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Culturas Urbanas

Conversa

Com Beatriz Jaguaribe, Marize Malta, Luiz Antônio Simas e Salloma Salomão. Parte de 1922: Modernismos em debate

Quando

31 de maio de 2021, segunda, às 18h

Evento online e gratuito

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.

Como relativizar os conceitos europeus de modernismo e modernidade para rever a estigmatização das culturas periféricas? É uma das questões em pauta no terceiro encontro do ciclo 1922: modernismos em debate, que também justapõe as reformas urbanas realizadas em 1922 no Rio de Janeiro e as propostas estéticas da Semana de Arte Moderna de São Paulo, discute as dinâmicas da urbanização brasileira a partir do samba, do futebol e da umbanda, e pensa as culturas negras brasileiras como contranarrativas da modernidade hegemônica.

Essa conversa faz parte do ciclo de encontros 1922: modernismos em debate.

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


Programa

Mesa 5

18h às 18h30 - Os modernismos das coisa e outras coisa do modernismo
Com Marize Malta (UFRJ)

Nas artes gráficas, nos objetos utilitários, nas artes aplicadas, nas artesanias, nas manifestações populares, desde fins do século XIX ao fim do Estado Novo, faremos um passeio por algumas coisa para rever as coisa dos modernismos.

Se os conceitos de modernidade e modernismo são de matriz europeia, como relativizá-los para rever esse estigma que levou várias culturas periféricas a assumir uma posição de inferioridade? E como ultrapassar os já desgastados discursos sobre a produção artística no Brasil, que insistem em se manter hermeticamente circunscritos nas artes visuais (de certos lugares e artistas)?

Nossa proposta é discutir modernismos vistos sob o viés do que não era bem belas-artes – imagens, objetos, coisas –, mas especialmente ampliar a mirada sobre outras ações, incluindo manifestações que não se incluem em eruditismos e podem alargar perspectivas. Com isso, iremos tomar modernismos, no plural, e suas coisa, no singular, apesar de sua inegável pluralidade, no sentido de tentar abarcar atuações que não se enquadram nas regras postuladas por cultos e excluíram os “incultos”, “malcriados” e “desviados”.

18h30 às 19h - Arquivos urbanos de 1922: a disputa pelo moderno e imaginários da cidade
Com Beatriz Jaguaribe (UFRJ)

Nessa breve palestra, destaco as reformas urbanas realizadas em 1922 para a celebração da Exposição Internacional do Centenário do Brasil no Rio de Janeiro em diálogo com as propostas estéticas da Semana de Arte Moderna de São Paulo.

Ao explorar essa justaposição, enfoco a noção de arquivo urbano enquanto prática patrimonial e também como ato imaginativo. Nesse sentido, busco abordar sucintamente as seguintes questões: quais foram os apagamentos e as assombrações do passado em ambos os eventos? Quais eram as visões do futuro esboçadas no Centenário e nas propostas da vanguarda estética? Quais eram os ideários modernos em disputa e como se configuravam as relações entre elite e classes populares? Que restou materialmente e simbolicamente das reformas urbanas cariocas e dos legados estéticos de 1922?

19h às 19h30 - Debate
Mediação: Valéria Piccoli (Pinacoteca)


Vídeo

Intervalo |19h30 - 19h45

Mesa 6

19h45 às 20h15 - A cidade, o poeta e o diamante
Com Luiz Antônio Simas (escritor, professor e historiador, compositor brasileiro e babalaô no culto de Ifá)

Noel Rosa, o branco que virou sambista, e Leônidas da Silva, o negro que jogou bola, nasceram, respectivamente, em 1910 e 1913. No Brasil em que nasceram, o futebol era basicamente um esporte praticado por uma elite branca, e o samba, que começava a se configurar como ritmo e coreografia, era uma manifestação das populações afrodescendentes. O que teria acontecido na década de 1920 para que os brancos de classe média se aproximassem do samba e os negros começassem a jogar futebol? No mesmo contexto, a umbanda começava a se configurar como uma religião urbana, na encruzilhada entre a africanização do cristianismo e a cristianização de ritos africanos. Entender as dinâmicas da urbanização brasileira a partir do samba, do futebol e da umbanda, e cruzar esses processos com o Modernismo de 1922, é o objetivo da fala.

20h15 às 20h45 - A modernidade negra e o Modernismo reacionário brasileiro para além de 1822
Com Salloma Salomão (compositor, educador, ator e dramaturgo)

Entabular um diálogo sobre temporalidade que questione os limites da narrativa autoelogiosa das elites. Calibrar a lente para ver e mostrar no canto fosco da tela épica da nacionalidade, alguns signos adinkras quase nunca lindos. Formular hipóteses sobre os criadores loucos, encarcerados, favelados ou mantidos em hospícios, como Lima Barreto, Carolina de Jesus e Bispo do Rosário. Pensar as culturas negras brasileiras como contranarrativas da modernidade hegemônica.

20h45 às 21h15 - Debate
Mediação: Horrana Santos (Pinacoteca)

 

Realização


Sobre os participantes

Beatriz Jaguaribe é professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ. Foi professora visitante em várias instituições, como Harvard, Princeton e Stanford. Recebeu nomeação para as bolsa Robert F. Kennedy, do Latin American Studies Center (Harvard), Guggenheim e ICAS (NYU), e foi nomeada para a Cátedra Andrés Bello do King Juan Carlos of Spain Center, da Universidade de Nova York. Publicou os livros Rio de Janeiro: Urban Life through the Eyes of the City (2014) e O choque do real (2007), entre outros.

 

Luiz Antonio Simas é escritor, professor, historiador, educador e compositor, autor de 20 livros e de mais de uma centena de ensaios e artigos publicados sobre carnavais, folguedos, religiosidades populares, futebol e culturas de rua. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro de Não Ficção do ano de 2016 pelo Dicionário da história social do samba, escrito em parceria com Nei Lopes. Foi ainda finalista do mesmo prêmio em duas outras ocasiões.

 

Marize Malta é historiadora da arte e professora Associada da Escola de Belas Artes da UFRJ. Doutora em história (UFF) e mestra em história da arte (UFRJ), realizou estágio pós-doutoral no Instituto de Artes da Universidade de Lisboa. Líder dos grupos de pesquisa Entresséculos e Modos, é coordenadora do Setor de Memória e Patrimônio da EBA-UFRJ (Museu D. João VI, Arquivo Histórico e Biblioteca de Obras Raras) e editora assistente da revista MODOS.

 

Salloma Salomão Jovino da Silva é historiador, educador, ator, dramaturgo e músico. Mestre e doutor em história pela PUC-SP, é autor de várias publicações, como Memórias sonoras da noite: musicalidades africanas no Brasil, nas iconografias do século XIX (2002). Pesquisa teatralidades e dramaturgias negras, participou da peça Gota d’água preta (2018-2020), é autor do musical Agosto na cidade murada (2018) e atuou no projeto teatral Fuzarka dos Descalços (Prêmio Cultura Inglesa 2019), do Coletivo dos Anjos.


Como participar

Quando
31 de maio de 2021, segunda, às 18h

Evento online
Grátis, não é necessário se inscrever antecipadamente.
Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


1922: Modernismos em debate

O ciclo de encontros 1922: modernismos em debate tem o objetivo de promover uma revisão crítica da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir de uma perspectiva histórica ampla, incluirá a análise de manifestações modernistas ocorridas em outras regiões do Brasil, tais como Minas Gerais, Recife, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Moreira Salles, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e pela Pinacoteca, o evento reunirá, em dez encontros, pensadores de diversas áreas, formações, regiões e gerações.