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Imagens do Povo (RJ)

Programa de documentação e pesquisa fotográfica do cotidiano das favelas e de formação e inserção de fotógrafos populares no mercado de trabalho, fundado em 2004 pelo Observatório de Favelas em parceria com o fotógrafo documentarista João Roberto Ripper. Atualmente dez fotógrafos compõem o coletivo, coordenado por Bira Carvalho, formado na primeira turma.

(3) De nossas casas para as ruas


(Francisco Valdean)


(veri-VG)

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Vivemos uma situação trágica em nosso país. No fim de junho chegamos a mais de 1 milhão de contaminados e mais de 58 mil mortos pela Covid-19. A principal medida para impedir a progressão tão acelerada da contaminação e da letalidade nesses três meses tem sido o distanciamento social.

Entretanto, estar recolhido em casa não é possibilidade concreta para todos nós, sobretudo para as pessoas residentes em territórios populares. É preciso sempre lembrar que atividades aparentemente simples são essenciais para a cidade, e geralmente realizadas por moradores em favelas e periferias: da limpeza urbana ao transporte público; das entregas de alimentos e bens ao atendimento em supermercados; das farmácias aos hospitais. São trabalhadores e trabalhadoras que fazem a cidade existir no seu cotidiano e, como já sabemos, os mais expostos ao contágio da Covid-19.

O olhar de dentro de nossas casas para as ruas é reconhecer trabalhadores e trabalhadoras que permitem a muitos de nós ficarmos em casa. É afirmar que as ruas e praças nos fazem falta e precisam ser cuidadas, pois são lugares de múltiplos encontros. É sentir que sem a presença dos próximos e dos distantes seremos pessoas cada vez mais incompletas.

Os registros fotográficos desta exposição virtual são um chamado para compartilhar as possibilidades de reinventar a cidade com a vida que pulsa em nosso cotidiano e que se expressa nas ruas de nossas favelas e periferias.

Publicado em 29.6.20

(2) Ficar em casa


(Francisco Valdean)

(veri-VG)


(veri-VG)

(Rosilene Miliotti)


(Rosilene Miliotti)


(Rosilene Miliotti)

(Rosilene Miliotti)

O “ficar em casa”, preconizado como principal medida sanitária para reduzir a velocidade do contágio e evitar o colapso do atendimento hospitalar aos casos graves da Covid-19, vem provocando mudanças em nossas vidas.

Este distanciamento social vem acompanhado de situações de tensão, tristeza e melancolia provocadas por rupturas inesperadamente bruscas. É preciso todo dia reinventar a vida.  Do lavar das mãos, das máscaras e dos alimentos até a limpeza da casa, antes ações tão triviais, se tornaram fundamentais para proteção. Ficar em casa se tornou um ato de afeto precioso para fluir a solidariedade e a amorosidade necessárias para viver o dia seguinte, e o próximo também. Aprendemos que ficar em casa é cuidar de si com outros!

Cuidar dos nossos e dos outros nossos é também criar sociabilidades que nos aproximam e identificar papéis antes pouco reconhecidos ou considerados menores, como o cuidar da própria morada. Não é coincidência que o ensaio fotográfico, ao olhar para dentro de casa, revele as mulheres como protagonistas do ato de cuidar, proteger e exigir dignidade para nossas vidas. Essas mesmas mulheres são obrigadas a sair em plena pandemia para cuidar de outras casas, distantes de seu contexto familiar e comunitário, geralmente vivendo relações de trabalho em que o descuido e a desproteção são inerentes às condições impostas de subalternização de gênero e de raça.

Olhar para dentro de nossas casas é dar sentido às relações que se reconstroem nas relações de proteção e cuidado necessárias para enfrentar a brutalidade da desigualdade agravada com a pandemia. Devemos, então, entender melhor o significado de morar, como cuidar de nós e de outros. E, com isso, ampliar nossas lutas por moradas dignas para nossas existências como pessoas, famílias e comunidade.

Publicado em 25.6.20

(1) Potências futuras

(Veri VG)
(veri-VG)

(Veri VG)
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(Davi Marcos)


(Rosilene Miliotti)

Rosilene Miliotti
(Rosilene Miliotti)

Patrick Mendes
(Patrick Mendes)

(Rosilene Miliotti)
(Rosilene Miliotti)

Rosilene Miliotti
(Rosilene Miliotti)

Davi Marcos
(Davi Marcos)

(Veri VG)
(veri-VG)

Publicado em 26.5.20

Com Vidas

O programa Imagens do Povo e o Instituto Moreira Salles publicam Com Vidas, ensaio fotográfico realizado pelo coletivo de fotógrafas e fotógrafos populares associados ao programa que propõe um novo olhar sobre os impactos da pandemia de Covid-19 nas favelas e periferias.

Em nossas metrópoles e cidades, os impactos são cada vez mais intensos e dramáticos em todos os planos da vida social, econômica e cultural. A pandemia agravou a brutalidade das desigualdades sociais no Brasil, agora explicitadas radicalmente em relação ao Direito à Vida, sobretudo nos territórios e grupos populares com maior vulnerabilidade ao contágio e  previsibilidade de letalidade. No entanto, favelas e periferias não são apenas nomes, e seus moradores não são apenas números. São moradas e pessoas que constroem seu cotidiano de sociabilidades afetivas, de invenções de trabalhos e de criações estéticas, em condições desiguais de produção.

É justamente destas experiências compartilhadas de convivência que se fazem as potências do bem viver que, hoje, são mobilizadas em atos solidários para enfrentar a Covid-19 com dignidade humana e como exigência de direitos.

A casa e a rua, lugares comuns de partilhas populares, estão passando por transformações significativas em função dos agravos à saúde e do isolamento social como prevenção do contágio pelo novo coronavírus. Essas mudanças impõem aos moradores a reinvenção de suas existências em função da exposição epidemiológica, fazendo emergir laços de afeto e amizade, práticas de solidariedade e generosidade, como potências para afirmar o Direito à Vida.

Os registros fotográficos aqui reunidos buscam compartilhar momentos e movimentos que fazem a vida ganhar um sentido precioso e, por isso, reclamar seus direitos.  É com vidas que vamos superar a pandemia.

 

Curadores: Rosilene Militotti, Bira Carvalho e Jorge Luiz Barbosa

Mais sobre o Programa Convida
Artistas e coletivos convidados pelo IMS desenvolvem projetos durante a quarentena. Conheça os participantes:

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