris; e Thomaz Farkas, no Centro Português de Fotografia e na Imagolucis Fotogaleria, na cidade do Porto, em Portugal.

Fotografa para o Caderno Especial Comemorativo dos 40 Anos da Fundação da Capital do Brasil - Brasília, para o jornal Correio Braziliense, em 2000.

Anos 2000

Em 2001, a Galeria do Centro de Comunicação e Artes do Senac, em São Paulo, realiza exposição de sua obra dentro do V Mês Internacional da Fotografia. Participa da exposição coletiva Fotografia documental, com Cristiana Mascaro e Ed Viggiani, na Casa da Fotografia Fuji, em São Paulo, e da exposição Realidades construídas: do pictorialismo à fotografia moderna, no Itaú Cultural, em Campinas (SP) e Belo Horizonte.

Em 2002, o Instituto Moreira Salles promove a exposição Fotografias de Thomaz Farkas, no Rio de Janeiro, com imagens tiradas em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. No mesmo ano, acontece a exposição Thomaz Farkas: fotografia e lembranças, no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo. Tem obras expostas nas coletivas Coleção Petrobrás de Fotografias, Arte e futebol e Cidadeprojeto/Cidadeexperiência, promovidas pelo MAM-SP. Participa da 2ª Coleção Pirelli/Masp de Fotografia, com exposição coletiva no Masp, e da exposição coletiva Visões e alumbramentos: fotografia contemporânea brasileira da Coleção Joaquim Paiva, na Oca, em São Paulo.

É homenageado com a inauguração do Cineclube Thomaz Farkas, pelo Centro Universitário das Faculdades Integradas Alcântara Machado, UniFiam-Faam, em 2002.

A Galeria Acbeu, de Salvador, realiza em 2003 a exposição As jornadas que eu vi, dedicada a sua obra. No mesmo ano, participa das coletivas Labirintos e identidades: fotografia no Brasil 1945-1998, no Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, Compressores e condensadores, no MAM-SP, e Cuasi corpus; arte concreto y neoconcreto de Brasil: una selección del acervo del Museo de Arte Moderna de São Paulo y la Colección Adolpho Leirner, no Museo Rufino Tamayo, na Cidade do México.

O MIS-SP realiza exposição sobre sua obra em 2004Thomaz Farkas, 60 anos de fotografia, no Centro da Cultura Judaica, e São Paulo na visão de Thomaz Farkas, na Academia Paulista de Letras, são outras exposições individuais realizadas no mesmo ano em São Paulo. Em maio, tem obras expostas na exposição São Paulo, 450 anos, realizada pelo Instituto Moreira Salles no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo. A exposição exibe ainda trecho de um curta-metragem feito por Farkas em 1954 durante as comemorações de 400 anos da cidade. Arte jornalismo: caminhos cruzados - Fotografia, gravura e grafismo, no Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), é outra exposição que conta com obras de Farkas.

Em 2005, a Pinacoteca do Estado de São Paulo realiza a exposição Brasil e brasileiros no olhar de Thomaz Farkas.

Nos anos 2000, são lançados quatro livros dedicados a sua obra: Thomaz Farkas (Edusp/Imprensa Oficial, 2002); Thomaz Farkas, que integra a Coleção Senac (Editora Senac, 2005); Thomaz Farkas, notas de viagem (Cosac Naify, 2006); e Thomaz Farkas, Pacaembu (DBA Editora, 2008), com introdução de Juca Kfouri. Em 2008, a DBA Editora também relança o livro Thomaz Farkas, fotógrafo.

Recebe nesse período dois importantes prêmios: o Prêmio ABC, concedido pela Associação Brasileira de Cinematografia; e o Prêmio Especial Porto Seguro de Fotografia.

Em 2010, participa da exposição coletiva Agosto de Fotografia, 6º Festival Nacional, em Salvador. Desde 2007, sua obra fotográfica, com cerca de 34 mil imagens, integra, em comodato, o acervo do Instituto Moreira Salles, onde é catalogada e preservada.

O Instituto Moreira Salles realiza em 2011, nos Centros Culturais de São Paulo e Poços de Caldas, a mostra Thomaz Farkas - Uma antologia pessoal, que rende livro homônimo no mesmo ano editado pelo IMS sob os cuidados e a seleção do próprio fotógrafo.

Thomaz Farkas morre no dia 26 de março de 2011, aos 86 anos.

Outros acervos