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Sobre Ermelinda A. Paz

A partir de 1972, começou a trabalhar como professora de Percepção Musical da UNIRIO e passou a desenvolver intensa atividade como pesquisadora. Sua monografia As pastorinhas de Realengo obteve, em 1983, menção honrosa no Prêmio Silvio Romero do Instituto Nacional do Folclore, tendo sido publicada em 1987 pela Editora da UFRJ. Entre 1987 e 1989, ouviu diversos compositores sobre O modalismo na música brasileira, como Hans-Joachim Koellreutter, César Guerra-Peixe, Edino Krieger, Aylton Escobar e Marisa Rezende. A pesquisa resultou em livro publicado pela MusiMed em 2002.

Seu trabalho Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira ficou em primeiro lugar no concurso de monografias promovido pelo Museu Villa-Lobos/Pró-Memória/Minc em 1988. Neste ano, seu ensaio Villa-Lobos, sua vida e obra obteve o quarto lugar no concurso promovido pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pelo governo brasileiro. Ainda em 1988, conseguiu o terceiro lugar no Prêmio Grandes Educadores Brasileiros do INEP/MEC com Villa-Lobos, o educador, e publicou o livro 500 canções brasileiras, um dos mais procurados até hoje por estudantes de música (reeditado em 2010 pela MusiMed).

Em 1989, fez uma série de entrevistas com personalidades que conviveram com Jacob do Bandolim, como Elizeth Cardoso, Sérgio Cabral, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo Tapajós, Dalton Vogeler e os integrantes do conjunto Época de Ouro (Dino, César Faria, Jonas e Carlinhos). A pesquisa resultou no trabalho Jacob, um bandolim inesquecível, primeiro lugar no Prêmio Lúcio Rangel do Instituto Nacional de Música da Funarte daquele ano, e somente publicado em 1997.

Dentro da série Cadernos Didáticos da UFRJ, editou, em 1993, dois livros: As estruturas modais na música folclórica brasileira e Um estudo sobre as correntes pedagógico-musicais brasileiras. Dois anos depois, ganhou um prêmio especial da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro ao participar do Prêmio Carioca de Pesquisa Monográfica com seu trabalho Sôdade do Cordão, sobre o bloco carnavalesco idealizado por Heitor Villa-Lobos em 1940 e recriado pela equipe do Museu Villa-Lobos em 1987. Este ensaio seria publicado em forma de livro apenas em 2000, mesmo ano em que foi lançada outra de suas obras de referência para estudantes e pesquisadores: Pedagogia musical brasileira no Século XX – Metodologias e tendências, cuja segunda edição, revista e ampliada, foi lançada em 2013.

Recebeu da Câmara Municipal do Rio de Janeiro a Medalha Pedro Ernesto em 2002. No ano seguinte, foi agraciada com o Woman of Achievement Award pelo International Biographical Centre de Cambridge, na Inglaterra. Entre 2002 e 2004, participou de 18 programas da série “Compositores brasileiros” da Rádio MEC, falando sobre diversos assuntos: O modalismo na música brasileira, a trajetória das Bienais de Música Brasileira Contemporânea, Villa-Lobos e a MPB e vida e obra do compositor Edino Krieger (cuja biografia estava escrevendo). Somente em 2004 logrou publicar em livro seu estudo Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira – Uma visão sem preconceito, premiado em 1988.

No final de 2006, foi laureada com o Prêmio Lions Cultura, entregue na Confederação Nacional do Comércio do Rio de Janeiro. Em 2009 recebeu duas condecorações: a Medalha do Mérito Marechal Cordeiro de Farias, da Escola Superior de Guerra, e a Ordem do Mérito Aeronáutico. No ano seguinte, ganhou a Medalha do Mérito do Ministério da Defesa. Lançou, em 2012, pelo SESC Nacional, os dois volumes da biografia Edino Krieger: o crítico, o produtor musical e o compositor, fruto de um extenso trabalho de pesquisa iniciado em 1997.

Ermelinda A. Paz é, desde 1989, membro da Academia Nacional de Música, ocupando a cadeira nº 39, cujo patrono é Abdon Lira. Fez cursos de pós-graduação na UNIRIO, na UFRJ e na Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, como bolsista da OEA. Ocupou diversos cargos acadêmicos, entre eles: chefe da Seção Técnica de Ensino e Pesquisa do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO; chefe do Departamento de Comunicação em Artes do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO; coordenadora dos cursos de música desta mesma instituição; coordenadora de graduação da Escola de Música da UFRJ; membro do Conselho Administrativo da Fundação José Bonifácio (2003 a 2007); coordenadora da Divisão de Assuntos Psicossociais da Escola Superior de Guerra (2007 a 2009); e coordenadora do curso de Licenciatura em Música da Escola de Música da UFRJ (2010 a 2011).

Seu acervo digital, doado ao Instituto Moreira Salles em 2013, é composto em sua quase totalidade por gravações de depoimentos recolhidos durante as pesquisas feitas para suas monografias, várias delas posteriormente publicadas em livros: Villa-Lobos, o educador; Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira; Jacob do Bandolim; Villa-Lobos, Sôdade do Cordão; O modalismo na música brasileira; Júlio Mattos, um campeão vendedor de sonhos (ainda inédito em livro); Pedagogia musical brasileira no Século XX: metodologias e tendências; e Edino Krieger: o crítico, o produtor musical e o compositor.

Também fazem parte do acervo programas dos quais Ermelinda A. Paz participou como convidada (na Rádio MEC e em emissoras de televisão), além de transcrições de entrevistas (cujos áudios se perderam) e de DVDs contendo depoimentos (gravados em vídeo) de mestres de bateria de escolas de samba do Rio de Janeiro, colhidos para a pesquisa Os ritmos populares – Suas práticas nas baterias das escolas de samba e o ensino formal do ritmo na UNIRIO e na UFRJ. O acervo contém ainda todos os textos escritos por Edino Krieger entre 1950 e 1952, quando trabalhou como crítico de música do jornal carioca Tribuna da Imprensa.

Ermelinda A. Paz possui uma página na internet (www.ermelinda-a-paz.mus.br), onde disponibiliza os artigos publicados por ela em periódicos, além de quase todos os livros que escreveu.