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Contraste

Yasmin Thayná (RJ)

Diretora e roteirista de mais de 20 filmes, séries e clipes, entre eles, Kbela, o filme, as séries Afrotranscendence, sobre artistas negros brasileiros, e pretalab, sobre mulheres negras que trabalham e pensam as tecnologias. Dirigiu o curta independente Fartura (2019). Também é pesquisadora, professora e conferencista na área do audiovisual.

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a vida é urgente

Na falta de ar, qualquer sopro é ventania

Em 2020, o mundo experimenta uma nova pandemia, a covid-19, que, entre outras coisas, ataca o sistema respiratório. Os números sobem sem parar. Nem sempre lembramos, mas esses números são pessoas que morreram sufocadas. Pessoas que deixam familiares e amigos que não podem se despedir da última evidência física do amado, da amada... Não se pode velar o corpo, porque o vírus requer distanciamento social, mesmo no momento em que famílias precisam se abraçar na tristeza que é enterrar alguém que se foi precocemente, acometido pela doença. Ao mesmo tempo que o mundo é atravessado pela covid-19, George Floyd, homem negro norte-americano brutalmente assassinado pela polícia dos Estados Unidos, berrou por todos os ouvidos do mundo: eu não consigo respirar. Essa é a frase que atravessa corpos negros da diáspora africana. Pensando no Brasil como um país que teve o maior fluxo de africanos vindos, forçosamente, de seu continente, submetidos a todo tipo de violência física e psicológica, não fica difícil de compreender que a construção-destruição deste país se deu por um joelho em nossos pescoços bloqueando a passagem de ar. E aqui estamos, no século XXI, em 2020, elaborando um mundo onde qualquer prática política para o povo negro brasileiro passe por espaços de respiro. Afinal, quem pode respirar no Brasil? Quem pode envelhecer no Brasil? Quem pode inventar no Brasil? Correria é liberdade ou é grilhão? É possível continuar admitindo que uma vida importa mais que a outra? Por que uns respiram bem e outros morrem? Vidas negras importam. E precisam respirar.

 
A vida é urgente, 2020. 8', vídeo, colorido.
Realização: Yasmin Thayná
Voz off: Conceição Evaristo
Clarinete: Rafael Braga Lino
Música: “Jequié”, de Moacir Santos
Respiros: Brenner Oliveira, Clara Anastácia, Izabella Suzart, Lucas Sampaio, Luma Nascimento, Marta Supernova, Vitor José Pereira e Yhuri Cruz

Publicado em 22/6/2020

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