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Sobre Ana Cristina Cesar

De personalidade inquieta, ela estudou na Universidade de Essex, na Inglaterra, onde legitimou seu talento de tradutora ao receber o título de Master of Arts (M.A.) em Theory and Practice of Literary Translation, em 1980. Desse período, resultaria Escritos da Inglaterra (ensaios e textos sobre tradução e literatura), publicado postumamente, em 1988, com organização do amigo e poeta Armando Freitas Filho, dos mais devotados estudiosos de sua obra. Entre os trabalhos de Ana Cristina Cesar mais notáveis no gênero, destaca-se The Annotated Bliss (O conto ‘Bliss’ anotado), tradução do famoso texto de Katherine Mansfield, com 80 notas explicativas, que constituiu sua dissertação de mestrado em Essex. A tradutora se encantava com o “caráter monossilábico da língua inglesa”, o que a levou ainda a se dedicar a Emily Dickinson e outros. Não foi menor sua vocação à crítica literária, coletada em Escritos no Rio (artigos, textos acadêmicos e depoimentos), em 1993, também com organização de Armando Freitas Filho.

Na tradução de Ana Cristina, a personagem Bertha Young, de Bliss, viveu um momento como se “tivesse de repente engolido o sol de fim de tarde e ele queimasse dentro do seu peito”. Tal qual a tradutora, tamanha a sofreguidão com que Ana Cristina colaborou com artigos na imprensa alternativa da época, fez resenhas e traduções e deu aulas no ensino secundário na década de 1970.

Em 1982, Ana Cristina Cesar publicou A teus pés, reunião de seus três primeiros livros: Cenas de abril, de 1979, que abre com os versos “é sempre mais difícil/ ancorar um navio no espaço”; Correspondência completa, do mesmo ano, na verdade uma única e longa carta endereçada a “My dear”, publicada em edição diamante, artesanal, no mesmo ano, e Luvas de pelica, de 1980, em formato de diário. As reedições são acrescidas de um quarto conjunto até então inédito, intitulado A teus pés, que dá título ao livro.

Ana Cristina Cesar morreu no Rio de Janeiro, em 29 de outubro de 1983. Por vontade expressa da poeta, seu acervo literário ficou inicialmente na casa de Armando Freitas Filho que, com a ajuda de Maria Luiza, mãe de Ana Cristina, e da amiga Grazyna Drabik, organizou, a partir do material, a edição de Inéditos e dispersos (prosa e poesia), de 1985.

No IMS

O Acervo Ana Cristina Cesar chegou ao Instituto Moreira Salles em quatro etapas que se sucederam entre setembro de 1999 e setembro de 2005. É formado de biblioteca de cerca de 797 itens, entre livros e periódicos, revistas de artes e teses de doutorado, catalogada; e de arquivo com aproximadamente: produção intelectual contendo 300 documentos, entre os quais anotações de leitura, crítica literária, poemas e cadernos de notas, correspondência com 40 itens, 590 recortes de jornais e de revistas, desenhos, quatro documentos audiovisuais e provas de impressão de livros. O acervo conta ainda com a máquina de escrever da poeta.

Em 1998, a editora Ática associou-se ao Instituto Moreira Salles para relançar a obra da autora, da qual foram publicados, entre outros, A teus pés e Inéditos e dispersos.

Em meio aos 301 manuscritos existentes no arquivo de Ana Cristina Cesar, a professora Viviana Bosi, da Universidade de São Paulo, localizou os conjuntos organizados pela própria poeta sob os títulos de “Prontos mas rejeitados”, “Inacabados”, “Rascunhos/primeiras versões”, “Cópias”, “O livro” e “Antigos & soltos”. Desse conjunto, resultou a seleção publicada em edição fac-similar pelo Instituto Moreira Salles sob o título de Antigos e soltos, em 2008, com organização e estudo introdutório de Viviana Bosi. Ao assumir a consultoria de Literatura do IMS, o poeta e professor Eucanaã Ferraz promoveu, em 2010, o curso “Aos pés de Ana Cristina”, em quatro aulas.

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