A cultura moderna brasileira através de fotografias

Curso

com Pedro Duarte
Parte da série Histórias da Fotografia

Quando

20, 27/3, 3 e 10/4/2019, quartas, das 19h às 21h

Inscrições

Esgotado (lista de espera disponível). Mais informações em Como participar

IMS Rio

Sala de aula
Rua Marquês de São Vicente, 476
Gávea - Rio de Janeiro/RJ

Modernidade e fotografia nascem juntas, andam juntas e se transformam juntas. Durante o século XX, definiram o mundo, as imagens e as imagens do mundo com as quais vivemos. Tendo tal viravolta como ponto de partida, este curso fará uma história ilustrada da aventura cultural moderna do Brasil através de fotografias de três momentos de nossa arte: anos 1920 e 1930, do Modernismo; anos 1950, de Brasília e da Bossa Nova; e anos 1960, de Neoconcretismo e de Tropicalismo. Entre a filosofia, a história e a estética, o curso pretende medir a proximidade e a distância que experimentamos diante desses momentos do passado moderno.

Congresso Nacional. Brasília, DF, c. 1960. Fotografia de Marcel Gautherot/Acervo Instituto Moreira Salles

Como participar

Esgotado (lista de espera disponível).

R$ 200, por 4 encontros
30 vagas
Estudantes, professores e maiores de 60 anos têm 50% de desconto em todos os cursos, mediante apresentação de documento comprobatório no dia do evento


Sobre Pedro Duarte

É professor de arte e filosofia da PUC-Rio. Tem pesquisas no campo da estética, filosofia contemporânea, cultura brasileira e história da filosofia. É autor dos livros A palavra modernista: vanguarda e manifesto e Tropicália, para a coleção O livro do disco.


Programa

Aula 1: A filosofia da fotografia de Benjamin e Flusser

Será que a fotografia é arte? Nos anos 1930, o filósofo Walter Benjamin contrapôs, a essa pergunta de matriz conservadora, uma outra, mais desafiadora: o que será da arte, depois da fotografia? Ligando a fotografia à cidade retratada por Atget, à beleza efêmera de poemas de Baudelaire, à montagem surrealista e à velocidade da moda, Benjamin a achava o signo da era moderna. Por sua vez, Vilém Flusser articulou tais teses em uma filosofia da fotografia, apontando a revolução que as imagens reprodutíveis tecnicamente representaram para a humanidade.

Aula 2: A redescoberta do Brasil pelos modernistas

Desde a década de 1920, os modernistas brasileiros buscaram atualizar a arte do país diante do que se fazia na vanguarda internacional, de um lado, e pesquisar o caráter nacional, por outro lado. Seus principais traços – formação de um grupo coletivo, obras de arte, viagens exploradoras no país, vida urbana entre tradição e progresso, preguiça e trabalho – estão presentes em fotos nas quais aparecem Mário e Oswald de Andrade, Bandeira, Villa-Lobos, Pixinguinha e outros. O Brasil deveria se apropriar do que vem de fora, mas sem apenas copiá-lo.

Aula 3: Saudades do futuro: Bossa Nova e Brasília

Os anos 1950 foram o impulso da ideologia de desenvolvimento no Brasil. Desejo político e construção estética convergiam. Juscelino Kubitschek era o “presidente bossa-nova”, referência ao estilo musical criado por João Gilberto e Tom Jobim. O Brasil seria o país do futuro. Brasília foi esse ideal, juntando organização estatal e arquitetura, democracia e razão. Nas fotos de Marcel Gautherot e Thomaz Farkas, constrói-se o sonho utópico de um Brasil que hoje já é nosso passado.

Aula 4: A explosão em cores da geleia geral tropicalista

No fim dos anos 1960, a Tropicália transformou a cultura brasileira. Do impulso inicial de Hélio Oiticica nas artes plásticas – passando por filmes do Cinema Novo e peças do Teatro Oficina, por Glauber Rocha e Zé Celso Martinez Correa – até as canções, apresentações e capas de disco dos tropicalistas, tudo era fotografado: a imagem resultante não fornecia o símbolo clássico e sintético do Brasil, mas sim alegorias barrocas e sincréticas. Os “acordes dissonantes” estavam nas imagens de um país ensombrecido pela ditadura mas insistente na sua alegria solar.


A série Histórias da Fotografia

Como alternativa a uma história da arte única e cronológica, é possível olhar para o passado a partir de múltiplas vozes e narrativas. É essa perspectiva que guia a série Histórias da Fotografia, que apresenta histórias variadas a partir de temas que atravessam a produção fotográfica: a arte, a imprensa, as exposições, os livros, a moda e a fotografia amadora.