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Contraste

Histórias da semana: O que é preciso rever

Conversa

Com Frederico Coelho, Regina Teixeira de Barros, Aracy Amaral, Ana Paula Cavalcanti Simioni, Ivana Ferrante Rebello. Parte de 1922: Modernismos em debate

Quando

29 de março de 2021, segunda, às 18h

Evento online e gratuito

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.

No primeiro encontro do ciclo 1922: modernismos em debate, o evento é revisto à luz das transformações teóricas e estéticas operadas em um século no país. Também se desloca de São Paulo, palco da Semana de Arte Moderna, para Minas Gerais, onde manifestações modernistas aconteciam em Belo Horizonte. E discute-se ainda, modernismo e gênero no Brasil.

Essa conversa faz parte do ciclo de encontros 1922: modernismos em debate.

 

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


Programa

Mesa 1

18h às 18h30 -  A Semana de cem anos
Com Frederico Coelho (PUC RJ)

A chegada do centenário da Semana de Arte Moderna, realizada no dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, faz com que o evento e seus desdobramentos – isto é, o Modernismo no Brasil – radicalize o aspecto de arquivo do movimento proposto a partir de São Paulo. Como todo arquivo – esse, quase borgeano – seus documentos se transformaram ao longo do tempo, a partir de escolhas e perguntas produzidas por diferentes pesquisadores de cada época. No âmbito do centenário da Semana (e do bicentenário da Independência) em um país em ebulição como o Brasil de 2022, o arquivo do modernismo deve ser reinventado à luz de novas perguntas? Será possível rever as narrativas tradicionais sobre o tema – personagens principais e secundários, marcos fundadores, textos canônicos, pautas políticas – à luz das transformações teóricas e estéticas do contemporâneo? Qual Brasil emergirá desse arquivo que faz, ao mesmo tempo, a síntese e a expansão das memórias ligadas à Semana de 1922?

18h30 às 19h - Encontros com o modernismo 
Nesta mesa, Aracy Amaral, autora de livros sobre o modernismo no Brasil e organizadora de livros e exposições sobre artistas modernistas, será entrevistada pela historiadora Regina Teixeira de Barros para falar sobre sua trajetória como pesquisadora do período e fazer uma tentativa de balanço sobre o sentido do modernismo às vésperas das comemorações do centenário da Semana de 1922.

19h às 19h30 - Debate
Mediação: Heloisa Espada (IMS)

Intervalo |19h30 - 19h45

Mesa 2

19h45 às 20h15 - Mulheres modernistas no Brasil: os muitos lugares dos gêneros
Com Ana Paula Cavalcanti Simioni (USP)

Na Semana de Arte Moderna de 1922 três mulheres artistas estiveram presentes: Anita Malfatti, Regina Gomide Graz e Zina Aita. Enquanto a primeira foi alçada a uma condição de centralidade na história da arte brasileira, as demais mereceram menos atenção. Enquanto o reconhecimento obtido por Anita e, posteriormente, Tarsila, parecem fazer do modernismo brasileiro bastante aberto à participação feminina, o obscurecimento das outras duas artistas merece também ser problematizado. A apresentação pretende discutir as relações entre modernismo e gênero no Brasil, em suas pluralidades e diversidades.

20h15 às 20h45 - Minas Gerais, um modernismo em surdina: Zina Aita e Agenor Barbosa
Com Ivana Ferrante Rebello (Unimontes)

Em 1920, a pintora belo-horizontina Zina Aita fez duas exposições, uma no Rio de Janeiro e outra em Belo Horizonte. Com técnicas inovadoras e um colorismo excêntrico, Aita chama a atenção de Manuel Bandeira e Ronald de Carvalho, que a convidam para participar da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922. Além de Zina Aita, o aguerrido festival de arte contou com a participação do poeta mineiro Agenor Barbosa. Eles são exemplos de como o modernismo se desenvolveu em Minas Gerais antes de 1922.

Construída a partir do fim do século XIX, Belo Horizonte foi a primeira cidade moderna planejada do Brasil. A nova capital trazia linhas urbanísticas arrojadas, inspiradas na Paris da Belle Époque e na cidade de Washington. Suas avenidas largas e progressistas, no entanto, foram inicialmente habitadas pelo povo mineiro interiorano, afeito à tradição e ao passado glorioso das Minas auríferas. Nos cafés da jovem capital mineira, misturavam-se o ardor pelas novidades que vinham da Europa e o amor pelos velhos hábitos. As revistas e os jornais da época retratam esse amálgama entre o velho e o novo: sonetos clássicos são publicados ao lado de trovas de inspiração popular e de poemas e textos feministas. Tais características, assimiladas pelo escritor Cyro dos Anjos, que chega a Belo Horizonte em 1920, são assim traduzidas: “o modernismo literário em Belo Horizonte fez-se em surdina, pois a ordem mineira, pesada e conservadora, não apreciava badernas, ainda que literárias”.

20h45 às 21h15 - Debate
Mediação:  Helouise Costa (MAC USP)

 

Realização


Sobre os participantes

Ana Paula Cavalcanti Simioni é professora do Instituto de Estudos Brasileiros da USP e membro do Institut d´Études Avancées de Nantes (2021-24). Pesquisa desde 2000 as relações entre arte e gênero no Brasil. Entre suas produções destaca Profissão artista: pintoras e escultoras acadêmicas brasileiras, 1884-1922 (EDUSP, FAPESP, reedição 2019) e Mulheres modernistas: trajetórias da consagração na arte brasileira (a ser publicado pela EDUSP). Curadora da exposição Transbordar: transgressões do bordado na arte brasileira, Sesc-Pinheiros (nov 2020-maio 2021).

Aracy A. Amaral é professora titular da FAU-USP, historiadora e critica de arte. Autora de livros e ensaios sobre arte brasileira e latino-americana, como Artes plásticas na Semana de 22 e Tarsila – Sua obra e seu tempo. Foi bolsista da FAPESP, Fundação C. Gulbenkian e detentora de bolsa de Simon Guggenheim Memorial Foundation. Curadora de exposições. Reside em São Paulo.

 

Frederico Coelho, 46 anos, é carioca, pesquisador, escritor, curador e professor de graduação em Literatura e de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade no Departamento de Letras da PUC-Rio. Se formou e fez mestrado em História no IFCS da UFRJ. No doutorado, fez Literatura, pela PUC-Rio. Publicou, entre outros livros, A semana sem fim – Celebrações e memória da Semana de Arte Moderna de 1922 (2012). Trabalhou com assistente de curadoria do MAM-Rio entre 2009 e 2011. Atualmente é diretor do Solar Grandjean de Montigny, espaço cultural na PUC-Rio.

Ivana Ferrante Rebello é professora titular do Departamento de Comunicação e Letras da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES, MG). Autora dos livros Papagaio conta a História (2010), O anel que tu me deste: Grande sertão: veredas e a história de amor que virou livro (2018) e Uma tristeza mineira numa capa de garoa. Um poeta mineiro na Semana de Arte Moderna (2020), entre outros.

 

Regina Teixeira de Barros é pesquisadora, doutora em História da Arte pela USP. Atuou como curadora na Pinacoteca (2003-2015) e coordenou a equipe de pesquisa e a edição do Catálogo Raisonné Tarsila do Amaral (2008). Recebeu prêmios da APCA e ABCA pela curadoria da mostra Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna, realizada no MAM-SP, em 2017.


Como participar

Quando
29 de março de 2021, segunda, às 18h

Evento online
Grátis, não é necessário se inscrever antecipadamente.
Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


1922: Modernismos em debate

O ciclo de encontros 1922: modernismos em debate tem o objetivo de promover uma revisão crítica da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir de uma perspectiva histórica ampla, incluirá a análise de manifestações modernistas ocorridas em outras regiões do Brasil, tais como Minas Gerais, Recife, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Moreira Salles, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e pela Pinacoteca, o evento reunirá, em dez encontros, pensadores de diversas áreas, formações, regiões e gerações.