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Contraste

Slam das Minas RJ

Slam das Minas RJ é um coletivo artístico que organiza uma batalha lúdico poética itinerante no estado do Rio de Janeiro, dando visibilidade a mulheres [héteras, lésbicas, bis, ou trans], pessoas queer, agender, não bináries e homens trans. Formado pelas poetas Andrea Bak, Moto Tai, Genesis, Tom Grito e Rainha do Verso, e ainda Débora Ambrósia (produção), Lian Tai (vídeos) e DJ Bieta (sonorização).

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Quarentena Poética

Vídeo poemas de artistas convidadas.


Tali Ifé

Re)conhecer cada músculo do meu rosto e como eles se tensionam de maneiras que eu não sei reproduzir.
Reestruturar meu corpo e sentir ele tão maior e eu tão menor em mim.
Reencontrar o cheiro de palha, de folha, de vela, de terra, do perdido, do guardado, sagrado. Mojuba.
Receber em meu ori. O rei de mim.
Ser, que me habita.
Agita meus ombros, arrepia minha cabeça, fecha meus olhos e grita...mas é no silêncio logo após o som que tu reina.
Encontrar os pensamentos que se confundem entre meus e deles, os dele sempre tão mais calmos, que me fazem perceber a diferença,
e lembrar da confusão que era mim, quando eu ainda me permitia existir, em tua ausência.
Re aprender o som com sua existência, reconectar esse corpo, tão machucado, tão errado, e saber que cada movimento nele carrega energia.
Tua energia,
supreendentemente tão minha.
Eu que sempre gostei do sol, da terra seca, do que dificilmente é tratado enquanto beleza.
A rachadura, a fenda, em que eu caio, mergulho, me rasgo e me encontro pra além de qualquer muro de pele.
Navalha que me desnuda, e me tira tudo aquilo que eu precisei um dia, e me ensina que se precisa, já começa errado.
E depois de morto:
hoje, não preciso, QUERO.
Exposto, aberto, com gosto,
A vida.
Pois eu compreendi a morte.
E é ela quem me levanta todo dia e me faz homem forte.
Com a voz mais doce, rasgando minha garganta, me destrói as dúvidas e me
constrói norte.
Ele me aponta
as chagas,
o tempo,
as falhas,
Ela me lembra
do que não se vê,
do que não se ouve,
do que não se toca,
do que me balança, e me para,
só pra me rodar depois.
Atotô! Vem devagar meu rei, que eu to aprendendo acompanhar a dança.
E eu já disse pro senhor, provavelmente eu nunca vou compreender todos os passos que o senhor me faz dar.
Eu sou dúvida. Equilíbrio é orixá.
E se um dia eu pensar em duvidar, me joga na terra pra me fazer lembrar.
Não dá dor, nem do pesar.
Mas do afeto que um dia nos foi roubado, e na sua terra eu pude encontrar.
Atotô, rei de mim
Atotô, Babá!

Mato-grossense, mora há cinco anos no Morro do Palácio, em Niterói. É poeta, performer, arteiro, curador e produtor cultural, graduando da UFF. Homem trans e bissexual de 23 anos e yawo de Omulu. Traz nos seus trabalhos reflexões sobre deslocamentos e territorialidades, gênero e sexualidade, construção de masculinidades e corporeidades, ancestralidade e espiritualidades. Acredita no fortalecimento e criação de redes e circuitos como caminho para o crescimento e potencialização de corpos periféricos e suas artes.

instagram.com/ife_tali

Eventos ao vivo

Instagram @slamdasminasrj

Quarentena poética ao vivo
Lives com a coletiva e convidadas
Domingos, 15h

17 e 31/5
7, 14 e 21/6
Slam das minas RJ
A tradicional competição valendo vaga para a final anual
24/5 e 28/6
Pocket Show com DJ Bieta e Slam das Minas RJ
Música e poesia
30/6

Mais sobre o Programa Convida
Artistas e coletivos convidados pelo IMS desenvolvem projetos durante a quarentena. Conheça os participantes:

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