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Susan Meiselas: Mediações


Cronologia

Integrante da agência Magnum desde 1976, Susan Meiselas celebrizou-se pela cobertura de conflitos na América Central na virada dos anos 1970/80, mas seu trabalho nas últimas quatro décadas contempla uma vasta gama de temas – direitos humanos, identidade cultural e indústria do sexo, por exemplo –, sempre misturando imagens a relatos e documentos obtidos na convivência com os protagonistas de suas fotos.

1948 a 1975

Nasce em 21 de junho de 1948 na cidade de Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

1970

Conclui o bacharelado na Sarah Lawrence College, em Bronxville, Nova York.

1971

Recebe o título de mestre em educação visual pela Harvard University. Realiza a série Rua Irving, 44, em que fotografa em 4 x 5 os outros moradores da pensão em que morava em Cambridge e inclui textos em que os retratados comentam como se enxergam representados nas fotos. Trabalha como assistente de edição do cineasta Frederick Wiseman em Treinamento do exército.

1972

Torna-se consultora fotográfica no Community Resources Institute, onde desenvolve um programa para professores das escolas públicas de Nova York usando materiais visuais. Ao frequentar feiras estaduais durante o verão, encontra os shows itinerantes de mulheres, que passa a acompanhar pelos três anos seguintes.

1973

Viaja à Carolina do Sul e ao Mississippi como artista residente da South Carolina Arts Commission e da Mississippi Arts Commission. Lecionando fotografia e animação em comunidades rurais, dá início à série Retratos na varanda.

1974

Continua trabalhando na Carolina do Sul, onde desenvolve um projeto com adolescentes. Coletam histórias orais e fotográficas para a exposição A Photographic Genealogy: The History of Lando, reunindo material sobre uma vila fabril na Carolina do Sul. Participa da sua primeira exposição coletiva, Daredevils & Showgirls, no Brockton Art Center (Massachusetts), em que exibe obras focadas na vida da stripper Lena.

1975

Assume um cargo no Center for Understanding Media, New School for Social Research, em Nova York, e trabalha com educadores de estudos midiáticos em escolas públicas locais. Como consultora da Polaroid Foundation, concebe e edita Learn to See, uma compilação do trabalho dos professores usando materiais Polaroid na sala de aula. Sua primeira exposição solo, Strippers de festivais, abre na Cepa Gallery, em Buffalo; gravações em áudio feitas com as strippers, seus empresários e os espectadores acompanham as fotos.

1976 a 1980

Entra para a agência Magnum Photos em 1976. O livro Strippers de festivais é publicado pela editora Farrar, Straus & Giroux, nos EUA, e pela Éditions du Chêne, na França. Inicia a série As meninas da Rua Prince, em que fotografa garotas do bairro de Little Italy. No inverno, começa a fotografar moradores de rua do Bowery, em Nova York, homens que têm empregos temporários de Papai Noel com os Voluntários da América. A série Voluntários da América prossegue até 1978.

1977

Viaja à América Latina pela primeira vez. Visita Cuba com sete outros fotógrafos norte-americanos, graças ao Center for Cuban Studies; a ParsonGallery, em Nova York, organiza uma exposição do trabalho deles. Em maio, a Everyman Company of Brooklyn, dirigida por Ricardo E. Velez, produz uma peça chamada Strippers, baseada nas entrevistas usadas no livro. Viaja ao Chade com o fotógrafo francês Raymond Depardon para cobrir a guerra civil e a consequente crise de refugiados. Eles acompanham Bernard Kouchner, cofundador da Médicos sem Fronteiras, em uma de suas primeiras missões.

1978

Viaja à Nicarágua pela primeira vez em junho e fica seis semanas no país. Suas fotos são publicadas na New York Times Magazine sob a manchete “Motim nacional na Nicarágua” (30 de julho de 1978). Retorna à Nicarágua em agosto, logo depois de o Palácio Nacional em Manágua ter sido tomado e antes das primeiras insurreições começarem em Masaya, Estelí e Matagalpa.

1979

Faz sua primeira viagem a El Salvador com Alan Riding para cobrir para o New York Times os assassinatos de padres locais. Retorna após o golpe militar de outubro e cobre a guerra civil pelos quatro anos seguintes, inclusive a resistência popular e a Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN). Durante esse período, continua fotografando o conflito na Nicarágua, visitando os campos de treinamento sandinistas na Costa Rica e nas montanhas ao norte da Nicarágua e acompanhando a última ofensiva em Masaya e Manágua e o início da reconstrução depois da derrubada de Somoza, no dia 19 de julho. Pelas suas fotos nicaraguenses, recebe a medalha de ouro Robert Capa do Overseas Press Club. Continua fotografando na Nicarágua pelos 25 anos seguintes.

1980

Continua vivendo e trabalhando na América Central. Documenta a descoberta e a exumação das freiras americanas da ordem Maryknoll, assassinadas por esquadrões da morte de El Salvador em 4 de dezembro de 1980.

1981 a 1990

Em janeiro de 1981, Meiselas se fere numa explosão de mina terrestre perto de Suchitoto, El Salvador, enquanto cobria para a revista Time a “última ofensiva”. Viaja à Argentina para fotografar as Mães da Praça de Maio e a luta por notícias sobre os “desaparecidos”; as fotos são publicadas na edição de setembro da Life. O livro Nicarágua, junho de 1978 – julho de 1979 é publicado pela Pantheon, com edições em inglês, espanhol e francês. Em dezembro, Meiselas fotografa o desfecho do Massacre de El Mozote com o repórter Raymond Bonner. O NYT publica as fotografias em 21 de janeiro de 1982, que depois são usadas como prova nos debates no Congresso para interromper o auxílio militar dos EUA em El Salvador.

1982

Apresenta Mediações, uma exposição que desconstrói a maneira como a mídia internacional publica as fotos que ela fez na Nicarágua, primeiro na Side Gallery, em Newcastle, e depois na Camerawork, em Londres.

1983

Documenta a destruição no norte da Nicarágua pelos Contras durante a “contrarrevolução” apoiada pelos EUA, e continua fazendo extensiva cobertura fotográfica de El Salvador. Com Harry Mattison e Fae Rubenstein, edita El Salvador: trinta fotógrafos, pela Writers & Readers.

1984

É curadora da exposição Da América Central, realizada no Central Hall (NY), em parceria com a Artists Call Against U.S. Intervention in Central America. Colaborando com o Visual Studies Workshop, organiza uma turnê da exposição Por dentro de El Salvador, que começa no Museum of Photographic Arts, em San Diego, e no International Center of Photography, em Nova York, antes de viajar por faculdades, bibliotecas públicas e museus pelos dois anos seguintes. Mediações é exposta outra vez no Museu Folkwang em Essen, Alemanha.

1985

Dirige e produz, com Alfred Guzzetti e Richard Rogers, o filme Vivendo em risco: a história de uma família nicaraguense. No documentário experimental Viagens, produzido em colaboração com o diretor Marc Karlin para o Channel 4 (Reino Unido), ela é coautora da narração, em que reflete acerca do seu trabalho na Nicarágua. Viaja com Ray Bonner para as Filipinas para cobrir para o NYT a reeleição de Ferdinand Marcos.

1986

Fica por seis meses nas Filipinas acompanhando a Revolução do Poder Popular e a eleição de Corazón Aquino. Lá, cria um ensaio fotográfico sobre as “noivas por encomenda” para a New York Times Magazine. Sua obra em cores da Nicarágua integra a exposição Na linha, no Walker Art Center em Minneapolis.

1987

Continua trabalhando na Nicarágua, cobrindo o impacto da guerra dos Contras e o começo do processo de paz.

1988

Viaja à Colômbia, para documentar a violência política crescente contra defensores de direitos humanos, e ao Chile, para cobrir o plebiscito de Pinochet. Colabora com o antropólogo e cineasta Robert Gardner no seu retorno ao vale Baliem em Irian Jaya (atual Papua Ocidental), Indonésia. Viajam ao planalto para se reencontrar com a tribo indígena Dani, que Gardner filmara em 1961 para seu documentário Pássaros mortos.

1989

Continua trabalhando na Argentina e no Chile. Em julho, retorna à Nicarágua com os cineastas Richard Rogers e Alfred Guzzetti para o décimo aniversário da derrocada de Somoza. Inicia o processo de localizar os retratados nas fotos da insurreição de 1978-1979 para fazer o filme Imagens de uma revolução. Depois, fotografa trabalhadores sem documentos tentando atravessar a fronteira entre os Estados Unidos e o México, um projeto que prossegue até 1990. As fotos são expostas na coletiva Os vizinhos, no Museum of Photographic Arts, San Diego.

1990

Colabora com fotógrafos chilenos na edição do livro Chile visto de dentro (pela W. W. Norton). Fotos do seu projeto da fronteira juntam-se às suas obras produzidas na América Latina na exposição Travessias, no Art Institute of Chicago.

1991 a 2000

Em 1991, torna-se Gahan Fellow no Carpenter Center, na Universidade de Harvard, onde leciona fotografia e coedita o livro Imagens de uma revolução. Em abril, fotografa o encontro entre Danielle Mitterrand e Massoud Barzani na fronteira do Irã com o Iraque e então entra no Curdistão iraquiano pela primeira vez para documentar os vilarejos destruídos durante a operação Anfal de Saddam Hussein, em 1988. Em outubro, Imagens de uma revolução estreia no festival de cinema de Nova York. No mesmo mês, Meiselas junta-se ao projeto Women’s Work, comissionada pela Liz Claiborne Foundation, ao lado de cinco outras fotógrafas. Ela trabalha com o departamento de polícia de São Francisco (Califórnia) e a procuradoria para pesquisar casos de violência doméstica. As fotocolagens resultantes são instaladas em pontos de ônibus espalhados pela cidade em 1992, e depois publicadas na revista Grand Street como Arquivos do abuso. Retorna ao Iraque em dezembro com o antropólogo forense Clyde Snow e os Médicos pelos Direitos Humanos, para registrar a exumação de valas comuns da operação Anfal. Durante a viagem, começa a coletar a história visual do povo curdo; o projeto segue até 1997.

1992

Com o apoio de uma bolsa MacArthur, Meiselas continua trabalhando no projeto do Curdistão, organizando uma rede de pesquisadores, incluindo estudiosos curdos exilados, para reunir fotografias e outros documentos da história curda nos arquivos ocidentais e de membros da diáspora curda espalhados pela Europa. Torna-se professora em seminários de pós-graduação na Cal Arts em Los Angeles.

1993

Retorna a El Salvador em fevereiro com Ray Bonner e a equipe do 60 Minutes para a exumação no local do massacre de El Mozote. Depois, no mesmo ano, ela e Bonner vão cobrir a guerra Nagorno-Karabakh na Armênia e na República do Azerbaijão, enquanto ela continua coletando documentos de arquivos curdos em Erevan, na Armênia.

1994

Recebe o Prêmio Hasselblad, e suas fotos são expostas no Hasselblad Center em Gotemburgo, na Suécia, incluindo materiais coletados do Curdistão. Recebe o prêmio Maria Moors Cabot da Columbia University, por sua década de trabalho na América Latina.

1995

Realiza a série Caixa de Pandora, fotos da clientela de um clube de sadomasoquismo em Nova York. Recebe uma bolsa da Rockefeller Foundation para desenvolver o site akaKURDISTAN.com, como um espaço de memória coletiva e intercâmbio com o Picture Projects.

1996

Faz fotografias no Tadjiquistão e no norte do Afeganistão para o Open Society Institute, que permite que ela continue coletando fotos de curdos no Cazaquistão. Cria uma colagem, Prova/identidade, para a mostra Encarando a história, no Centre Georges Pompidou, em Paris, e todos os objetos coletados são reunidos em Curdistão: à sombra da história, na Menil Collection, em Houston, EUA, como parte da FotoFest, exposição que percorre a Europa por oito anos, com o acréscimo de materiais específicos de cada local, angariados de cada comunidade de curdos exilados. Retorna à Colômbia para fotografar “assassinos adolescentes” e também acompanha Robert Gardner, pela segunda vez, ao vale Baliem para fotografar os indígenas Dani.

1997

Vida no PS: perdendo a inocência, seu primeiro vídeo, feito com a produtora Pamela Yates, gira em torno de uma sala de emergência do Charity Hospital de New Orleans; o programa, exibido no Learning Channel, recebe o Emmy nacional de direção de fotografia. A editora Random House publica Curdistão: na sombra da história.

1998

Retorna ao México para fotografar as mulheres desaparecidas de Ciudad Juarez. Aceita a posição de professora visitante no Carpenter Center, da Universidade de Harvard. Começa a curadoria de Paredes móveis, instalações rotativas da obra de fotógrafos documentaristas, patrocinada pelo Open Society Institute.

1999

Dá prosseguimento a sua obra que trata de violência doméstica, com a procuradoria de Chicago, enquanto é pesquisadora de globalização na University of Chicago. Contribui com uma série de fotografias panorâmicas focadas em mulheres e vida urbana para a National Millenium Survey, organizada por James Enyeart.

2000

Exposição de Carnival Strippers, no Whitney Museum of American Art. Meiselas retorna à Nicarágua para fotografar vítimas de minas terrestres da guerra dos Contras, em parceria com a Handicap International.

2001 a 2010

Em 2001, organiza a exposição Da Idade da Pedra à era digital: os Dani do vale Baliem, uma história visual documentando a “descoberta” dos indígenas Dani, a relação com o colonialismo holandês e sua exposição através da fotografia. Exposta no Nederlands Foto Institut, em Roterdã, como parte do Photoworks in Progress Comission, a mostra é levada depois ao Mois de la Photo em Montreal, no Canadá. Caixa de Pandora é publicado pela Magnum Editions. Fotografa o colapso do World Trade Center no 11 de Setembro e depois colabora com o Aqui é Nova York, assim como com Nova York, 11 de setembro, uma publicação da Magnum. Participa do primeiro festival de fotografia em Pingyao, na China, com uma reinstalação da exposição Travessias. Em dezembro, retorna a El Salvador para fotografar os novos enterros em El Mozote, na data do 20° aniversário do massacre.

2002

Torna-se professora visitante da pós-graduação em jornalismo na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde leciona narrativas em multimídia até 2007. A exposição Estranhos íntimos, com obras selecionadas de Strippers de festivais e Caixa de Pandora, é inaugurada no Canal de Isabel II, em Madri, e depois levada para o FOAM, em Amsterdã.

2003

Uma instalação da sua obra produzida no vale Baliem chamada Encontros com os Dani integra a primeira mostra trienal de fotografia e vídeo do International Center of Photography, em Nova York. Dois livros com suas obras são publicados: Encontros com os Dani (ICP/Steidl) e uma segunda edição de Strippers de festivais (Steidl/Whitney), que traz um cd com as gravações originais em áudio e entrevistas antigas com Meiselas.

2004

No 25° aniversário da derrocada de Somoza, retorna à Nicarágua com murais das suas fotografias de 1978-1979, que reinstala no cenário. Coproduz com Alfred Guzzetti o vídeo Reenquadrando a história, documentando a resposta do público ao projeto. Trabalha com o Acumen Fund, um fundo global sem fins lucrativos, para documentar projetos de saúde e fornecimento de água na África e na Índia.

2005

Viaja a Portugal para fotografar a vizinhança de Cova da Moura, criando uma instalação comunitária, paralela a uma exposição chamada Espelho, espelho, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Uma instalação de Renquadrando a história integra o festival Depois do Fato: O Primeiro Festival de Fotografia em Berlim. Recebe o prêmio Cornell Capa Infinity do ICP. Documenta projetos de empreendedorismo social na Índia para o Acumen Fund.

2006

Trabalha com o Human Rights Watch para documentar a migração de empregados domésticos da Indonésia para Cingapura, o que se torna parte de um projeto da Magnum, Pessoas descartáveis, sobre a escravidão contemporânea, exibido na Haywood Gallery, em Londres, em 2008. A Comunidad de Madrid encomenda a Meiselas fotografias de imigrantes do Equador. Parte de sua exposição do Curdistão é exibida na Gwangju Biennale. Produz uma série de retratos na Colômbia e no Sudão de mulheres empreendedoras para a The Other Side of War, focando na instituição sem fins lucrativos Women for Women International. É convidada para integrar o corpo docente do mestrado em estudos fotográficos na Universidade de Leiden, na Holanda, onde leciona até 2012.

2007

A Orange Foundation encomenda a Meiselas uma documentação da educação feminina no Mali. Suas obras são expostas na Bibliothèque Nationale de Paris. Madri Imigrante, uma exposição no Canal de Isabel II, inclui fotos que Meiselas tirou da vida profissional do The Masters, um time de futebol feminino do Equador. Também fotografa na República Democrática do Congo para o filme O acerto de contas, sobre a Corte Penal Internacional. Em colaboração com a Asia Society, começa a curadoria do trabalho de fotógrafos chineses que documentam o impacto no meio ambiente da mineração de carvão. Em novembro, retorna ao Curdistão iraquiano para fotografar as transformações ocorridas no local.

2008

Em parceria com a FotoFest, Meiselas monta uma instalação multimídia do projeto de mineração de carvão, intitulado Minerado na China, no Houston Center of Photography. A Aperture e o ICP republicam uma segunda edição de Nicarágua, incluindo dessa vez um DVD com Imagens de uma revolução e Reenquadrando a história. O livro Curdistão: na sombra da história é atualizado e reimpresso pela Universidade de Chicago e distribuído a escolas e bibliotecas do norte do Iraque pela primeira vez. Produz uma retrospectiva intitulada Na história, com a curadora Kristen Lubben, incluindo três projetos seminais: Strippers de festivais, Nicarágua e Curdistão. Meiselas lidera a iniciativa, ao lado de fotógrafos membros da Magnum Photos, para formar a Magnum Foundation, e atua como presidente e diretora executiva em atividade até 2016. A Magnum Foundation promove a fotografia documental independente e aprofundada, apoiando projetos de fotógrafos emergentes e regionais.

2009

Continua trabalhando com o Acumen Fund para documentar investimentos em novos projetos liderados por empreendedores sociais na Índia, Quênia e Tanzânia. Produz o vídeo Em silêncio, a respeito da mortalidade materna na Índia, para o Human Rights Watch. Cria uma instalação multimídia, Pérola do universo, focada na identidade porto-riquenha, que é exposta na Kreyol Factory, em Parc de la Villette, Paris. Leva a exposição digital extraída de seu livro do Curdistão para ser exibida no antigo quartel iraquiano de inteligência do exército, na prisão Amna Suraka, de Sulaimaniya, no Curdistão iraquiano.

2010

A mostra Na história é levada ao Hood Museum, da faculdade de Dartmouth. Produz videorretratos com diferentes parceiros: Independência, focado numa escola para cegos em Costa do Marfim, para a Orange Foundation; Direitos humanos na moda, retratando artesãs indianas numa produção coletiva em Gujarat, para o Alba Collective; e A fome nos Estados Unidos: uma colheita fora de alcance, que trata de trabalhadores latinos imigrantes idosos, para a AARP. Meiselas desenvolve um curso de verão na NYU sobre Fotografia e direitos humanos e leciona ao lado de Fred Ritchin, treinando fotógrafos regionais do hemisfério Sul a documentarem questões de justiça social. Oferece este curso todos os verões, até 2015.

2011 a 2019

Em maio de 2011, cinco membros da Magnum começam a trabalhar em Cartões-postais da América. Cada parte do projeto reúne um novo grupo de fotógrafos membros da agência em um local diferente do país, para capturar as nuances da vida moderna nos Estados Unidos. Meiselas participa da viagem de carro inaugural pelo sudoeste do país, partindo de Austin, no Texas, e terminando numa exibição pop-up em Oakland, na Califórnia. No décimo aniversário do 11 de Setembro, ela documenta a coleção de objetos recuperados do World Trade Center, preservados pelo New York State Museum.

2012

Para Casa de imagens, o segundo capítulo de Cartões-postais da América, que envolve 10 fotógrafos da Magnum, Meiselas retrata a vida cotidiana em Hickey Freeman, uma fábrica de roupa masculina de alto padrão, no coração de Rochester. Ela se junta ao terceiro capítulo, situado na Flórida, para Loja de trocas, focado no cenário dos locais de produção da campanha eleitoral antes e depois da eleição presidencial. Meiselas é convidada a visitar Abu Dhabi para fazer uma parceria e colaborar num projeto que coleta fotografias familiares com estudantes da Universidade de Zayed, que acaba virando um livro e uma exposição, Não esqueçamos, liderado por Michele Bambling.

2013

O trabalho inicial feito na Hickey Freeman inspira Meiselas a retornar várias vezes e ganha um novo formato quando instalado em uma garagem no Look3 Festival of the Photograph, em Charlottesville, na Virgínia. 160 ações para fazer uma jaqueta reúne retratos, imagens históricas do arquivo corporativo da Hickey Freeman, vídeo, além de lembranças em áudio, num ambiente imersivo. Outro projeto colaborativo envolve cinco fotógrafos da Magnum trabalhando em Marrakech, onde Meiselas produz 20 dirrãs por uma foto, uma montagem de retratos feitos num estúdio itinerante de rua com mulheres no mercado de especiarias. Para marcar o aniversário da queda do presidente Salvador Allende, ela colabora com uma equipe de fotógrafos chilenos para relançar um e-book multimídia bilíngue de Chile visto de dentro, publicado pela MAPP.

2014

Uma continuação de Cartões-postais da América leva Meiselas a olhar o que é produzido nos Estados Unidos, focando em locais industriais ao redor de Milwaukee, e exibida no Milwaukee Museum of Art, em julho de 2014. Uma seleção de Strippers de festivais é adquirida pelo MoMA de Nova York. Uma instalação expandida de A vida de uma imagem: o homem-molotov é exibida na Galerie Lelong como parte da exposição coletiva Renquadrando a história. A instalação do homem-molotov se torna parte da mostra Conflito, tempo, fotografia, na Tate Modern, e é adquirida pela National Gallery of Art em Washington, onde é exibida na mostra coletiva A memória do tempo. Uma instalação de akaKURDISTAN é inclusa na mostra coletiva Mulheres mobilizando memória, exposta na galeria de arte contemporânea DEPO, em Istambul.

2015

A Ifa Foundation, na Alemanha, convida Meiselas para contribuir com fotos não publicadas do seu trabalho na Nicarágua como complemento de um livro em homenagem a Ernesto Cardenal, intitulado Nicaraguita, publicado por Steidl/Ifa. Por nove meses, Meiselas trabalha com Cate Muther do Three Guineas Fund para gravar o áudio e fotografar Jantar compartilhado, uma obra coletiva criada pelas mulheres encarceradas na York Correctional Institution (YCI), prisão de segurança máxima em Connecticut, EUA. A instalação foi inspirada por The Dinner Party, de Judy Chicago. A gravação em áudio se torna um complemento à exposição instalada no Elizabeth Sackler Center for Feminist Art no Brooklyn Museum. Imagens que condenam: a construção de provas visuais leva o trabalho forense de Meiselas de Koreme, no Curdistão iraquiano, para o Le Bal, em Paris. Ela retorna ao Chile para lançar uma exposição itinerante pela região de Chile visto de dentro, oferecendo a primeira oportunidade pública de a obra ser vista em mais de uma década. Começa a realizar uma encomenda da Multistory, uma pequena organização de artes da área de Black Country, no Reino Unido, e cria um projeto colaborativo com mulheres em refúgios, que começa com uma equipe de artistas fazendo parcerias para transformar suas histórias em um registro visual. Meiselas recebe uma bolsa Guggenheim para continuar trabalhando em Hickey Freeman, na sua série Feito na América.

2016

Continua seu trabalho Um quarto para elas e incorpora colagens e entrevistas com mulheres em refúgios às fotografias que faz dos cenários de seus quartos e do espaço coletivo em The Haven, uma rede de abrigos domésticos. Personaliza o aplicativo Look & Listen para a terceira edição da Aperture de Nicarágua, que usa fotos como maneiras de acionar clipes de vídeo extraídos de Imagens de uma revolução e Renquadrando a história. Meiselas monta Levando o passado adiante, contrastando seu trabalho ao longo da fronteira dos EUA com o México, intercalando imagens da Nicarágua e de El Salvador com panorâmicas da fronteira sendo atravessada e com excertos de Curdistão. Em resposta à migração massiva da Síria e da Turquia, dá uma oficina para reunir novos “livros de história” para integrar ao mapa na parede da exposição akaKURDISTAN. Visita outra vez o local do massacre de El Mozote, para o aniversário de 35 anos, e documenta as exumações que continuam ocorrendo, feitas pela eaaf, a equipe argentina de antropologia forense, para recuperar provas para processos futuros. Meiselas abandona o cargo de diretora executiva da Magnum, mas continua como presidente.

2017

O livro Um quarto para elas é lançado na Photographers’ Gallery e no evento Photo London. A TBW publica As meninas da Rua Prince, junto como um catálogo da Higher Pictures que acompanha a primeira exibição deste seu trabalho em Nova York. Meiselas é convidada como residente na American Academy, em Roma, onde colabora com o centro cultural Ararat para criar uma instalação local dos “livros de história” de refugiados curdos recentes. O livro Na linha de frente, editado ao lado de Mark Holborn, é lançado pela Thames & Hudson.

2017-2019

Susan Meiselas: Mediações, esta retrospectiva com curadoria da Fundació Tapiès e do Jeu de Paume inaugura em Barcelona no dia 10 de outubro de 2017. Vai a Paris em 6 de fevereiro de 2018 e, a seguir, itinera para o SFMoMA, em São Francisco, Califórnia, a partir de 21 de julho do mesmo ano, última parada antes de chegar ao IMS Paulista em outubro de 2019.


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