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Identidade como problema

Conversa

Com Rafael Cardoso, Val Souza, Durval Muniz de Albuquerque Júnior e Aldrin Figueiredo. Parte de 1922: Modernismos em debate

Quando

26 de abril de 2021, segunda, às 18h

Evento online e gratuito

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.

No segundo encontro do ciclo 1922: modernismos em debate, será discutido (e desconstruído) o senso comum segundo o qual o modernismo teria resgatado a negritude do apagamento cultural, promovendo a descoberta de um Brasil profundo e autêntico. E, dilatando as fronteiras "paulistas" da Semana de Arte Moderna, o foco da segunda mesa do dia incide sobre o Norte e o Nordeste. Será abordado o movimento Regionalista e Tradicionalista do Recife e suas relações de aproximação e distanciamento estético e político com o movimento modernista; e ainda como o modernismo de 1922 atuou por obscurecer e marginalizar escritas das fronteiras nacionais.

Essa conversa faz parte do ciclo de encontros 1922: modernismos em debate.

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


Programa

Mesa 3

18h às 18h30 - A reinvenção da Semana e o mito da descoberta do Brasil
Com Rafael Cardoso (UERJ)

Ainda prevalece o senso comum segundo o qual o movimento modernista teria resgatado a negritude do apagamento cultural. Essa narrativa baseia-se em pelo menos três pressupostos capciosos: 1) que não existiam representações anteriores de sujeitos negros; 2) que as representações geradas por artistas modernistas são afirmativas da identidade afro-brasileira; 3) que o modernismo fez um esforço deliberado para efetuar esse resgate. Pode-se argumentar, ao contrário, que a consagração do movimento de 1922 desviou o foco de outras iniciativas, inclusive de artistas afrodescendentes, além de gerar uma equivalência falsa entre negritude, primitivismo e cultura popular. Se a versão alardeada da brasilidade modernista não corresponde aos fatos, de onde surgiu esse discurso? O constructo histórico da Semana de Arte Moderna, até hoje vigente, só se plasmou por volta de 1945. O presente trabalho parte da incipiente historiografia do modernismo nas décadas de 1930 e 1940, focando nos escritos de Lourival Gomes Machado, Luis Martins, Robert C. Smith, Ruben Navarra e Sérgio Milliet, a fim de desconstruir o tão propagado mito da descoberta de um Brasil profundo e autêntico.

18h30 às 19h - Lembrança brasileira: uma seleção pitoresca de imagens
Com Val Souza (artista, SP-BA)

Será comentada a obra Lembrança brasileira: uma seleção pitoresca de imagens (2021), que explora a dinâmica crítica de representações difundidas por artistas viajantes, especialmente aquelas relativas à escravidão, em correspondência com imagens produzidas por artistas modernistas. A partir do texto "Feminino corpo da negrura", da ensaísta e dramaturga Leda Maria Martins, a obra explora possibilidades de entendimento intersubjetivo das iconografias e a projeção dessas imagens, visto que elas povoam o imaginário social por meio de sua contínua repetição.

19h às 19h30 - Debate
Mediação: Renata Bittencourt (IMS)

Intervalo |19h30 - 19h45

Mesa 4

19h45 às 20h15 - Movimento regionalista e tradicionalista: a seu modo modernista?
Com Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN)

Quando nomeou o movimento cultural que promovia pela criação do Centro Regionalista do Nordeste, em 1924, de Movimento Regionalista e Tradicionalista, Gilberto Freyre claramente o colocava como um movimento antagônico do ponto de vista estético e do ponto de vista político ao movimento modernista, identificado por ele como paulista. Anos mais tarde, na década de 1950, diante da inegável hegemonia do modernismo no plano cultural brasileiro, Freyre passou a se referir ao movimento que encabeçara nos anos 1920 como sendo Regionalista e Tradicionalista, ao seu modo modernista. Nesta comunicação, pretendo tratar do movimento Regionalista e Tradicionalista do Recife e discutir suas relações de aproximação e distanciamento estético e político em relação ao movimento modernista, ou seja, até que ponto o regionalismo tradicionalista foi, ao seu modo, modernista.

20h15 às 20h45 - Cromografia de país dual: fronteiras e imagens do modernismo na Amazônia
Com Aldrin Figueiredo (UFPA)

Fronteiras geográficas, políticas, literárias ou imagéticas são, muitas vezes, expressões que, mais do que sinonímia, guardam profunda analogia no campo da história. Há mais de um século pelo menos, os intelectuais brasileiros sofrem com o problema da identidade e do registro da “cor” brasileira. Nessa experiência de construção do que poderíamos chamar de brasilidade, um tópico ganhou a cena: a imagem e o sentimento de que o Brasil é um país dual. Formulado inicialmente como uma oposição entre civilização e barbárie, essa dualidade tem sido constantemente desdobrada em outros binarismos. Nesta comunicação, procuro analisar a construção de uma cromografia de um país dual. A escrita modernista a partir da cor foi abraçada indistintamente, em texto e imagem, por parte proeminente da intelectualidade brasileira. No elogio da mestiçagem, os modernos, em vista de um reencontro com as raças formadoras da nacionalidade, acabaram por marcar o profundo racismo estrutural brasileiro, transformando a cor em tópos da literatura e das artes visuais. Manejos coloristas e testemunhos da pigmentocracia, trouxeram poemas, esculturas e telas no vasto rol das cores dos nossos censos demográficos. Mais que tonalidades abrandadas, o chamado modernismo de 1922 ao mesmo tempo que demarcou centralidades da produção modernista brasileira em São Paulo atuou por obscurecer e marginalizar escritas das fronteiras nacionais, reificando as clássicas formulações de corpo e margem e de centro e periferia da nação.

20h45 às 21h15 - Debate
Mediação: Ana Maria Maia (Pinacoteca)

 

Realização


Sobre os participantes

Aldrin Moura de Figueiredo é doutor em história, professor da Faculdade de História e do Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia da Universidade Federal do Pará e bolsista PQ-CNPq. Foi diretor do Centro de Memória da Amazônia (2013-2017) e publicou, entre outros, Os vândalos do Apocalipse e outras histórias: arte e literatura no Pará dos anos 20 (IAP, 2012).

 

Durval Muniz de Albuquerque Júnior é professor visitante no Departamento de História da Universidade Estadual da Paraíba,  professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e professor permanente dos Programas de Pós-Graduação em História das Universidades Federais de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. É autor de livros como A invenção do Nordeste e outras artes”, publicado pela editora Cortez, e Nordestino: invenção do falo (uma história do gênero masculino) e A feira dos mitos: a fabricação do folclore e da cultura popular ambos pela editora Intermeios.

Rafael Cardoso é escritor e historiador da arte, autor de diversos livros sobre arte e design no Brasil, sendo o mais recente Modernity in Black and White: Art and Image, Race and Identity in Brazil, 1890-1945 (2021). É membro colaborador do Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e atua também como pesquisador associado ao Lateinamerika-Institut da Freie Universität Berlin. É membro da AICA Deutschland e da Verband Deutscher Kunsthistoriker.

 

Val Souza é artista visual multimídia nascida em São Paulo, vive entre São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Seu trabalho é desenvolvido predominantemente por meio de performances. Sua prática artística é decorrente  do estudo da filosofia e dos estudos culturais e é impulsionado pela história e iconografia das mulheres negras. Incorpora fotografia, vídeo e instalação em sua prática artística, que explora continuamente a autoexposição e a subjetividade. Bolsista na 8º edição da Bolsa de Fotografia Zum/IMS.


Como participar

Quando
26 de abril de 2021, segunda, às 18h

Evento online
Grátis, não é necessário se inscrever antecipadamente.
Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


1922: Modernismos em debate

O ciclo de encontros 1922: modernismos em debate tem o objetivo de promover uma revisão crítica da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir de uma perspectiva histórica ampla, incluirá a análise de manifestações modernistas ocorridas em outras regiões do Brasil, tais como Minas Gerais, Recife, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Moreira Salles, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e pela Pinacoteca, o evento reunirá, em dez encontros, pensadores de diversas áreas, formações, regiões e gerações.