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Seminário Memórias Negras

As vozes de nossos ancestrais

Conversas

Com pesquisadores e ativistas.

Quando

22 e 23/5/2024, quarta e quinta

Evento gratuito

VAGAS ESGOTADAS.

Mais informações abaixo.

Museu de Arte do Rio

Praça Mauá - Saúde, 5

Rio de Janeiro/RJ

O Seminário Memórias Negras: as vozes de nossos ancestrais visa fomentar discussões acerca da construção, da representação e da difusão de memória da população negra brasileira por meio de acervos e arquivos produzidos através do protagonismo negro. O evento também se propõe a ser um espaço de compartilhamento de experiências e de reflexões com tais acervos.

O seminário é uma iniciativa no âmbito da pesquisa e processamento do Arquivo Januário Garcia, que reúne um grande conjunto de documentação das vivências afrodiaspóricas nos mais diversos campos da vida social, no Brasil e em diversos países. O evento celebra os 80 anos do Janu e se soma a outros esforços realizados pelo Instituto Moreira Salles com o intuito de rever seu acervo, ampliar diálogos e valorizar as múltiplas vozes que compõem a diversidade cultural do nosso país.

 

Evento com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Parceria:


Programação


22/5 | quarta

9h | Chegança


9h15 | Abertura: falas oficiais com representante do MAR e representante do IMS


9h30 | Palestra A Documenta Fotográfica Brasileira de Matrizes Africanas de
Januário Garcia, seguida de exibição do filme Janu - a fotografia em movimento

Com Silvana Marcelina

 

Abriremos o evento apresentando um panorama da vida e da obra do fotógrafo e ativista Januário Garcia, que ao longo de quase 50 anos se dedicou a registrar a diversidade do povo negro e sua luta. O arquivo que possui milhares de fotografias e vasta documentação é um legado inegável para a memória negra contemporânea.

Silvana Marcelina
Mulher, negra, oriunda da Baixada Fluminense, filha de pedreiro e de empregada doméstica. Graduada e mestra em serviço social (UFRJ), especialista em linguagens artísticas, cultura e educação (IFRJ) e bacharel em artes visuais (Uerj). Atua como curadora, artista, educadora e pesquisadora. Desde 2020, trabalha na organização e pesquisa do arquivo do fotógrafo e militante do movimento negro Januário Garcia.


10h | Mesa 1: Protagonismo negro na construção de sua própria memória

Com Jurema Agostinho, Mário Medeiros e mediação de Clarisse Rosa

 

A primeira mesa que inicia os diálogos do seminário busca reconhecer e valorizar o protagonismo de mulheres e homens negros no resguardo da memória de iniciativas, criações e lutas presentes na experiência afro-brasileira. A partir do trabalho com alguns acervos, convidamos à reflexão sobre os desafios e as conquistas na construção de uma memória negra.

Jurema Agostinho
Mestra em teoria da comunicação e cultura pela UFRJ. Dedica-se a dar visibilidade às tradições afro-brasileiras como processo civilizatório, pleno de saberes nas diversas áreas do conhecimento. Trabalhou no Projeto A Cor da Cultura (Canal Futura/Fundação Roberto Marinho) e também foi diretora adjunta do Centro Cultural Municipal José Bonifácio. Atualmente, é coordenadora pedagógica e cultural da Casa Escrevivência Conceição Evaristo.

 

Mário Medeiros
Professor do Departamento de Sociologia da Unicamp e Diretor do Arquivo Edgar Leuenroth. Autor dos livros Os escritores da guerrilha urbana: literatura de testemunho, ambivalência e transição política (1977-1984) (2008); A descoberta do insólito: literatura negra e literatura marginal no Brasil (1960-2000) (2013). Coorganizador das obras Polifonias marginais (2015) e Rumos do sul: periferia e pensamento social (2018).

 

Clarisse Rosa
Museóloga, mestra e doutora em memória social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Pesquisadora dedicada às memórias negras em museus. Investiga processos de patrimonialização e musealização como forma de ação afirmativa para a população negra. Em 2018, foi consultora de Museologia pela Unesco para implementação do Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB). Atualmente, é servidora e trabalha na Casa da Ciência (UFRJ).


12h00 às 13h45 | Almoço


14h | Mesa 2: Memórias do sagrado afro-brasileiro

Com Egbomi Cici de Oxalá, Emanuelle Rosa e mediação de Rafael Braga Lino

 

Diante de um longo lastro histórico de violenta repressão às religiosidades de matrizes africanas, incluindo seus modos contemporâneos, a segunda mesa apresentará inflexões sobre a presença do sagrado afro-brasileiro em acervos e outros modos de preservar e difundir sua memória.

Egbomi Cici de Oxalá
Nancy de Souza e Silva, conhecida como vovó Cici de Oxalá (1939, Rio de Janeiro) é griôt e Egbomi no Terreiro Ilê Axé Opó Aganju, em Lauro de Freitas (BA). Foi iniciada nos ritos sagrados dos Orixás afro-brasileiros em 18 de janeiro de 1972. Nas primeiras décadas dos anos 2000, também foi iniciada como Apetebi do culto de Ifá. Seu conhecimento sobre a cultura afrodiaspórica fez dela uma cidadã honrada de Salvador (BA), onde recebeu o título de doutora honoris causa pela UFBA.

 

Emanuelle Rosa
Museóloga (UniRio) e mestranda em sociologia e antropologia (PPGSA/UFRJ). Possui experiência nas áreas de documentação, educativo, audiovisual e teatro, exposições e pesquisas em relações étnico-raciais, carnaval e patrimônio cultural. Atualmente atua na equipe de trabalho do acervo Nosso Sagrado, no Museu da República, e desenvolve projetos associados à memória e acervos em instituições como a Mangueira, Cacique de Ramos, Vila Isabel e Clube Renascença.

 

Rafael Braga Lino
Educador, músico formado pela Escola de Música Villa Lobos e fotógrafo formado pela Escola de Fotógrafos Populares - Observatório de Favelas. Foi curador da exposição Sobreposições, individual do artista João Teodoro. Faz parte da equipe de Educação do IMS desde 2016.

 


16h às 16h30 | Coffee break


16h30 | Mesa 3: Difusão de memórias negras: travessias e encruzilhadas do tempo

Com Ana Paula Alves Ribeiro, Dom Filó e mediação de Nara Campos

 

A construção da memória enquanto prática ético-política perpassa não só a preservação das histórias, dos documentos, das imagens e das identidades, mas também as múltiplas formas de criar travessias entre o que se preserva e as gerações vindouras. A terceira mesa apresentará experiências de difusão de memória negra em diferentes meios, linguagens e suportes.

Ana Paula Alves Ribeiro
Antropóloga, professora adjunta da Uerj, na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) e no Programa de Pós-Graduação em História da Arte (PPGHA), e também do Programa de Pós-Graduação em Culturas e Territorialidade (UFF). Na Uerj, é procientista, pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), coordenadora do Museu Afrodigital Rio de Janeiro e dirige o Centro de Tecnologia Educacional. Atua com curadoria e educativo de cinema e artes visuais.

 

Dom Filó
Engenheiro, jornalista, produtor cultural e documentarista. Mentor do Movimento Black Rio. Foi o primeiro produtor negro contratado pela gravadora Warner Music. Criou a Cultne, o maior acervo digital de cultura negra da América Latina e é o CEO da Cultne TV, a primeira televisão negra 100% dedicada à cultura negra no Brasil.

 

Nara Campos
Honrosa de sua ancestralidade; Abyan de Ọ̀ṣun, neta, filha e mãe; bibliotecária e curadora de projetos literários. Realiza mediações culturais, educacionais e literárias no Museu de Arte do Rio. Formada pela UFRJ, desenvolve projetos literários que ativam a percepção do leitor relacionada aos valores civilizatórios Afrikanos com objetivo de resgatar a memória, a tradição e a continuidade de saberes do povo preto e suas bibliotecas vivas encontradas pela diáspora.


23/5 | quinta

9h | Chegança


9h15 | Mesa de comunicações 1: Relatos de experiências com memórias do sagrado afro-brasileiro

Com Babalorixá Adailton Moreira Costa, Ekedi Margarida, Mariana Maiara e mediação de Pamela Pereira

 

No espaço da mesa de comunicação 1, apresentaremos três relatos de experiências de luta, preservação e difusão de memórias ligadas às religiosidades de matrizes africanas.

Adailton Moreira Costa
Babá Adailton Moreira d’Ogun é articulador da campanha #LutoNaLuta, contra o racismo, os crimes de racismo religioso e intolerância religiosa. É coordenador do Projeto Alajô e membro da Renafro-RJ. Graduado em ciências sociais (PUC-Rio), mestre em educação (ProPED/Uerj) e doutorando em bioética pelo PPGBIOS-UFRJ. Babá Adailton mantém o legado de Mãe Beata à frente do espaço sagrado, a Comunidade de Terreiro Ilê Omiojuarô (Nova Iguaçu, RJ).

 

Ekedi Margarida
Carioca, graduada em Serviço Social (Uerj), atuou como assistente social na Refinaria Piedade SA, na Legião Brasileira de Assistência - LBA e foi coordenadora de programa social na Funabem. Iniciada no candomblé, em 1989, como Ekedi de Omolu no Ylê de Omolu Oxum (São João de Meriti/RJ), de Mãe Meninazinha de Oxum. Lá, em parceria com o ogan e professor doutor em Comunicação Ricardo de Oliveira de Freitas, desenvolveu a catalogação e construção do Museu Memorial Iyá Davina.

 

Mariana Maiara
Doutoranda em antropologia (UFF), formada em ciências sociais (UFRJ) e fotógrafa (Coart-Uerj). Autora da coletânea Olhares negros, prefaciada por Angela Davis e Patrícia Sellers. Integrante do grupo de pesquisa GINGA-UFF, coordena a equipe de comunicação e colabora na coluna Olhares Negros. Desenvolve um projeto de pesquisa e documentação fotográfica dos povos de terreiros e de manifestações políticas, culturais e religiosas de origem afro-brasileira.

 

Pamela Pereira
Museóloga e pesquisadora, integra a equipe da Coordenadoria de Fotografia do Instituto Moreira Salles e atua no processamento técnico de arquivos e coleções. Mestra e doutora em memória social (UniRio), com pesquisa sobre gestão compartilhada de objetos religiosos e sagrados nos museus. É membra do Comitê para o Desenvolvimento de Coleções/Conselho Internacional de Museus (COMCOL/ICOM).


11h | Visita mediada à Exposição Funk: um grito de ousadia e liberdade


12h às 13h45 | Almoço


14h | Mesa de comunicações 2: Relatos de experiências com difusão de memórias negras

Com Antonio Rodrigues, Cazé, Pedro Rajão, Rubia Luiza e mediação de Daniele Amado

 

Na mesa de comunicação 2, apresentaremos também três relatos de experiências dedicadas à difusão da história e cultura afro-brasileira a partir de patrimônios materiais e imateriais.

Antônio Rodrigues
Artífice, arte-educador e ativista do movimento sociocultural afro-brasileiro no Rio de Janeiro desde 1970. Fundador do Cineclube Rio Zona Norte e articulador na Federação das Favelas do Rio de Janeiro (Faferj). Fundou e atuou no Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro (Comdedine-RJ) por 19 anos. Fundador do Instituto Pretos Novos (IPN) e coordenador do projeto Passeio Circuito de Herança Africana na Zona Portuária, e primeiro guia do projeto.

 

Cazé
Correalizador e artista do Projeto NegroMuro, que mapeia a memória negra da cidade do Rio de Janeiro e a evidência através da arte urbana. Trabalha com muralismo há mais de cinco anos, realizando pesquisas sobre território. Possui murais no Brasil e em diversos países, como, por exemplo, Guiné-Bissau, Portugal, França e Equador. Participou de exposições coletivas e individuais. No NegroMuro, já assinou cerca de 40 murais, espalhados pelas ruas e patrimônios da cidade.

 

Pedro Rajão
Idealizador, pesquisador e produtor do NegroMuro. Também idealizador e produtor do Leão Etíope do Méier, que há 10 anos atua em espaços públicos do subúrbio com música, cinema, teatro, circo e aulas públicas com grandes nomes da militância e intelectualidade negras. É diretor e produtor do documentário Anikulapo, sobre o nigeriano Fela Kuti. A partir da pesquisa com memória de personalidades negras, realiza palestras em escolas, universidades e institutos de arte.

 

Rubia Luiza
Bibliotecária formada em biblioteconomia e gestão de unidade de informação pela UFRJ. Mestranda em ciência da informação pelo IBICT-UFRJ, com foco em mediação cultural da informação étnico-racial em bibliotecas públicas. Desde 2015, exerce o cargo de bibliotecária responsável na Biblioteca da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV). Atua também como mediadora cultural, desenvolvendo ações educativas e contribuindo para a difusão cultural do conhecimento.

 

Daniele Amado
Doutora em história (UniRio). Atua na FGV CPDOC como professora permanente do Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais (PPHPBC), coordenadora do Programa de Arquivos Pessoais (PAP) e analista de documentação e informação. Também é líder do Laboratório de Educação, Memória, Acervos e Informação (LEMAI FGV CPDOC) e coordenadora do projeto de extensão Escola no Acervo e do projeto de Difusão e Educação Patrimonial do acervo histórico do CPDOC.


16h às 16h30 | Coffee break


16h30 | Mesa 4: Escurecendo arquivos: táticas contra apagamentos

Com Carolina Gonçalves Alves, Jorge Santana e mediação de Renata Bittencourt

 

Para encerrar os diálogos abertos pelo seminário, propomos um debate sobre o trabalho de revisão de acervos e arquivos numa perspectiva racializada, como modo de fricção nas relações de poder que invisibilizam e promovem apagamentos.

Carolina Gonçalves Alves
Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPCIS/Uerj). Na FGV CPDOC é coordenadora de documentação e professora do Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais. Integra o Comitê Executivo da Rede Arquivos de Mulheres (RAM) e coordena o Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Interseccionalidades (Negri) da Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC). Pesquisa as áreas de sociologia, sociologia da cultura, memória e documentação.

 

Jorge Santana
Licenciado em história (Uerj), mestre e doutor em ciências sociais (PPCIS/Uerj). É professor efetivo de história no Instituto Federal do Paraná e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi). É autor do romance histórico Desculpa, meu ídolo Barbosa, organizador e um dos autores do dossiê Galeria de racistas: reparação, agência e resistência”. Também dirigiu o documentário Nosso sagrado”, produzido pela Quiprocó e lançado em 2017.

 

Renata Bittencourt
Educadora, gestora cultural e historiadora da arte. Mestra e doutora pela Unicamp, investigou sobre a representação da figura negra. Atuou no Itaú Cultural e na Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, foi secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura, Diretora de processos museais no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram-MinC) e diretora executiva do Instituto Inhotim. Atualmente é diretora da área de Educação do Instituto Moreira Salles.


Como participar

Quando

22/5, quarta, a partir das 9h
23/5, quinta, a partir das 9h

Confira detalhes na programação.

Onde

Museu de Arte do Rio
Praça Mauá - Saúde, 5
Rio de Janeiro/RJ

Entrada gratuita

VAGAS ESGOTADAS
Inscrições a partir do dia 15/5/24
Evento com interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais).