Sobre Hans Gunter Flieg

Flieg começou a fotografar ainda na adolescência. Ao se mudar para o Brasil, tinha acabado de fazer um curso de técnicas de laboratório com Grete Karplus, no Museu Judaico de Berlim, e trazia na bagagem uma câmera Leica e uma Linhof. Logo arranjou emprego na área, inicialmente numa empresa de litografia e em seguida como fotógrafo de uma gráfica. Em 1945, ao abrir seu próprio estúdio, deu início a um período de quatro décadas de trabalhos comissionados para grandes empresas. Três anos depois, assinava todas as imagens do primeiro calendário fotográfico da Pirelli. Em 1951, foi o fotógrafo oficial da primeira Bienal Internacional de Arte, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1965, obteve a cidadania brasileira.

A obra de Flieg, composta por cerca de 35 mil negativos em preto e branco, foi adquirida do próprio fotógrafo pelo IMS em julho de 2006. Inclui também, como conjuntos paralelos à sua temática principal, trabalhos de documentação do patrimônio histórico e da cultura popular, realizados sobretudo para o Unicef, em 1971. Entre as grandes obras que documentou, destacam-se a do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a do ginásio do Ibirapuera e a das usinas hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira.

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo abrigou uma retrospectiva da obra de Flieg em 1981, em cujo material de apoio destacava-se a seguinte frase do fotógrafo, que assim fazia um balanço de sua carreira: “Talvez todas as minhas fotografias reunidas contem uma história de amor – minha descoberta do Brasil”. Em 2008, o IMS participou da organização de sua primeira exposição individual na Europa, Hans Gunter Flieg: Dokumentarfotografie ous Brasilien (1940-1970) – realizada no museu Kunstsammlungen, em sua cidade natal, Chemnitz –, e do livro bilíngue (alemão e inglês) que a acompanhou.

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