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Sobre Erico Verissimo

Àquela época, já tradutor de fôlego, Erico Verissimo iniciou bem-sucedida carreira de editor, convidado por Henrique Bertaso, de quem se tornaria grande amigo, para trabalhar na seção editorial da Revista do Globo, publicada pela Editora Globo na capital gaúcha. Por essa casa lançou sua obra de estreia, Fantoches, de 1932, coletânea de histórias que precedeu seu primeiro romance, Clarissa, de 1933. Cinco anos depois, publicou Olhai os lírios do campo. A narrativa, impregnada do drama do infeliz casal de médicos, Olívia e Eugênio, atingiu de tal modo os leitores que se tornou sucesso nacional e garantiu a sobrevivência da família do autor, que já contava com um casal de filhos: Clarissa, nascida em 1935, e o futuro escritor Luis Fernando Verissimo, que nasceu no ano seguinte. Em 1941, viajou aos Estados Unidos para fazer conferências em vários estados americanos. A publicação de O resto é silêncio, de 1943, sobre um episódio trágico que ele presenciara em Porto Alegre, dá continuidade à temática da cidade, iniciada com Clarissa.

A experiência norte-americana de 1941, relatada em Gato preto em campo de neve, do mesmo ano, se repetiu mais adiante, entre 1943 e 1945, e resultou em mais um livro, A volta do gato preto, de 1946. Logo em seguida, deu início à fermentação da trilogia O tempo e o vento, que o celebrizaria, e cujo primeiro título, O continente, sairia em 1949.

Sem se descuidar da literatura infantil, lançou a coleção Gente e bichos, em 1956, antes de se dedicar a O arquipélago, o terceiro título da trilogia. Essa obra lhe consumiu cinco anos de trabalho e saiu em três tomos: os dois primeiros em 1961 e o último, louvado como obra-prima, em 1962, encerrando assim o seu projeto mais importante. A saga do Rio Grande do Sul, que parecia ter se encerrado com O tempo e o vento, foi retomada em 1971 com o lançamento de Incidente em Antares, seu último romance, à maneira do realismo mágico latino-americano.

Erico Verissimo faleceu em 28 de novembro de 1975.

No IMS

O Acervo Literário de Erico Verissimo (Alev) chegou ao Instituto Moreira Salles em 2009, proveniente da Associação Cultural Acervo Literário Erico Verissimo (Acalev). É formado de biblioteca de cerca de 1.900 itens, entre livros e periódicos, não catalogada; e de arquivo com aproximadamente: produção intelectual contendo 490 documentos, entre os quais manuscritos e datiloscritos de obras como Clarissa, O arquipélago e Incidente em Antares. Há ainda o romance inacabado A hora do sétimo anjo, além de rascunhos e notas, correspondência com 2.815 itens, 2.135 recortes de jornais e de revistas e 1.860 fotografias. Curiosamente, algumas das anotações do escritor durante o processo criativo foram feitas em inglês, língua que, por sua concisão, ele julgava ideal nesse estágio de concepção.

Em novembro de 2003, o Instituto Moreira Salles homenageou o escritor com a edição do volume nº 16 dos Cadernos de Literatura Brasileira. Em 2012, o IMS promoveu um encontro entre Luis Fernando Verissimo e o também jornalista e escritor Sérgio Rodrigues para comemorar os 40 anos de publicação do Incidente em Antares, completados em 2011.

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