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A luta Yanomami no mundo

11 de novembro de 2019 |

Inaugurada em dezembro de 2018 no IMS Paulista, e depois de passar pelo IMS Rio, onde termina dia 17 de novembro, a exposição Claudia Andujar: a luta Yanomami vai ganhar o mundo. Em janeiro de 2020 a mostra, que tem curadoria de Thyago Nogueira, coordenador da área de fotografia contemporânea do IMS, segue para Paris, onde ocupará todo o espaço da prestigiada Fundação Cartier. Ainda em 2020 será apresentada em Winterthur, na Suíça – país em que Claudia Andujar nasceu, em 1931 –; depois em Milão, na Itália; e entre fevereiro e maio de 2021 estará na Fundação Mapfre, em Barcelona. A itinerância internacional, entretanto, pode ser ainda maior, a julgar pelo grande interesse que se mantém (e se renova) em torno da devastação da Amazônia e dos problemas decorrentes dela enfrentados pelos povos indígenas como os Yanomami, foco da mostra.

O curador lembra que as conversas sobre a itinerância estrangeira começaram em 2014, bem antes da abertura da exposição no IMS Paulista, mas certamente fatos mais recentes, como a intensificação das queimadas na região amazônica, e o discurso do governo Jair Bolsonaro contra os direitos dos povos indígenas evidenciaram a importância de A luta Yanomami. “Acho que é uma combinação de fatores. Além da leitura da obra de uma das mais importantes artistas brasileiras, também há um interesse maior hoje pela produção feminina, pela arte latino-americana, e questões como a dos povos indígenas entraram na pauta de discussão pós-colonial dos museus e instituições culturais”, observa Thyago Nogueira, que mergulhou no acervo de mais de 40 mil imagens feitas por Claudia para selecionar as aproximadamente 300 que compõem a exposição.

Criança Yanomami em pé dentro de uma oca, sob um facho de luz
Próximo ao rio Catrimani, 1974. Foto de © Claudia Andujar

 

Além dos lugares já confirmados para a itinerância, Nogueira conta que os Estados Unidos também são uma grande possibilidade, já que Claudia morou lá por dez anos, e o país teve um papel  importante na formação dela. “A primeira exposição individual da Claudia foi em Nova York, e ela conseguiu abrir portas no Brasil por causa dos contatos que tinha nos EUA. Ela também foi casada com um americano, George Love, então há muitas ligações”, lembra ele, que já iniciou conversações no país.

A exposição apresenta o trabalho realizado pela fotógrafa junto aos Yanomami entre 1971 e 1977, na região do Catrimani, em Roraima, e acompanha a luta de Claudia para proteger o povo indígena ameaçado de extinção pelas doenças, violência e degradação do ambiente trazidas pelo garimpo e pelos projetos desenvolvimentistas do governo militar. Ainda integra a mostra uma nova versão da instalação Genocídio do Yanomami: morte do Brasil (1989/2018), formatada como um manifesto audiovisual que funciona também como uma retrospectiva do trabalho da fotógrafa, com imagens feitas entre 1972 e 1984.

Outro motivo de comemoração é que o catálogo da mostra ficou entre os cinco finalistas do concurso Paris Photo-Aperture Foundation Photobook Awards, na categoria de catálogo de fotografia do ano (vencido pela artista iraniana Hannah Darabi, com Enghelab Street, a Revolution through Books: Iran 1979-1983). “Só ele ter figurado entre os finalistas já é um grande feito”, celebra Nogueira. “Tanto isso como a itinerância em tantos lugares importantes são um reconhecimento do IMS como uma instituição capaz de fazer projetos em grande escala, no mesmo nível de outras instituições internacionais. É um longo processo de construção e convencimento que estamos estabelecendo com outros museus”, observa o curador.

Acompanhando o percurso da exposição, o catálogo ganhará versões em francês, inglês e italiano, seguindo exatamente o mesmo projeto gráfico original. Na Suíça, a publicação terá um encarte com todos os textos em alemão.

Capa da versão francesa do catálogo da exposição Claudia Andujar: a luta Yanomami, de Claudia Andujar
Capa da versão francesa do catálogo da exposição Claudia Andujar: a luta Yanomami, de Claudia Andujar