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Contraste

O popular como questão

Conversa

Com Ana Maria Belluzzo, Roberto Conduru, Clarissa Diniz e Raphael Fonseca. Parte de 1922: Modernismos em debate

Quando

28 de junho de 2021, segunda, às 18h

Evento online e gratuito

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.

As questões que envolvem a arte popular e a arte culta e como foram tratadas por gerações modernistas é um dos temas em pauta do quarto encontro do ciclo 1922: modernismos em debate. Também serão abordadas as culturas africanas e afro-brasileiras como fatores cruciais da modernização artística no Brasil e as ideias de tradição em Gilberto Freyre e Mario de Andrade. Fechando o encontro, serão analisadas algumas peças cinematográficas e musicais protagonizadas por Carmen Miranda, com o objetivo de refletir sobre as relações entre "moderno" e "popular".

Essa conversa faz parte do ciclo de encontros 1922: modernismos em debate.

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


Programa

Mesa 7

18h às 18h30 - Arte culta e arte popular
Com Ana Maria Belluzzo (USP)

Coloco em questão a separação entre arte popular e arte culta, destacando o entrelaçamento da manifestação popular com a expressão erudita. A ideia de cultura do povo (folklore) nasceu para identificar traços da cultura germânica, em oposição à cultura das cortes, e se fortaleceu no contexto das aspirações românticas. Mas o que representou a descoberta do folclore em um país formado sob profundas diferenças regionais como o Brasil, das quais iriam derivar diferentes modernismos? Mais do que expressão popular, a questão toca a triste sina do artesanato no desenvolvimento do país. Especial atenção precisa ser voltada à arte primitiva e o modo como foi interpretada pelas gerações modernistas no Brasil. A atuação junto a causas e interesses populares revelou a compreensão dos artistas de que existe de fato uma única cultura, a cultura de classes. A questão do popular está envolvida e embrulhada sob diferentes molduras, é preciso desembrulhar. Quando já não existem subculturas relativamente autônomas, entre “atraso” e “civilização”, dá-se a uniformização simbólica com o predomínio da cultura de massa.

18h30 às 19h - O agente preto como fator da modernização brasileira
Com Roberto Conduru (SMU/Dallas)

A partir do texto O colono preto como fator da civilização brasileira, publicado por Manuel Querino em 1918, pretende-se pensar tanto culturas africanas e afro-brasileiras, de maneira geral, quanto pessoas afrodescendentes e suas realizações, em particular, como fatores cruciais da modernização artística no Brasil, entre o final do século XIX e meados do século XX.

19h às 19h30 - Debate
Mediação: Fernanda Pitta (Pinacoteca)

Intervalo |19h30 - 19h45

Mesa 8

19h45 às 20h15 - Tradições em disputa
Com Clarissa Diniz (Museu Nacional, UFRJ)

Entre nostalgias e bandeirantismos, a ideia de “tradição” esteve em disputa durante o assim chamado “modernismo brasileiro”. Para Gilberto Freyre, o “tradicionalismo” salvaguardaria a permanência de saberes outrora constituídos, “projetando-se a tradição sobre o futuro”. Já para Mário de Andrade, “tradicionalizar o Brasil” seria “conquistar a consciência do peso [do passado], sistematizá-lo e tradicionalizá-lo, isto é, referi-lo ao presente”. A fala articulará algumas perspectivas sobre o modo como Freyre e Andrade, em suas singularidades, fizeram uso de diferentes ideias de “tradição” para operar seus projetos de modernidade e de historicidade.

20h15 às 20h45 - “Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu”: Carmen Miranda, cultura pop e alguns fantasmas
Com Raphael Fonseca (Colégio Pedro II)

Essa comunicação analisará algumas peças cinematográficas e musicais protagonizadas por Carmen Miranda (1909-1955). Com o objetivo de refletir sobre as relações entre "moderno" e "popular", sua presença carismática será enxergada como uma forma de apropriação cultural e disseminação de certos imaginários sobre o Brasil e os trópicos no Norte do globo, em especial nos Estados Unidos. Junto a isso, se soma o interesse de refletir sobre alguns fantasmas e ecos contemporâneos com os quais uma geração jovem de artistas visuais e da música recodificam o seu estatuto de ícone.

20h45 às 21h15 - Debate
Mediação: Heloisa Espada (IMS)

 

Realização


Sobre os participantes

Ana Maria Belluzzo é livre-docente e professora titular de história da arte da FAU-USP. Membra da Associação Brasileira de Críticos de Arte e do Comitê Internacional de História da Arte. Coordenou o comitê brasileiro do projeto Documents of 20th Century of Latin American and Latino Art, do Center for the Arts of the Americas do Museum of Fine Arts, Houston. Atua como crítica, pesquisadora e curadora independente. Autora de O Brasil dos viajantes (1994) e Modernidade: vanguardas artísticas na América Latina (1990).

Clarissa Diniz é graduada em artes pela UFPE, mestra em história da arte pela UERJ e doutoranda em antropologia pela UFRJ, foi editora da revista Tatuí. Além de alguns livros publicados, tem textos incluídos em revistas e coletâneas sobre arte e crítica de arte, como Artes visuais – Coleção ensaios brasileiros contemporâneos (2017), Arte, censura, liberdade (2018) e Amérique Latine: arts et combats (2020). Desenvolve curadorias desde 2008 e, entre 2013 e 2018, atuou no Museu de Arte do Rio.

 

Raphael Fonseca pesquisa a interseção entre curadoria, história da arte, crítica e educação. Doutor em crítica e história da arte pela UERJ, é professor do Colégio Pedro II. Foi curador do MAC Niterói (2017-2020). Entre suas exposições, destacam-se Vaivém (CCBB SP, DF, RJ e MG, 2019-2020) e Água mole, pedra dura (1 a Bienal do Barro de Caruaru, 2014).

 

Roberto Conduru é historiador da arte e professor na Southern Methodist University.

 


Como participar

Quando
28 de junho de 2021, segunda, às 18h

Evento online
Grátis, não é necessário se inscrever antecipadamente.
Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


1922: Modernismos em debate

O ciclo de encontros 1922: modernismos em debate tem o objetivo de promover uma revisão crítica da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir de uma perspectiva histórica ampla, incluirá a análise de manifestações modernistas ocorridas em outras regiões do Brasil, tais como Minas Gerais, Recife, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Moreira Salles, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e pela Pinacoteca, o evento reunirá, em dez encontros, pensadores de diversas áreas, formações, regiões e gerações.