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Conversa

Com Marcelo Campos, Divino Sobral,Paula Ramos e Gênese Andrade. Parte de 1922: Modernismos em debate

Quando

26 de julho de 2021, segunda, às 18h

Evento online e gratuito

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.

A necessidade de uma reparação histórica quando se comemora o centenário da Semana de Arte Moderna é um dos temas do quinto encontro do ciclo 1922: modernismos em debate. As conversas lançarão foco sobre o Nordeste, com sua vitalidade de manifestações culturais, mas também sobre Goiás, onde a linguagem modernista só se configuraria após a inauguração de Goiânia, em 1942, e ainda o Rio Grande do Sul, estado em que o modernismo encontrou seu lugar numa espécie de conciliação com a forte cultura regionalista dos pampas. Para fechar o encontro, uma comparação entre as vanguardas do Brasil e da Argentina nos anos 1920, e como cruzaram as fronteiras no Sul do país, tendo como veículo principal os periódicos da época.

Essa conversa faz parte do ciclo de encontros 1922: modernismos em debate.

Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


Evento online


Programa

Mesa 9

18h às 18h30 - A quem pertence o Brasil? Apropriações culturais entre ficções regionalistas e tradições étnico-raciais.
Com Marcelo Campos (UERJ)

A construção do conceito de brasilidade sempre se deu em forte tensão política e intelectual. Se, por um lado, havia interesse por parte de pequenos grupos sudestinos de artistas e escritores em narrar e resumir tradições às quais os mesmos não pertenciam, por outro, a vida corria prenhe de contradições nos rincões escravocratas do país. A região Nordeste, então recém-nomeada nos idos de 1922, arraigava-se de vitalidades nos aquilombamentos e aldeamentos que passaram a receber antropólogos, artistas e políticos, em uma tentativa de conferir “voz” a pessoas que passaram a ser agenciadas, mas que, ainda hoje, permanecem ausentes nas coleções de museus e galerias e bem distantes da mobilidade socioeconômica que acabara por se restringir a uma intelectualidade branca e oligárquica. A reparação histórica se faz necessária ao se tratar das comemorações do centenário da Semana. Contudo, não se deve negligenciar as insurgências e visões de mundo já estabelecidas nos modos de produzir arte e cultura, para além das tentativas de silenciamento.

18h30 às 19h - Um Modernismo no oeste brasileiro
Com Divino Sobral (artista, pesquisador e curador independente)

Será abordada a construção da linguagem modernista em Goiás, consumada após a inauguração de Goiânia, em 1942. Centrado nas manifestações das artes plásticas, o conteúdo partirá de marcadores históricos, como a criação da Sociedade Pró-Arte de Goiás e da Escola Goiana de Belas Artes, a Exposição do I Congresso Nacional de Intelectuais e a breve existência do Museu de Arte Moderna de Goiás, além das revistas A Informação Goyana, Oeste, Renovação e Arte Nossa. Será analisada a formação da arte moderna goiana a partir do cruzamento da gramática modernista formulada na nova cidade com o imaginário regionalista herdado da vida rural e interiorana, além de se investigar a junção dos temas locais com o olhar e a técnica europeia, graças à contribuição relevante de imigrantes nas artes plásticas e na fotografia, e se criticar o aspecto bandeirantista assumido pelo primeiro modernismo local em função do mito colonial e das relações econômicas e culturais com São Paulo. Também irá se discorrer sobre a destacada atuação de artistas mulheres da segunda geração modernista e se esmiuçar a crítica à sociedade posicionada entre o sertanejo e o urbano, o dentro e o fora, o arcaico e o moderno.

19h às 19h30 - Debate
Mediação: Fernanda Pitta (Pinacoteca)

 

Intervalo |19h30 - 19h45

 

Mesa 10

19h45 às 20h15 - Rio Grande do Sul: modernidades em trânsito
Com Paula Ramos (UFRGS)

De ocupação tardia e marcado por constantes conflitos políticos, o Rio Grande do Sul tem sua história cultural e artística do início do século XX assinalada por diversos trânsitos: de agentes, questões, legados, formas. A forte presença de imigrantes e a expansão da economia nos meios urbanos de um lado parecem ter impulsionado ainda mais o regionalismo, em seu culto ao pampa e à construção da imagem heroica do gaúcho, mas, de outro, estimularam o consumo e a circulação de livros, revistas e impressos estrangeiros, que fomentaram uma produção local também caracterizada pela conciliação de tradições. Nessa comunicação, apresento alguns aspectos do modernismo sulino, enfatizando a cultura gráfica e editorial e o protagonismo da antiga Livraria do Globo, que congregou alguns dos mais importantes intelectuais, escritores e artistas do período.

20h15 às 20h45 - “Mas aqui a gente discursava no teatro, lá se matutava por uma revista...”: vanguardistas brasileiros e argentinos nos anos 1920
Com Gênese Andrade (FAAP)

As palavras de Mário de Andrade norteiam a abordagem comparativa das vanguardas no Brasil e na Argentina na década de 1920. Se aqui foi gritante o silêncio em torno das primeiras revistas argentinas de vanguarda, e lá nada se ouviu sobre a Semana de 1922, no mesmo ano, Nuestra Revista dedicou um número especial ao centenário da Independência do Brasil, enquanto coube a Menotti Del Picchia um artigo sobre a literatura argentina no Correio Paulistano. Houve inicialmente convergências, devido ao comum interesse pelas vanguardas europeias, mas sem diálogos. Os artistas dos dois países compartilhavam os mesmos espaços em Paris, mas se ignoravam mutuamente. Depois, a produção vanguardista de ambos os lados cruzou as fronteiras, com a atuação de Menotti, Mário de Andrade, Ronald de Carvalho, Câmara Cascudo, Luis Emilio Soto, Pedro Juan Vignale e Francisco Palomar, entre outros. A partir de 1924, os periódicos serão o mais efetivo espaço de encontro dessa produção, sobre cujos desdobramentos apresentaremos algumas reflexões.

20h45 às 21h15 - Debate
Mediação: Edson Leite (MAC USP)

 

 

Realização


Sobre os participantes

Divino Sobral nasceu em Goiânia, onde vive e trabalha como artista, pesquisador e curador independente. Recebeu as premiações de curadoria do Salão Anapolino de Artes (2017), o Prêmio Marcantonio Vilaça (CNI/Sesi/Senai, 2015), o prêmio de Crítica de Arte do Situações Brasília Prêmio de Artes Visuais do DF (2014), o Prêmio Marcantonio Vilaça (MinC-Funarte, 2009) e o Prêmio Festival de Inverno de Bonito (2005). Entre 2010 e 2013, foi Diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás.

 

 

Gênese Andrade é doutora em literatura hispano-americana pela USP, com pós-doutorado em literatura comparada pela Unicamp. É professora da Faap, pesquisadora e tradutora, autora de Pagu/Oswald/Segall (2009) e Vicente do Rego Monteiro (2013) e organizadora de Feira das sextas, de Oswald de Andrade (2004) e da Correspondência Mário de Andrade & Oswald de Andrade (no prelo). Coorganizou Un diálogo americano: Modernismo brasileño y vanguardia uruguaya (2006) e Manifesto Antropófago e outros textos, de Oswald de Andrade (2017). É coordenadora editorial, com Jorge Schwartz, da edição atual da obra de Oswald de Andrade, publicada pela Companhia das Letras.

 

Marcelo Campos é professor associado do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da Uerj. Curador-chefe do Museu de Arte do Rio. Organizou as exposições Casa carioca (2019), com Joice Berth; À Nordeste (2019), junto com Clarissa Diniz e Bitu Cassundé; O Rio do samba: resistência e reinvenção (2018), junto com Evandro Salles, Nei Lopes e Clarissa Diniz; e Bispo do Rosário, um canto, dois sertões (2015). É autor do livro Escultura contemporânea no Brasil: reflexões em dez percursos (2016).

 

Paula Ramos é crítica, historiadora da arte e curadora, é professora associada do Instituto de Artes da UFRGS. Suas pesquisas estão voltadas ao modernismo no Sul do Brasil, com ênfase nas relações entre artes visuais e cultura gráfica. É autora de A modernidade impressa – Artistas ilustradores da Livraria do Globo – Porto Alegre (2016), contemplado com diversos prêmios, incluindo o Jabuti. Atualmente, realiza estágio pós-doutoral na Alemanha, com bolsa da Fundação Alexander von Humboldt.


Como participar

Quando
26 de julho de 2021, segunda, às 18h

Evento online
Grátis, não é necessário se inscrever antecipadamente.
Transmissão ao vivo com tradução simultânea em Libras pelo YouTube do IMS e opção de legendas automáticas para quem assistir pelo Facebook.


1922: Modernismos em debate

O ciclo de encontros 1922: modernismos em debate tem o objetivo de promover uma revisão crítica da Semana de Arte Moderna de 1922. A partir de uma perspectiva histórica ampla, incluirá a análise de manifestações modernistas ocorridas em outras regiões do Brasil, tais como Minas Gerais, Recife, Pará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Organizado pelo Instituto Moreira Salles, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e pela Pinacoteca, o evento reunirá, em dez encontros, pensadores de diversas áreas, formações, regiões e gerações.