O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999
Textos da exposição
A apresentação de O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999 no Instituto Moreira Salles marca um momento importante para sua Biblioteca de Fotografia, que desde 2017 reúne e disponibiliza um dos maiores acervos de livros fotográficos da América Latina, hoje com quase 20 mil itens. Espaço aberto de pesquisa, consulta e preservação, a biblioteca busca ampliar o repertório crítico e democratizar o acesso ao fotolivro.
A mostra reúne cerca de 100 livros do acervo – incluindo títulos recém-incorporados a partir da aquisição de uma coleção junto à 10×10 Photobooks, organização que se dedica à pesquisa sobre fotolivros, fundada por Russet Lederman e Olga Yatskevich – e reforça o papel do IMS como centro de referência para o estudo dos fotolivros e para a circulação de projetos de relevância internacional. Ao trazer ao público brasileiro obras que atravessam mais de um século e meio de produção O que elas viram amplifica o debate sobre a contribuição das mulheres na história da fotografia e cria novas oportunidades de pesquisa.
Ao receber esta exposição – exibida anteriormente em instituições como o Museo Reina Sofía, o Getty Research Institute, a New York Public Library e o Rijksmuseum, e que inclui também autoras brasileiras que não estavam na pesquisa original –, o IMS reafirma seu compromisso com a difusão e o estudo crítico da fotografia e dos fotolivros como patrimônio cultural.
Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do IMS
O projeto O que elas viram, uma exposição itinerante acompanhada por uma publicação e uma série de programas públicos, é um meio de despertar o interesse por fotolivros pouco expostos e pouco documentados feitos por mulheres entre 1843 e 1999, além de iniciar um processo de preenchimento dessas lacunas. A presente mostra é organizada pela 10×10 Photobooks, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é compartilhar fotolivros de forma global e incentivar sua apreciação e compreensão, em conjunto com o Instituto Moreira Salles.
Ao buscar as omissões na história do fotolivro, tornou-se necessário ampliar a definição padrão de fotolivro – um volume encadernado com ilustrações fotográficas publicado pela autora, por uma editora independente ou comercial – para incorporar aquelas que não se consideram fotógrafas ou artistas, mas que, ainda assim, montaram um “livro” composto por fotografias feitas por elas ou por outras pessoas: álbuns individuais, finas brochuras de exposição, cadernos de recortes, bonecos, zines e livros de artista, de forma mais inclusiva.
Esta edição da exposição inclui cerca de 100 livros dentre os mais de 250 volumes destacados no catálogo associado. Eles são apresentados de forma cronológica e reúnem exemplos de diversas partes do mundo. Das pioneiras – como Anna Atkins, a primeira pessoa a imprimir e distribuir um fotolivro, ou Adelaide Hanscom, a primeira mulher a fotografar um nu masculino – aos fotolivros independentes e autopublicados dos anos 1990, incluindo Passion, de Angèle Etoundi Essamba, ou Zakir Hussain: A Photo Essay, de Dayanita Singh, esta seleção permite uma maior inclusão de comunidades fotográficas anteriormente marginalizadas, incluindo mulheres, comunidades queer, pessoas não brancas e artistas de fora da Europa e da América do Norte.
A história do fotolivro foi escrita majoritariamente por homens e com foco em publicações de autoria masculina. Pouquíssimos livros de fotógrafas aparecem em antologias anteriores que documentam a história do fotolivro – e, quando aparecem, já são bastante conhecidos. Esta exposição sobre o papel das mulheres na produção, disseminação e autoria de fotolivros é um passo necessário para desescrever a atual história do fotolivro e reescrever uma história atualizada do fotolivro que seja mais equitativa e inclusiva.
Russet Lederman e Olga Yatskevich, curadoras
